Jornal Página 3
Entrevista com Omar Tomalih, vereador eleito com 1.086 votos
Marlise Schneider Cezar

Por Marlise Schneider Cezar

Nome – OMAR TOMALIH
Idade – 42
Natural – Uruguaiana/RS
Em BC desde – Desde 2009
Estado civil – Casado com Carla Tomalih
Filhos – Amany, 11 e Amir, 4
Formação – Direito
Profissão – Empresário
Lazer – Curtir a família, passeios com os filhos
Comida predileta – Árabe
Livro – ‘21 dias para transformar sua vida’
Música – Novo Tempo
Filme – ‘Coração Valente’
Perfil – Determinado, foco no que faço, trabalhador, exigente.
Planos – Retomar projetos empresariais que ficaram meio de lado na campanha. Na política estou dando o primeiro passo com muitas idéias.

A política sempre esteve muito presente na vida de Omar Tomalih, ainda criança conviveu com esse assunto em sua casa. Tomou gosto e envolveu-se na política partidária, tanto que sua primeira eleição foi para vice-prefeito de Uruguaiana, uma decisão inesperada que ele não recusou. Quando mudou-se para Balneário Camboriú não pensava em seguir na política, até porque não conhecia quase ninguém. Até que conheceu Fabrício Oliveira na igreja que ambos freqüentam. Veio o convite e ‘só para ajudar’ a decisão de concorrer ao Legislativo, em 2012. Nova surpresa: mesmo desconhecido, recebeu mais de 400 votos. Esse resultado o motivou a abraçar com força a política outra vez e nos últimos quatro anos iniciou a campanha que, em outubro, o conduziu ao Legislativo. E planos para seguir não faltam, mas ainda estão guardados a sete chaves. Confira na quinta da série de entrevistas com os novos vereadores da cidade.

Você é um gaúcho árabe?

Eu nasci no Rio Grande do Sul, com 10 anos de idade meu pai nos levou para morar no Oriente Médio. Ele nasceu lá, veio para o Brasil em 1958, sempre gostou do Brasil, é apaixonado e aí quando eu fiz 10 anos voltamos para lá e só retornei ao Brasil com 26 anos.

Viveu 16 anos lá, estudou, formou-se lá...

Sim, em 99 voltei para o Brasil, para Uruguaiana e logo em seguida comecei a trabalhar. Na realidade, a questão política iniciou quando minha mãe concorreu à vereadora em 1982. Foi aí que me envolvi com política, quando eu tinha 9 anos. Lá no Oriente Médio sempre me envolvi com a política estudantil, escola, faculdade, centro acadêmicos (...).

Você trabalhou como advogado no sul?

Não, como bom árabe tivemos comércio, uma loja.

Política partidária, quando se interessou?

Logo que cheguei ao Brasil me convidaram para concorrer a vereador e durante o processo houve um problema com nosso candidato a vice e surgiu uma vaga para vice-prefeito. Na época eu era PFL. Primeira eleição minha foi para vice-prefeito. Fui surpreendido com o convite para concorrer a vice-prefeito de Uruguaiana. Não ganhamos, mas foi uma experiência fantástica. Dali continuei. Me filiei ao PMDB, fui presidente do partido por quatro anos. Fui coordenador regional, concorri a deputado em 2002, fiquei na suplência, em 2008 coordenamos uma campanha para prefeito, não tivemos sucesso e aí tinha alguns planos para vir para cá...

Essa foi sua motivação então para a mudança?

Sim, mas eu já tinha negócios aqui na região. Balneário Camboriú...quem não se apaixona? Eu já conhecia. Tinha vindo duas vezes, mas não com intenção de ficar, só que desde a primeira vez me apaixonei. Então em janeiro de 2009 vim morar. Trabalhamos com confecção uma época, com turismo um bom tempo e depois conheci o Fabrício em 2010...

Aqui chegou a procurar o PMDB, que estava no comando da cidade?

