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Novos Vereadores: conheça Lucas Gotardo
Divulgação
Lucas e o prefeito eleito, Fabrício Oliveira
Lucas e o prefeito eleito, Fabrício Oliveira

Nome: Lucas Wilson Gotardo
Idade: 26 anos
Natural de: Itajaí, mas criado em BC desde sempre
Estado civil: solteiro
Formação: cursando Administração Pública na Udesc. Direito trancado na Univali.
Lazer: Esportes
Comida predileta: Feijoada
Livro: A História de Balneário Camboriú, de Isaque de Borba Corrêa
Música: Charlie Brown Jr.
Perfil: “Semeie um ato, e você colhe um hábito. Semeie um hábito, e você colhe um caráter. Semeie um caráter, e você colhe um destino”, Charles Reade.
Planos: Pretendo fazer com que meu mandato seja de excelência. Quero fazer o que falei em campanha, fortalecer o esporte e ajudar a fazer desse um novo pólo econômico. Além disso quero fiscalizar, o mínimo que todo vereador deve fazer, e manter uma linha linear de trabalho. O futuro a gente pensa depois.

Por Marlise Schneider e Daniele Sisnandes

Lucas Gotardo é um dos novos nomes que vai ocupar a Câmara de Vereadores em Balneário Camboriú a partir de 2017. Guarda-vidas e acadêmico de Administração Pública na Udesc, ele contou com a força e a confiança da juventude e conseguiu angariar 1.236 votos. Desde 2012, quando concorreu pela primeira vez e não chegou a se eleger, ele planejou a campanha de agora. E se destacou justamente por fazer um trabalho diferente: não usou velhas táticas como os invasivos carros de som, preferiu usar de estratégia, gastar muita sola de sapato e foi o nono mais votado. Apesar de eleito, vai voltar a atuar como guarda-vidas no mês de dezembro como forma de agradecimento aos colegas que o apoiaram, além disso está percorrendo e ligando para aqueles que ajudaram a conquistar o primeiro passo de seu sonho. Confira na primeira da série de entrevistas com os novos vereadores da cidade.

Como você é o vereador mais jovem da próxima legislatura, acompanhei tuas redes sociais e você falou bastante sobre a transformação, renovação, se referindo ao jovem…

Não digo jovem de idade, mas a nova maneira de fazer política. Quando a gente fala dessa mudança, dessa nova etapa política de 2012 para cá, com novas pessoas, que não tinham interesse de participar e hoje estão colocando o nome à disposição ou participando e contribuindo de alguma maneira.

Mas eu quero me basear na idade, porque o jovem me parece bastante desinteressado (com a política), todo mundo de uma forma geral. Como você vê essa questão?

Acho que no momento ainda são poucas as pessoas se envolvendo, porque a política está apática, quando tu não compreende a política, para que ela serve e como vai ser tua participação nela, ela fica um pouco massante. O ideal seria mudar a didática, a dinâmica…

Tu pretende investir nisso? Porque tua campanha teve bastante participação de jovens, como você vai fazer isso como vereador?

Deixar ela um pouco mais clara. hoje as pessoas têm uma imagem do político ou da política em si como algo ruim e a gente tem que mostrar para elas que não é ruim, que o sistema em si está parado, mas são as pessoas que vão fazer ele se movimentar. Quando existe algo errado, tem que fazer é mudar o sistema. Sempre usava de exemplo com meus amigos o seguinte: quando teu quarto está desarrumado e você quer deixar ele limpo, tu reclama ou vai lá e limpa? Se tu não limpar vai ficar sujo igual, na Câmara ou na prefeitura é a mesma coisa, isso que eu usava como motivação para trazer as pessoas da minha faixa etária.

Uma das maneiras de tu envolver ou ver a juventude mais envolvida com as questões políticas seria talvez nas sessões do Legislativo. Como você vai trabalhar para levar esse povo pra lá?

A sociedade é feita de pessoas, o sistema é feito de pessoas então quando tiver uma sessão na Câmara que for de algum assunto relevante para um determinado grupo..por exemplo, eu faço Administração Pública, quando for um assunto relacionado, posso chamar esse pessoal para assistir, opinar ou até escrever algum artigo, contribuir de alguma forma. Vai ter votação no Plano Diretor nos próximos meses, quem deveria estar presente lá obrigatoriamente são os arquitetos e urbanistas, nossos acadêmicos da Univali.

Você já pensou como vai ser o perfil do teu mandato?

