Jornal Página 3
Entrevista: Joceli Nazari, vereador eleito com 822 votos
Marlise Schneider Cezar

Por Marlise Schneider e Waldemar Cezar Neto

Nome – JOCELI CARLOS NAZARI
Idade – 41
Natural – São Domingos/SC
Em BC desde – 1991
Estado civil – Casado com Ana Carolina
Filhos – William, 21 anos
Formação – Administração em Gestão Hospitalar pela Uniasselvi
Profissão – Gestor Hospitalar
Lazer – Praia
Comida preferida – Churrasco
Música – Pop Rock
Filme – De aventura
Perfil – Cumpridor de responsabilidades, respeita o próximo, pensa no coletivo, coração grande.
Planos – Focar as questões sociais no mandato que inicia em janeiro.

Ele é tecnólogo em administração hospitalar e de certa forma irá para o outro lado do balcão, porque até então fez parte dos problemas da saúde municipal. Foi diretor nomeado pelo prefeito Edson Piriquito no Hospital Santa Inês e diretor da Cooperativa de Especialidades Médicas de Santa Catarina, um dos principais prestadores de serviços do hospital Ruth Cardoso. Esta foi a terceira vez que concorreu ao Legislativo. A primeira em 2008 pelo PTB, com 282 votos; novamente em 2012 pelo PV com 805 votos e agora pelo Partido Popular Socialista (PPS) elegendo-se com 822 votos.

Esta foi sua terceira campanha, o terceiro partido ou antes disso atuava em outros?

Desde muito jovem militei nos partidos, quando vim para Balneário Camboriú em 1991, militava no PP, o 11, o antigo PDS, mas sempre estive participando de uma forma ou de outra nas eleições no município.

A política o atrai.

Sim acredito na política de benefícios para nossa comunidade.

O Sr. veio num crescendo, acredita que a mudança de partido lhe levou à vitória?

Sim, sempre procurando um partido que tivesse comprometimento com a nossa sociedade. Não desmerecendo as outras siglas, encontrei no PPS um partido que respeita os filiados, um partido decente, nossos políticos tanto na esfera estadual quanto nacional não têm envolvimento com escândalos... eu já vinha há muito tempo pensando em entrar no PPS.

Nessa campanha o Sr. teve uma bandeira para convencer o eleitorado?

Principalmente na área em que atuo, na área social, sou administrador hospitalar, sei muito bem como funciona o Sistema Único de Saúde (SUS), nas esferas primária, secundária, terciária e tenho convicção que posso contribuir muito exercendo o mandato de vereador principalmente nessas causas... uma pasta muito importante, muito delicada que é a saúde. Não dá para falar por aí de saúde sem ter conhecimento. Eu venho me preparando para isto justamente para quando a gente for cobrar do Executivo atendimento para a comunidade que seja um atendimento humanizado para que as pessoas consigam resolver o seu problema, o seu trauma e que saia dali solucionado.

Tem que mudar bastante coisas.

Sim, tem alguns problemas que precisam ser resolvidos, já estou ciente de situações, vejo que Balneário Camboriú tem condições de fazer muito mais do que tem feito. Claro, vem crescendo a cada ano no atendimento à saúde, somos uma cidade turística, crescemos, aumenta a demanda de quem vai precisar de atendimento. Hoje temos 14 unidades básicas de saúde, se for ver a população que temos o serviço que está sendo prestado teríamos que praticamente dobrar o número de unidades de saúde básica. Sabemos do momento atual, a crise que estamos atravessando e que o futuro prefeito terá um pouco de dificuldades, mas meu pensamento é criar unidades onde ainda não tem.

Tem a questão do Ruth Cardoso...

Podemos dizer que somos agraciados por termos um hospital 100% gratuito que hoje atende a população da região ... Itapema, Porto Belo, Camboriú, Bombinhas... afora outros municípios e os turistas também. Quase 8.000 pacientes são atendidos dessa forma, totalmente gratuito. O município credenciou o hospital no SUS e o SUS paga pelo atendimento, são as AIHs (Autorização de Internação Hospitalar), e esse valor cobre o custo em torno de 25% a 30%. São dados reais, essa diferença quem está bancando é o município, hoje é preciso rever as pactuações intermunicipais...

Os outros municípios pagam alguma coisa?

Sim, como eu falei o governo federal paga, independente de qual seja o município.

O Sr. acha que o atendimento regionalizado tem que continuar?

O regionalizado faz parte da pactuação entre municípios, quem tem que decidir isso é o Executivo, nós da Câmara temos que cobrar que ofereça atendimento à nossa comunidade, de outros municípios é o Executivo que tem que decidir se quer ou não ser referência para Itapema, Porto Belo... só que tem outras consequências, Balneário tem como referência o Marieta para cardiologia, neurologia... não adianta a gente fechar a porta porque aí o governo do Estado fecha as portas lá... é delicado, tem quem rever. Acredito numa regionalização do nosso hospital e tenho explanado como administrador hospitalar que vejo uma terceirização... tem várias organizações sociais no Brasil que podem assumir e tocar uma gestão de resultados.