Procurei, mas não com intenção de me envolver. Queria focar meu lado empresarial. Virei apolítico aqui, mas continuava envolvido em Uruguaiana, continuava na executiva de lá (...).

Conheceu o Fabrício pela política?

Não, foi na igreja. Na época, ele estava no PSDB e me convidou para participar, mas só em 2012 entrei no PSDB, concorri a vereador, fiz 474 votos. O Fabrício era candidato a vice do Spernau. Para mim foi uma surpresa, fazia pouco tempo que estava na cidade...mas fiz uma votação que surpreendeu, pensei que faria uns cento e poucos votos. Naquele momento eu vi que tínhamos chance de chegar e de lá pra cá não parei. Foi ali que começamos a campanha para 2016...

Quando deixou de ser tucano?

Logo depois das eleições me desfiliei, fiquei sem partido e quando o Fabrício se filiou ao PSB me convidou. Eu me filiei, fui um dos primeiros. Começamos a construção do partido aqui. Tem uma frase do deputado Ismael que gosto, ele sempre fala, eleição é época de colheita, o plantio é o ano todo. Em 2014 o Fabrício concorreu a deputado federal, trabalhei na coordenação da campanha dele e em 2016 chegamos com tudo...

Essa campanha foi mais centrada nas mídias sociais. Mas vocês usaram bastante o sistema antigo, corpo a corpo...

Para mim foi uma campanha diferente. Porque vínhamos plantando nos últimos quatro anos, tinha muita gente envolvida, fiz 1086 votos com muito amigos(...). Usamos muito as redes sociais, mas o foco principal foram os amigos, caminhando nos bairros, visitando e falando com as pessoas, acho que o carinho humano supera qualquer tecnologia.

As pessoas andam de saco cheio com política e políticos. Esse ambiente está muito contaminado, como você percebeu isso?

Quando iniciei o processo já imaginava que teríamos esse problema, mas não é só no Brasil, é o mundo inteiro, a politica no mundo está sem crédito (...). Aqui em Balneário sentimos que as pessoas realmente queriam mudar. Acredito que isso foi um fator positivo para esses novos vereadores, foram oito novos que chegaram lá. É um reflexo do momento, são propostas novas, novos ideais, renovação (...).

Encontrou eleitores pedintes na campanha...

É um sistema político, um ranço...é um problema cultural, só com muito tempo conseguiremos colocar na cabeça das pessoas que política é algo que temos que colher durante quatro anos e não apenas numa campanha. Eleição não é uma oportunidade de ganho momentâneo, mas acho que já mudou muito, as pessoas estão mais conscientes com relação a isso (...). O brasileiro está acordando.

Qual foi a coisa mais bizarra que pediram na campanha?

Olha...gasolina pediram muito...conta de luz, água, cartão de crédito, muitos problemas cm cartão de crédito...pedem muito. Mas eu quero deixar bem claro que desde o inicio minha campanha foi muito focada em não dar nada. Porque focamos num resultado, fazer a diferença...então não damos um litro de gasolina, apesar de muitos carros plotados foram os amigos que fizeram, acreditaram e plotaram ...ou entramos para fazer a diferença ou deixa tudo como está. Se pegar minha prestação de contas, você vai ver que gastamos muito, muito pouco. A campanha foi baseada na sola do sapato, reuniões com amigos, vizinho, parentes, na realidade foi criada uma rede e essa rede ganhou a eleição.

Quais foram as principais bandeiras da campanha?

Desde o inicio focamos nos valores e princípios da família, porque aí engloba o ser humano como um todo, através de uma boa saúde, segurança, geração de emprego (...), levantamos a bandeira de humanizar os serviços públicos, ficar mais próximo da população, saúde, educação, segurança acho que foram as bandeiras de todos, mas acreditamos que temos que ir além.

Se fiscalizarem todos esses setores já é um bom começo...

Com certeza, esse é o principal papel do vereador, independente de situação ou oposição. Hoje temos um cidade com orçamento de 717 milhões...um sonho para qualquer agente público administrar...e temos uma saúde precária...um orçamento de 138 milhões para saúde...120 e poucos milhões vai para folha...