Vai ser construindo com o prefeito. Obviamente eu não vou dizer amém para tudo que ele falar, a gente já conversou sobre isso. O que eu quero fazer é pela cidade, até porque eu moro aqui, não tenho intenção de ir embora. Então o que tiver certo vai ter meu aval, e o que eu acreditar que não convém ao município eu vou dizer não. Vou buscar imprimir os meus valores no trabalho no Legislativo.

Esta é a sua segunda campanha?

Segunda campanha

E como foi na primeira mesmo?

611 votos.

O que te levou a se interessar por política?

Sempre gostei de política, desde pequeno. Lembro que em 1998 quando o Dado perdeu por 900 votos para deputado estadual, nessa eleição, faltava uma semana para terminar a campanha, estava o meu pai, o pessoal da campanha do Dado lá no camping da Barra Sul e eu perguntei para o Dado o que ele estava usando, ele estava com uma camiseta, um bóton. Perguntei o que era e ele disse que era ele. Eu disse, mas quem és tu? Ele disse que era candidato a deputado estadual, sou político e eu disse “ah que legal, quero ser político também quando eu crescer”. Ele me disse, para tu ser político, vai ter que começar a trabalhar na tua escola, vai ter que ser líder de turma, coisa e tal…

Ele deu as primeiras dicas...

Exato, eu tinha uns oito anos e aquilo ficou. Eu tenho uma imagem muito vívida daquela cena. E lembro que na semana seguinte, eu estudava no Aconchego, e pedi pra professora fazer uma eleição para o grêmio. Na época eu disputei com meu melhor amigo e ganhei dele por um voto.

Foi tua primeira eleição?

Foi. E desde então vim sendo líder de turma…

Seguiu a risca o conselho então.

Cheguei na faculdade de Direito, disputei eleição para o Centro Acadêmico, eu era secretário, ganhamos a eleição, hoje eu sou atual presidente do Centro Acadêmico de Administração Pública da Udesc, participei de várias entidades filantrópicas. Em 2008, numa campanha do Dado a prefeito, que ele concorreu contra o Piriquito, eu falei que queria trabalhar como voluntário, porque em 2012 queria ser candidato a vereador. E aí eu trabalhei na campanha dele. O PSDB tinha dois partidos de extensão na época, o DEM e o PR. O PR saiu e o Dado falou ‘o PSDB está um pouco inchado para tu conquistar o teu espaço, acho que seria mais interessante tu ir para um partido menor”. E entrei no Democratas. Motivo? Não sei dizer qual. Tinha uma pessoa lá que simpatizava um pouco e acabei indo.

Mas como você foi para o PSB?

Sai do Democratas em 2012, logo após as eleições.

Não te achou lá?

Não me identifiquei, achei conservador demais e não era o meu perfil. Respeito tudo, poxa tive excelentes experiências sou muito grato ao pessoal do partido, mas a gente tem que fazer política onde se identifica.

Daí você entrou no PSB?

Não. Fui trabalhar com o Dado. Trabalhei no gabinete dele dois anos e para mim foi uma das experiências mais incríveis que tive no meio político. Ele foi o cara mais sério que eu já conheci na vida pública e ele estava nessa fase de ir para o Tribunal de Contas ou vinha a reeleição para deputado estadual e eu disse que estava com ele se ele fosse candidato a deputado, iria apoiar ele com certeza, como uma forma de gratidão e respeito que eu tinha pela pessoa dele. Mas ele me falou, acho que o ideal seria tu ir com o Fabrício. Obviamente pediria para ir para o PSDB, mas eu disse que não tinha vontade de ir para o PSDB. Ele falou “então vai com o Fabrício, vocês têm um estilo parecido, têm uma história parecida, meio que começaram no nada e vocês têm algo que brilha, acho que formariam uma excelente dupla”.

Tu já conhecia o Fabrício?

Já conhecia de quando ele ia visitar o Dado ou quando a gente se encontrava na academia, nada muito íntimo. E eu gostava dele, gosto né, gosto bastante dele, realmente me identifico. E eu entre ir para o PSDB e o Fabrício, eu vou com ele, com todo o respeito ao PSDB, mas porque me identifico mesmo.

E tu acredita naquela coisa da ideologia partidária ou vai mais pela pessoa?

Não, vou mais pela pessoa. Infelizmente hoje ‘acabaram acabando’ com a ideologia partidária no Brasil. O mal de tudo isso se chama coligação. É meio triste quando a gente não segue uma ideologia, mas é a realidade que o Brasil vive. Se eu pudesse mudar isso, com certeza mudaria, porque as pessoas precisam ter um posicionamento e uma linha a se seguir e não ter o partido político como escada.