Joceli com Carmen Zanotto, presidente estadual do PPS

Houve uma tentativa que não deu certo.

Simplesmente pegaram uma organização e colocaram para tocar, tem quem juntar o Conselho Municipal de Saúde, os profissionais de saúde e ir aos hospitais onde as OS já atuam para saber como estão trabalhando, conversar com a população... tem que ser feito para saber quem você vai colocar no hospital.

Outra questão, as filas para consultas com especialistas, gente esperando um ano...

Volto a fala do SUS que cobre de 25% a 30%, como convencer o profissional cirurgião a fazer uma cirurgia que não é atrativa para ele? O município tem que dar ruma contrapartida para ter este profissional. O Ruth Cardoso foi criado para atender cirurgias eletivas do município. Hoje ele tem quatro salas cirúrgicas, mas com a demanda de urgência emergência ele não consegue efetuar as cirurgias eletivas, a saída seria comprar serviços de terceiros. O município pode procurar outros hospitais para essas cirurgias e reduzir a demanda.

Muitas vezes nem é cirurgia, uma consulta, a pessoa espera um ano.

Também engloba isso, hoje você vai credenciar um profissional, o SUS paga R$ 11 por essa consulta, como convencer o médico a se credenciar na secretaria de saúde para fazer este atendimento? Não é atrativo, tem várias clínicas, vários serviços para contratar e atender a demanda represada. Fazer concurso muitas vezes o município oferece um valor que não é atrativo, os médicos não vem fazer o concurso ... é um problema de outras cidades também o profissional acaba indo onde paga mais... é uma discussão com a comunidade, não é o vereador que vai decidir isso, mas vou cobrar intensamente o Executivo.

Tem médicos de carreira fazendo dedos de silicone para fraudar relógio ponto, eles também são um problema. Não tem lógica o município ter gestão plena do SUS, que lhe causa prejuízo a cada paciente atendido. Sai fora da gestão plena, entrega o problema no colo do governador, só vou atender os moradores da minha cidade. Ou vamos renegociar tudo isso.

O SUS tem princípios básicos, não pode restringir o atendimento a qualquer pessoa.

Mas posso me habilitar a cobrar da prefeitura respectiva, exigir compensação, certo?

Sim e quando você tem este crédito acaba absorvendo. Há 13 anos o SUS não revisa os valores, mas os municípios acabam querendo obter esses valores porque mesmo com 25% a 30% ajuda nos custeio senão teria que pagar os 100%. Tem que notar a questão do Ruth Cardoso, existe uma pactuação entre municípios, quem é referência de quem e vamos cobrar do prefeito que resolva essa pactuação, que os outros municípios também ajudem.

Não temos alta complexidade e se olhar as compras verá material para alta complexidade, é sem sentido médicos do Ruth Cardoso trazerem pacientes deles, particulares, para fazer alta complexidade e aumentar o prejuízo. Manda para o Marieta, é lá que tem que fazer, não aqui. A minha tese é que quanto mais gasta mais alguém está ganhando, penso que existe corrupção na saúde pública do município, escrevo isso semanalmente, qual a sua opinião?

O Ruth está credenciado para baixa, média e alta.

Qual é a alta?

Neurocirurgia... (Nota da Redação: na verdade o hospital não tem credenciamento para alta complexidade, em neurocirurgia tem de média e somente para cirurgias eletivas, não de emergência).

Eles fazem coisas que não deveriam fazer.

Existe maneira da fiscalizar, é papel dos vereadores fiscalizarem e tem que fiscalizar. Uma organização social seria uma forma de estancar este tipo de coisa, eles iriam fiscalizar, nas contratações por licitação ganha quem tem o melhor preço...

Não licitam, no Ruth a maior parte dos contratos é sem licitação.

É feita licitação, também licitação para medicamentos... quando muda a gestão para OS reduz até o custeio. Outra questão é seletivo de pessoal, ele já diz, é para ser paliativo, seis meses que pode prorrogar por mais seis, mas tem deficiências que acabam muitas vezes não contratando profissionais com experiência e sim por ordem de classificação. Pelo que tenho conhecimento todos os serviços médicos no Ruth Cardoso são contratados por licitação.

Com Cristovam Buarque em Brasília

Em verdade raramente ocorre licitação, um dos problemas desse hospital é que ele funciona na base da dispensa de licitação para tudo... as UTIs no ano passado funcionaram todas com dispensa de licitação... é um absurdo.

