Artista relata sufoco em BC: "será que a arte tinha virado crime?". Leia e comente!

Luis Felipe Berejuk, um dos artistas que dá cor a muros e paredões de Balneário Camboriú, passou sufoco na semana passada, quando revolveu grafitar em um muro na Rua 1101, ao lado dos Correios da Avenida Brasil.

Teve de se explicar para a polícia e para a dona do terreno, mas por outro lado se espantou com o grande apoio que recebeu de gente desconhecida que passava pelo local, mas que assim como ele, preza e defende as manifestações artísticas.

Confira abaixo o relato de Luis Felipe e expresse sua opinião aqui também.

“Sexta feira, dia 13, eu estava caminhando quando avistei um muro de um estacionamentona Rua 1101, então notei que o muro estava velho e sujo, deixando a cidade mais feia. Já tinha reparado neste muro e fazia uns dois anos que estava com vontade de fazer um grafite nele, pensei então, é hoje. Fui para casa, peguei meu material, comprei algumas tintas, e fui.


Cheguei por volta das 11 horas no local, e comecei a pintar, aparentemente sem problemas, conforme os traços iam surgindo as pessoas passavam pelo local tiravam fotos, comentavam, paravam para dar uma olhada, perguntavam o que eu estava fazendo, enfim.

Por volta das 15 horas, quando o trabalho estava ‘nos finalmente’ na parte do acabamento, apareceu a irmã do proprietário do terreno, foi então que eu me desculpei, e fui explicar o que estava fazendo.


A proprietária não deu ouvidos começou a me xingar falando que ia ligar para seu advogado, para seu irmão, sobrinha que também era advogada e para a polícia. Qualquer forma de acordo ou conversa com a proprietária parecia ser impossível. Nesse momento parou uma senhora e começou a me parabenizar pelo trabalho, falar que estava muito legal e então apareceu a polícia.


O policial muito educado por sua vez veio atender a ocorrência feita pela proprietária, que indagou publicamente uma série de coisas absurdas sobre mim.


Com toda essa muvuca que já estava feita, curiosos que passavam pela rua começaram a tomar conta do local e se perguntavam por qual motivo a polícia estava ali. Por que querem prender o artista? O que ele fez de errado?


Neste momento apareceu um advogado falando para eu ficar calmo que ele me ajudaria no que fosse preciso.


Foi então que uma moradora começou a discursar em bom tom, dizendo que o artista só tem a beneficiar a cidade deixando ela mais bonita a tornando direta ou indiretamente melhor, e era assim que a sociedade retribuía? Muitos que estavam no local começaram a bater palma e fazer comentários, e a proprietária do local, não se conformava, não cedia qualquer acordo, simplesmente ostentava a arrogância.


Entre essas pessoas mais uma personagem dessa historia era uma moça formada em design, que também não conseguia acreditar que eu estaria prestes a ser preso por estar fazendo um trabalho de manifestação artística aonde não estava agredindo a sociedade de qualquer forma, utilizando um local inapropriado para pintar ou fazer algo que não seja legalmente correto. Ela, formada, com conhecimento em historia da arte, se dispôs a responder qualquer acusação feita contra mim, sabendo se que por lei qualquer manifestação artística não pode ser parada, interrompida, descriminada, reprimida, devido à liberdade de expressão artística.


O tempo estava correndo e eu como um cidadão comum, que também tenho meus compromissos, estava ficando atrasado para ir para o trabalho e nada se resolvia. A policia falou para a proprietária que ela teria que fazer um B.O. na delegacia, mas ela não queria fazer isso, queria simplesmente que eu fosse preso e que o desenho fosse retirado imediatamente.


Já era por volta de umas 16h30, muitas pessoas no local, toda a população tentando conversar com a proprietária, muitos indignados com tal atitude e o bate-boca não parava, nada se resolvia e eu precisando ir trabalhar. Até uma equipe de reportagem de televisão apareceu no local para ver o que estava acontecendo.


Eu que só queria fazer o meu trabalho deixar um pouco da minha arte pela cidade com todo o respeito e carinho que tenho por essa Balneário, tinha percebido que tinha me metido em uma grande enrascada, que tinha se tornada pública naquele momento, pois não afetava mais só a mim, afetava também a todos que estavam no local, assistindo aquela novela ao vivo.


Com a chegada da mídia, a proprietária que se dizia com a razão, não quis comentar nada. Se ela se sentiu tão agredida, nada mais justo do que explicar para todos o que estava acontecendo.


Eu já muito atrasado, fui aconselhado pelo advogado a ir para casa, já que nada tinha sido definido e tinha que ir trabalhar.


Guardei meus materiais e fui para casa com o graffiti inacabado, e pensando como uma coisa tão simples podia ter se tornado aquela bola de neve, trazendo a repercussão social que teve.


Será que a arte tinha virado um crime? Eu que me julgava um cidadão tinha me tornado um criminoso?”.


Terça, 17/7/2012 16:17.


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