Na tua campanha um dos teus motes era o esporte, tu é um esportista?

Sou, sou atleta de natação, faço travessia, trabalho como guarda-vidas civil há seis anos, sempre fui bastante envolvido com atividade física, já fui atleta de bicicross na infância, joguei futebol, skate, pego onda. Quando eu falava de esporte na campanha era linkado ao turismo porque a ideia era trazer eventos na baixa temporada para Balneário Camboriú como atrativo turístico. Durante a campanha citei diversos espaços públicos que hoje já estão prontos para sediar eventos, como a pista de Laranjeiras, foi considerada em 2007 a melhor pista de downhill do mundo, sediou dois campeonatos mundiais transmitindo ao vivo para a ESPN. Temos o ginásio da Barra, o centro olímpico do Bairro das Nações, a orla, a Estrada da Rainha, e demais espaços que já estão prontos. O que a gente precisa fazer é criar incentivos para que o empresário venha, se instale, realize o evento, fique no calendário da cidade para que durante a baixa temporada a gente consiga fortalecer o nosso inverno.

Realmente temos espaço para isso, mas tem que…

Ter incentivo. Balneário diz que é a capital catarinense do turismo, Santa Catarina é referência nacional em turismo, o Brasil é uma referência mundial, então estamos no mapa do turismo mundial. Eu tive o prazer de trabalhar na AIESEC, uma organização que trabalha com intercâmbio social e recebemos intercambistas de várias partes do país e não teve um que não disse “a cidade de vocês é incrível, as ruas são numéricas, eu me acho fácil, é compacta, mas só falta uma coisa, um entretenimento maior”, e aquilo mexeu comigo. A gente recebe turistas de várias partes do mundo e não temos cardápio inglês e espanhol no restaurante, particularmente eu não conheço. Tem gente que não é de balada, o que tu vai oferecer para esse cara que não vai entrar na Shed, Green Valley, Warung? O que vamos oferecer no domingo de manhã para esse cara além da Avenida Atlântica? Defendi essa questão do turismo como atração turística para quem está aqui, para girar o comércio local e descentralizar o turismo do Centro, porque temos esses espaços em bairros como é a pista de bicicross do Bairro dos Municípios, que teve um campeonato neste final de semana, estive presente, foi legal pra caramba, mas era para estar lotado, com uma arquibancada…

Qual foi a parte ruim e a parte boa da tua campanha?

A parte boa é que muitas pessoas acreditaram na minha campanha, vendia uma ideia para elas e elas compraram essa ideia.

Qual ideia era essa?

De renovação, mudança política, uma forma de agir dentro da Câmara, de não ser apenas um esquenta cadeira. Estar lá para produzir algo de útil e de transcender a nossa função. Porque hoje as pessoas têm a visão de que o vereador legisla, fiscaliza, cumpre horário nos dias de sessão. Beleza, isso é obrigação do cara.

Mas em termos de fiscalização deixa muito a desejar…

Eu falo ainda que quero transcender essa função, quero pensar a cidade, articular, sentar com o terceiro setor, com a sociedade civil, para saber o que a cidade quer para daqui 20, 30 anos. O vereador tem que sentar com o empresário e não dificultar a vida do cara. Tem que perguntar se está gerando emprego, se está movimentando economia, não criar dificuldade. Hoje parece que os nossos líderes estão muito acomodados onde eles estão. E a gente tem que viajar e buscar novas alternativas, porque se ficarmos parados vamos perder mercado para outros municípios que estão se desenvolvendo e querendo se desenvolver.

Tá mas essa foi a parte boa, qual foi a parte ruim?

Que a gente se depara com coisas que acabam desmotivando a gente. De 2012 para cá, desde todos aqueles protestos contra corrupção que tivemos no país todo, parece que ainda tem pessoas que não acordaram. Me deparei com gente pedindo coisa, dinheiro…

O que pediram para ti?

Tudo que tu possa imaginar. Poste de luz, rede para futebol, bola, dinheiro, gasolina. Tem uma pessoa que a gente estava caminhando na rua e foi pedir voto e ela “ah o que você vai me dar?” Eu disse: quatro anos de muito trabalho e comprometimento, ela disse “mas isso eu não quero”. Falei que ofereceria bons projetos de leis e muita fiscalização, aí “ah, mas isso também não quero”. Eu perguntei o que ela queria, ela disse “me dá alguma coisa então”, e eu falei que poderia dar um abraço, virei as costas e saí. Parece que se você não tem nada para dar, ela quer até o chiclete que você tem na boca.