Sou administrador hospitalar, tenho experiência, acredito que para o hospital continuar dando atendimento à comunidade, melhorando em alguns pontos, o ideal seria transferir a gestão do hospital...

Isso é senso comum, todo mundo acha que tem que fazer isto, menos o teimoso do prefeito. Na verdade ele tentou fazer, o Página 3 avisou que a Cruz Vermelha era picareta e ele não acreditou. O jornal bancou sozinho essa parada, ninguém acreditava que a Cruz Vermelha fosse picareta.

Eu era do Conselho Municipal de Saúde quando foram apresentados dois cidadãos com slides bonitos, tantos mil pacientes... hoje, volto a dizer, se for escolher uma OS vamos conhecer, ver como está trabalhando. O custo sai mais barato do que colocar e depois não conseguir tirar. Tem OS excelentes no Brasil, a saída seria essa. A gente vê que o munícipio tocar não está funcionando... conheço vários hospitais em Santa Catarina e no Paraná tocados por OS sérias, o município tem o controle, estabelece metas, se não cumprirem não paga... se eu tiver a oportunidade de estar à frente da Comissão de Saúde da Câmara –quero botar meu nome à disposição- com a minha profissão tenho muito a contribuir para o nosso município, principalmente no Ruth Cardoso.

Tem OS aqui ao lado, a que administra o Marieta que topava administrar o Ruth, porque não fizeram negócio? Iria custar 40% do que está custando hoje e o prefeito não quis... tem um pronto socorro anexo ao Ruth, pronto há três anos e que nunca foi posto a funcionar, o Sr. consegue entender uma coisa dessas?

Eu defendo que seja aberto o Pronto Socorro. Posto a funcionar. Hoje o pronto socorro do Ruth Cardoso está improvisado. Ele foi inaugurado em 2011... o hospital foi concebido para não ter porta aberta, ser a referência para as unidades de saúde do município... temos que discutir com os vereadores que vão assumir... temos uma unidade Sul, o PA da Barra, devemos inaugurar ano que vem o do Nações... deixaríamos esses dois como porta de entrada e a referência no Ruth Cardoso. O Ruth Cardoso tem que ter porta aberta somente para os serviços que recolhem os pacientes, Samu, o Corpo de Bombeiros...

Sim eles fariam a triagem, diriam se é caso de PA, de Ruth, de Marieta, de posto de saúde...

Irei sim cobrar esta forma e conheço muito bem como funciona. Se o futuro prefeito nos escutar e nos der oportunidade de defender isso será até benéfico para o futuro secretário de saúde que terá uma responsabilidade tremenda.

Anunciamos que o provável secretário de saúde será Jorge Teixeira que tem um espetacular currículo em administração, SUS... colocar alguém que com esse perfil já é meio caminho, o governo atual teve vários secretários, inclusive o prefeito se autonomeou...

Se confirmar o Dr. Jorge ele tem experiência, desejo que tenha condições de tocar e terá todo meu apoio independente de qualquer outra situação nas medidas para resolver o trauma e a doença em nosso município.

Fora saúde, o que mais preocupa o Sr.?

Principalmente a questão sanitária, temos hoje 90% da rede de esgoto concluída, mas não está 100% interligada. Cobrarei do prefeito essas ligações; cobrarei a despoluição do Canal do Marambaia; vamos cobrar intensamente que a Emasa intensifique dos que despejam esgoto; cobrarei o desassoreamento do Rio das Ostras, isso é importantíssimo para a região sul... a gente fala porque é profissional da área, conhece um pouco os problemas do nosso município... precisamos aumentar o número de vagas de educação integral, meio período para a prática de conhecimentos técnicos... inclusive sempre tenho falado que é preciso ter mais carinho com as organizações de serviços sociais como a Apae... isso vai ter meu apoio, as causas sociais.

Já que estamos falando em saúde e doença não podemos esquecer da nossa praia que está bastante doente, o que o Sr. acha que precisa ser feito, salvar antes que seja tarde, antes que as pessoas procurem outras praias para veranear.

Antes de falar em alargamento da faixa de areia tem que falar em despoluição da praia, o mar e a areia também está poluída. A Emasa identificar quem está despejando esgoto para que se estanque isto; interligar as redes de esgoto que já estão construídas, evitar que despeje na rede pluvial porque vai acabar no rio Camboriú. Também vou fazer indicação ao futuro prefeito para que converse muito com o município de Camboriú porque tem que ajudar a eles que também tem uma parcela de poluição do Rio Camboriú que acaba na nossa praia central.


Sexta, 9/12/2016 13:59.


Fale Conosco - Anuncie neste site - Normas de Uso
© Desenvolvido por Pagina 3

Endereco: Rua 2448, 360 - Balneario Camboriu - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br