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Mourão, Marina Silva e mídia internacional defendem memória de Chico Mendes
EBC.

Quarta, 13/2/2019 11:59.

ANA CAROLINA AMARAL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A repercussão da entrevista do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no programa Roda Viva na noite da última segunda-feira (11) provocou respostas do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) e até do jornal inglês The Guardian. Antes, é claro, bombou no Twitter e levou a hashtag "Chico Mendes" ao primeiro lugar dos assuntos mais falados na rede social nesta terça (12).

No programa da TV Cultura, o ministro afirmou não conhecer Chico Mendes e mostrou duvidar da sua reputação. "Pessoas do agro dizem que Chico Mendes usava seringueiros para se beneficiar, fazia uma manipulação", diz. Ricardo Lessa, apresentador do Roda Viva, intervém com a questão "se beneficiar em quê? Ele morreu pobre!". E é aí que Salles solta a frase que a internet não perdoaria. "O fato é que é irrelevante. Que diferença faz quem é Chico Mendes neste momento?".

A primeira diferença lembrada por publicações nas redes sociais é que o Brasil é o país que mais mata ativistas de meio ambiente no mundo. Segundo relatório da Global Witness, 28% dos assassinatos de ambientalistas aconteceram no Brasil em 2017 -foram 57 mortes, boa parte delas em áreas rurais, em conflitos que envolvem as atividades de mineração, exploração madeireira e agropecuária.

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, que "Chico Mendes faz parte da História do Brasil na defesa do meio ambiente".

Pelas redes sociais, Marina Silva -candidata à Presidência da República nas últimas três eleições e companheira de luta de Chico Mendes- respondeu que Salles não conhecia o líder seringueiro "por motivos óbvios: não é ambientalista e é desinformado".

O ministro respondeu pelo Twitter, trazendo o link de uma notícia do ano de 2004 -16 anos depois da morte de Chico Mendes- sobre a condenação de seus parentes por improbidade administrativa -mesmo crime pelo qual Salles foi condenado em dezembro.

A entrevista do ministro no Roda Viva também repercutiu no jornal inglês The Guardian e na agência Reuters.

QUEM FOI CHICO MENDES

Mundialmente famoso, Chico Mendes defendeu a exploração econômica da floresta sem derrubá-la. Costumava reunir a comunidade, incluindo crianças e idosos, para ir até as áreas que estavam sendo desmatadas na região de Xapuri (AC). Lá, conversavam com os operadores das motosserras até convencê-los a parar a atividade.

O líder seringueiro e sindicalista é considerado precursor, na prática, do conceito de desenvolvimento sustentável, que prevê equilíbrio entre justiça social, viabilidade econômica e conservação ambiental.

Ele inspirou a criação das Reservas Extrativistas (Resex), reservas de conservação ambiental pertencentes à União e que permitem a exploração de recursos naturais por uma comunidade residente da região.

O ambientalista também dá nome ao ICMBio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão do Ministério do Meio Ambiente responsável pela gestão das áreas protegidas no país.

Em 1987, recebeu o prêmio Global 500 da ONU. Mas sua atuação incomodava interesses do setor pecuarista e ele passou a ser ameaçado de morte no início de 1988. Em dezembro daquele ano, mesmo sob proteção policial, foi assassinado.

O pecuarista Darly Alves e o filho Darci foram condenados a 19 anos de prisão pelo crime -dos quais cumpriram seis. Hoje vivem em uma fazenda na mesma região. 

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Mourão, Marina Silva e mídia internacional defendem memória de Chico Mendes

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Quarta, 13/2/2019 11:59.

ANA CAROLINA AMARAL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A repercussão da entrevista do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no programa Roda Viva na noite da última segunda-feira (11) provocou respostas do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) e até do jornal inglês The Guardian. Antes, é claro, bombou no Twitter e levou a hashtag "Chico Mendes" ao primeiro lugar dos assuntos mais falados na rede social nesta terça (12).

No programa da TV Cultura, o ministro afirmou não conhecer Chico Mendes e mostrou duvidar da sua reputação. "Pessoas do agro dizem que Chico Mendes usava seringueiros para se beneficiar, fazia uma manipulação", diz. Ricardo Lessa, apresentador do Roda Viva, intervém com a questão "se beneficiar em quê? Ele morreu pobre!". E é aí que Salles solta a frase que a internet não perdoaria. "O fato é que é irrelevante. Que diferença faz quem é Chico Mendes neste momento?".

A primeira diferença lembrada por publicações nas redes sociais é que o Brasil é o país que mais mata ativistas de meio ambiente no mundo. Segundo relatório da Global Witness, 28% dos assassinatos de ambientalistas aconteceram no Brasil em 2017 -foram 57 mortes, boa parte delas em áreas rurais, em conflitos que envolvem as atividades de mineração, exploração madeireira e agropecuária.

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, que "Chico Mendes faz parte da História do Brasil na defesa do meio ambiente".

Pelas redes sociais, Marina Silva -candidata à Presidência da República nas últimas três eleições e companheira de luta de Chico Mendes- respondeu que Salles não conhecia o líder seringueiro "por motivos óbvios: não é ambientalista e é desinformado".

O ministro respondeu pelo Twitter, trazendo o link de uma notícia do ano de 2004 -16 anos depois da morte de Chico Mendes- sobre a condenação de seus parentes por improbidade administrativa -mesmo crime pelo qual Salles foi condenado em dezembro.

A entrevista do ministro no Roda Viva também repercutiu no jornal inglês The Guardian e na agência Reuters.

QUEM FOI CHICO MENDES

Mundialmente famoso, Chico Mendes defendeu a exploração econômica da floresta sem derrubá-la. Costumava reunir a comunidade, incluindo crianças e idosos, para ir até as áreas que estavam sendo desmatadas na região de Xapuri (AC). Lá, conversavam com os operadores das motosserras até convencê-los a parar a atividade.

O líder seringueiro e sindicalista é considerado precursor, na prática, do conceito de desenvolvimento sustentável, que prevê equilíbrio entre justiça social, viabilidade econômica e conservação ambiental.

Ele inspirou a criação das Reservas Extrativistas (Resex), reservas de conservação ambiental pertencentes à União e que permitem a exploração de recursos naturais por uma comunidade residente da região.

O ambientalista também dá nome ao ICMBio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão do Ministério do Meio Ambiente responsável pela gestão das áreas protegidas no país.

Em 1987, recebeu o prêmio Global 500 da ONU. Mas sua atuação incomodava interesses do setor pecuarista e ele passou a ser ameaçado de morte no início de 1988. Em dezembro daquele ano, mesmo sob proteção policial, foi assassinado.

O pecuarista Darly Alves e o filho Darci foram condenados a 19 anos de prisão pelo crime -dos quais cumpriram seis. Hoje vivem em uma fazenda na mesma região. 

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