Querem se beneficiar com alguma coisa…

Exato. Isso deixa a gente um pouco chateado porque o cara fica lá se matando fazendo campanha e estamos planejando isso nos últimos quatro anos, discurso, posicionamento, como vai ser o material de campanha, qual vai ser o público alvo...pra chegar nesse momento e o cara ficar pedindo coisa para ti. Pensei “será que vou perder para alguém que fica dando essas coisas?”. Porque dá um desânimo... várias vezes.

Não foi o teu caso, mas muita gente ficou para trás porque não deu nada…

Teve um momento da campanha, nas últimas semanas, que me deu uma coisa muito ruim. Tinha saído do partido e encontrei um pessoal na rua aí o cara bateu no meu ombro e falou: “sinto muito, mas tu não vai ganhar. Tô vendo o teu trabalho, mas poxa tu não tem dinheiro, esse teu trabalho está sendo em vão, mas fica tranquilo que se o Fabrício ganhar tu vai ganhar um carguinho”. Eu falei que não queria um carguinho, queria ser vereador. Mas eu parei para pensar, sabe quando tu sai tipo um cachorro sem dono? Fui no posto sozinho, comprei uma cerveja e fiquei pensando...fiquei mal. Faltava uma semana. E se eu não ganhar, o que vou fazer? Vou continuar estudando, vou prestar um concurso...Mas quer saber? Fui pra casa, dormi e amanhã é outro dia. Não desisti.

Mas e se tivesse mesmo esse convite para você assumir um cargo, há possibilidade de você aceitar?

Não aceito. Não vou assumir nenhum cargo. Vou ser vereador.

Essa vai ser tua primeira experiência, quatro anos como vereador, e depois?

Tudo vai depender de como vai ser os quatro anos. Quero fazer um trabalho de excelência. Não vou ficar feliz se fizer um bom trabalho, quero fazer um trabalho de excelência, sair de lá com uma missão cumprida, até porque o meu eleitor era bem mais crítico, não precisei comprar ninguém, não precisei pagar ninguém. As pessoas votaram em mim porque acreditaram naquilo que eu falei, ou seja, se eu não fizer aquilo...

Vai ficar desacreditado.

Eu não tenho como resgatar esse voto de volta. Nunca mais vou ter uma segunda chance.

Mas você sabe que o Legislativo geralmente é um trampolim para o Executivo ou para a Câmara, enfim. Você já pensa pra lá?

Me identifico mais com o Executivo do que com o Legislativo. Acredito que eu executaria um trabalho melhor por ser um cara de ideias, com toda a humildade, eu me considero. Quem quer executar tem que trabalhar no Executivo, obviamente eu por ter nascido aqui, pretendo ficar aqui na minha velhice, ser prefeito da nossa cidade ia ser uma honra muito grande. Acho que tu vai no seu tempo. Nos próximos quatro anos não sei se eu venho como prefeito ou como vereador de novo, mas vai do meu trabalho e não escondo essa vontade que eu tenho em realmente ser prefeito da cidade.

Tem alguém na tua família que é político?

Não.

E como foi para eles quando tu decidiu ser político?

Meu pai sempre quis que eu fosse jogador de futebol. Desde pequeno eu gostei de política tanto que quando eu era pequeno meu apelido era Enéas, porque eu não tinha o cabelo aqui em cima. (risos) A minha mãe, por ser mãe eu acho, tem um pouco de receio, acha meio perigoso, já o meu pai é o meu maior cabo eleitoral.

Lucas e a família

Para finalizar, o que você gostaria de falar para seus eleitores e para a população de uma forma geral.

Quero dizer que me sinto muito honrado em ser vereador de Balneário Camboriú, em poder ter obtido 1.236 votos. as pessoas podem ter certeza que vou honrar esses votos de confiança com muito trabalho, muita dedicação e comprometimento. Eu não quero ser só mais um lá dentro. Realmente quero ser um diferente no mundo dos iguais. Desempenhar o melhor trabalho, de excelência e a gente está à disposição para tudo que estiver dentro da lei, para dialogar, conversar e vamos construir junto. Um mandato não tem sentido se as pessoas não participarem junto.


Quinta, 10/11/2016 8:05.


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