São quase cinco mil funcionários...é a maior empresa da cidade...

É um absurdo isso. O Fabrício vai conseguir mudar essa situação com uma boa gestão, principalmente a questão da folha.

Ele está montando o governo até agora do jeito que prometeu, levando pessoas com conhecimento técnico....

Eu não tenho dúvida, o Fabrício tem tudo para fazer o melhor governo que essa cidade já viu (...).

Tem outra campanha em andamento, para presidência do Legislativo. Você quer ser presidente também?

Eu coloquei meu nome à disposição. Acho que precisamos ter um presidente da nossa base, principalmente para dar andamento nestes projetos que o prefeito vai enviar para a Câmara, dentro desses oito vereadores nossos, me coloquei à disposição também.

A Câmara de Vereadores tem uma imagem pior possível, isso tem que mudar...como pensa mudar isso?

É uma imagem generalizada...no mundo todo. Aqui sentimos isso na pele na campanha. Como mudar? Nos aproximando da população.

Não vejo só como distância... vejo como prática, enriquecimento inexplicável, o cara entra na Câmara de Vereadores de bicicleta e depois tem carro importado na garagem...eu não tô chamando ninguém de ladrão, mas é isso que o povo pensa...

Aí tem duas coisas fundamentais: primeiro, transparência total, principalmente com gastos. Segundo, fazer as coisas com ética, principio e acima de tudo com honestidade. Estamos ali para servir e não para ser servidos. É uma missão difícil. Acho que podemos dar essa resposta para a cidade, sim houve mudança e a mudança valeu a pena. Não podemos acreditar que com tudo que pregamos e fizemos para mudar...chegar lá e cometer os mesmos erros. Temos obrigação moral e ética de mostrar pra população que a mudança valeu a pena e que o caminho é este: trabalhar com ética e transparência.

Qual a expectativa com a nova Câmara?

Acho que os novos estão com garra, vontade, sangue nos olhos, nos primeiros meses vamos observar mais do que agir para observar o ritmo...são jovens que querem fazer a diferença. Estamos fazendo reuniões semanais. Uma semana só os vereadores e outra semana com o prefeito junto.

Dentro das propostas chamadas novas ideias qual tem mais apelo popular?

São várias. Conseguimos ouvir mais de 16 mil pessoas, conseguimos colher o anseio delas e dali montar o nosso plano de governo. Todo candidato deveria fazer isso. A partir daí o plano foi construído. Na área da saúde, temos muitos problemas, vamos resolver por exemplo, a fila de espera...as pessoas estão virando madrugada para conseguir uma ficha de consulta...

A fila de especialidades é ainda pior...

Sim, as pessoas tem que esperar mais de um ano...morrem na fila. Não combina com nossa cidade que é atípica...num país de crise, nós somos diferenciados, temos além da nossa arrecadação, algo a mais, a temporada, que diga-se de passagem, é um dos nossos cartões de visita e temos que trabalhar para que isso seja o ano inteiro, tem que ter vontade política, construir um calendário de eventos, para que a temporada não se limite...não entendo um governo que ficou oito anos e não fez nenhum evento pós temporada...com esse rede hoteleira que temos, restaurantes, infra-estrutura...que evento temos de grande porte sem ser a temporada...

Quais são os principais anseios da população, o que mais pediram?

Saúde e segurança em primeiro lugar, onde passamos todos pediram. Dentro dos projetos das novas idéias, na área da segurança, a questão da guarda comunitária, colocando em cada bairro um posto da guarda municipal, isso certamente será um diferencial. Trabalho mais conjunto entre a policia militar e a guarda municipal, agora virão mais efetivos, mais 22 policiais, mais 2 delegados. Estive na secretaria de Segurança essa semana, é triste de ver a estrutura, as viaturas caindo os pedaços, nossos agentes com os carros que nem conseguem circular na cidade que dirá correr atrás de bandido...temos que valorizar as pessoas (...) na área da saúde, não podemos aceitar que um posto de saúde como o do Nações esteja pronto e fechado por falta de médico...temos que remunerar bem esses médicos.

Na primeira campanha do atual prefeito ele tripudiou muito o governo Spernau, dizendo que uma cidade que fatura um milhão por dia, não pague melhor seus médicos...e que ele mudaria isso...

Passaram oito anos e os médicos não vem, porque no interior pagam melhor que aqui.

E o Ruth Cardoso, qual será o encaminhamento?

Ali tem um sério problema que é o pronto socorro pronto há três anos...e fechado. Na parte de atendimentos, procedimentos, ele funciona. O problema é o pronto atendimento, precisamos resolver isso. É questão de gestão, de médicos, e de fiscalizar o trabalho que é feito ali.

Os principais problemas da cidade hoje?

Saúde e segurança em primeiro lugar. Depois a geração de empregos. Temos uma cidade que funciona três meses do ano e o resto do ano fica parada esperando a próxima temporada. Não podemos admitir que uma cidade pare. Temos um comércio para mais de um milhão de pessoas. Precisamos fazer com que a roda gire, fazer com que o comércio não feche as portas no inverno.

Temos que pensar mais profissionalmente no turismo, é um dos menores orçamentos. Todos dependemos dele. Ele cresce ao nosso redor e nós fechamos o olho para nossa galinha dos ovos de ouro, a praia, que está muito doente.

Um exemplo: muitas vezes peguei ônibus na fronteira com Argentina para vir a Balneário, ele vinha lotado de Buenos Aires...90% descia em Florianópolis, dos outros 10% mais da metade ficava em Itapema e uns poucos desciam em Balneário. Ah... mas temos uma cidade lotada... Sim, mas temos potencial para muito mais. É que às 3h da tarde nossa praia não tem mais sol, tem sombra. Trabalhei com turismo e posso dizer, não temos muito além disso para oferecer, a praia é o foco, é linda, mas está poluída....precisamos cuidar dela.

Agora mesmo a praia está fedendo...

Sim fui caminhar...cheio de puxadinhos...temos um problema social dos grandes, muitos andarilhos, eles dormem, tomam banho ali mesmo, puxam uma lona, tem gente fazendo churrasco na praia...a prefeitura precisa fiscalizar, nós vivemos disso. Nós temos uma vitrine, que é Balneário...mas está descuidada, precisa de atenção urgente e funciona só no verão...

Há 25 anos a cidade pede um Centro de Convenções, parece que está saindo do papel...

O Centro de Convenções é um negócio muito bom se souber utilizar. Se não tiver políticas, não tiver um calendário, parcerias para buscar feiras, exposições congressos, não vai funcionar....mas temos um prefeito atento a tudo isso(...). Foi aprovado no Congresso a questão dos cassinos, se for liberado, Balneário é uma das cidades que não pode perder essa oportunidade, porque ele vai trazer muitos turistas e não é só no verão (...).

A cada quatro anos temos uma transição no dia mais lotado da praia. Até já se pensou em mudar essa data, porque quem tá saindo não quer mais nada e quem tá entrando ainda não domina...e a casa está cheia.

Esse calendário de transição é nacional. A diferença é que as cidades estão vazias na transição e nós estamos no dia de casa mais cheia do ano...Estamos focados na transição em três eixos: saúde, segurança e a questão da água, que não pode faltar...para que inicemos o governo com com o pé direito.

Gostaria de dizer mais alguma coisa...planos?

Aredito que podemos contribuir muito com Balneário, como vereador não medirei esforços para poder fazer um bom governo. Tenho planos especiais para área política, mas isso é para a frente. Gostaria de agradecer primeiro a Deus, minha família, amigos que acreditaram, as 1086 pessoas que votaram em mim e dizer que estou 100% à disposição da nossa comunidade.


Sexta, 2/12/2016 15:41.


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