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Criticado por vídeo obsceno Bolsonaro diz que não pretendia atacar Carnaval
PDT.

Quinta, 7/3/2019 5:34.

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Integrantes da oposição e aliados de Jair Bolsonaro (PSL) reagiram nesta quarta (6) às publicações obscenas do presidente da República em rede social com crítica ao Carnaval.

Militares da ala que integra o governo e outros do serviço ativo viram com reserva os posts, que tiveram repercussão até no exterior, e o Palácio do Planalto identificou desmobilização de parte da tropa de apoiadores na internet.

Na terça-feira (5), Bolsonaro compartilhou em sua conta oficial do Twitter um vídeo que causou polêmica no Carnaval paulistano –no qual um homem dança após introduzir o dedo no próprio ânus e outro rapaz surge urinando na cabeça do que dançava.

Em sua publicação, Bolsonaro diz que não se sente "confortável em mostrar", mas argumenta que tem "que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões [conclusões]".

Já na manhã desta quarta, o presidente publicou uma pergunta: "O que é golden shower?" Golden shower é o nome popular (em inglês) para o fetiche de urinar na frente de um parceiro ou sobre ele.

Diante das críticas, Bolsonaro divulgou nota no começo da noite afirmando que "não houve intenção de criticar o Carnaval de forma genérica, mas sim caracterizar uma distorção clara do espírito momesco, que simboliza a descontração, a ironia, a crítica saudável e a criatividade da nossa maior e mais democrática festa popular".

Opositores, como o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), disseram que vão acioná-lo judicialmente, com base na lei 13.718, segundo o petista, por "crime de divulgação, sem o consentimento da vítima, de cena de sexo, nudez ou pornografia".

Aliado de Bolsonaro, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) afirmou que a publicação é "incompatível com a postura de um presidente, ainda mais de direita", e a classificou como "bola fora".

"Há muitas boas razões para criticar o Carnaval, não faltam problemas que poderiam ser evidenciados e evitados. Isso não justifica mostrar uma obscenidade para milhões de famílias por meio de uma rede social sob o pretexto de criticar a festa. Isso não é postura de conservador", escreveu.

Líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP) disse acreditar que a intenção de Bolsonaro era chamar a atenção "para essas coisas sem limites".

"O objetivo dele foi dizer que parcela da população perdeu seus limites morais, de cidadania. Vai muito no estilo Jair Bolsonaro de comunicação."

Assessor especial internacional do Palácio do Planalto, Filipe Garcia Martins evocou o ex-presidente americano Theodore Roosevelt para argumentar que Bolsonaro recorreu ao "bully pulpit" (púlpito intimidador, em tradução livre) para postar o vídeo nas redes. O termo se refere a um palanque de destaque para se manifestar e ser ouvido –no caso a rede social em que o presidente tem 3,47 milhões de seguidores.

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, minimizou a repercussão do caso e disse que não queria comentar porque não pretendia ser "ventríloquo do presidente".

Na avaliação de três militares ouvidos pela reportagem, o tom alarmista da postagem e o baixo nível das imagens causou uma associação incorreta entre o episódio filmado e o Carnaval como um todo. Além disso, disseram eles, há uma vulgarização da imagem da instituição Presidência.

Eles avaliam haver no episódio dedo de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, vereador pelo PSC-RJ e responsável pela estratégia de comunicação do pai nas redes sociais.

Nas regras do Twitter, que incluem a política de privacidade e os termos de serviço que os usuários têm que respeitar, há diretrizes sobre conteúdo adulto –que deve ser marcado como mídia sensível, o que não foi feito inicialmente no vídeo de Bolsonaro.

Cerca de duas horas após a publicação do vídeo foi colocada a marcação de mídia sensível, que funciona como filtro prévio que requer que o usuário confirme que deseja ver.

A lei 1.079, que dispõe sobre os crimes de responsabilidade, inclui entre os crimes contra a probidade na administração "proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo".

Líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que, apesar da indecência das publicações, não acredita que isto seja suficiente para um impeachment.

"Claramente ele infringiu a lei 1.079. Mas, por mais indecente, de todos os pontos de vista da indecência, esta publicação ainda não é o bastante para afastar alguém que teve 56 milhões de votos", afirmou.

"Estamos diante de um quadro psiquiátrico grave e, politicamente, desastroso", afirmou Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

Monitoramento nas contas do governo e do próprio presidente mostrou que as críticas na internet não vêm só de oposicionistas, mas de pessoas que votaram em Bolsonaro por se identificarem com pautas conservadoras.

A preocupação de auxiliares palacianos é que haja crises espontâneas que prejudiquem sua popularidade antes mesmo de o governo chegar aos primeiros 100 dias.

Na visão deles, as polêmicas criadas podem atrapalhar pautas como a votação da reforma da Previdência.

O controle do conteúdo publicado nas redes sociais não está a cargo da Secretaria de Comunicação Social, como era em gestões anteriores.

Ao assumir, Bolsonaro passou o tema a assessores ligados à Presidência –como Tercio Arnaud, que era do gabinete de Carlos Bolsonaro. 

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Criticado por vídeo obsceno Bolsonaro diz que não pretendia atacar Carnaval

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Quinta, 7/3/2019 5:34.

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Integrantes da oposição e aliados de Jair Bolsonaro (PSL) reagiram nesta quarta (6) às publicações obscenas do presidente da República em rede social com crítica ao Carnaval.

Militares da ala que integra o governo e outros do serviço ativo viram com reserva os posts, que tiveram repercussão até no exterior, e o Palácio do Planalto identificou desmobilização de parte da tropa de apoiadores na internet.

Na terça-feira (5), Bolsonaro compartilhou em sua conta oficial do Twitter um vídeo que causou polêmica no Carnaval paulistano –no qual um homem dança após introduzir o dedo no próprio ânus e outro rapaz surge urinando na cabeça do que dançava.

Em sua publicação, Bolsonaro diz que não se sente "confortável em mostrar", mas argumenta que tem "que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões [conclusões]".

Já na manhã desta quarta, o presidente publicou uma pergunta: "O que é golden shower?" Golden shower é o nome popular (em inglês) para o fetiche de urinar na frente de um parceiro ou sobre ele.

Diante das críticas, Bolsonaro divulgou nota no começo da noite afirmando que "não houve intenção de criticar o Carnaval de forma genérica, mas sim caracterizar uma distorção clara do espírito momesco, que simboliza a descontração, a ironia, a crítica saudável e a criatividade da nossa maior e mais democrática festa popular".

Opositores, como o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), disseram que vão acioná-lo judicialmente, com base na lei 13.718, segundo o petista, por "crime de divulgação, sem o consentimento da vítima, de cena de sexo, nudez ou pornografia".

Aliado de Bolsonaro, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) afirmou que a publicação é "incompatível com a postura de um presidente, ainda mais de direita", e a classificou como "bola fora".

"Há muitas boas razões para criticar o Carnaval, não faltam problemas que poderiam ser evidenciados e evitados. Isso não justifica mostrar uma obscenidade para milhões de famílias por meio de uma rede social sob o pretexto de criticar a festa. Isso não é postura de conservador", escreveu.

Líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP) disse acreditar que a intenção de Bolsonaro era chamar a atenção "para essas coisas sem limites".

"O objetivo dele foi dizer que parcela da população perdeu seus limites morais, de cidadania. Vai muito no estilo Jair Bolsonaro de comunicação."

Assessor especial internacional do Palácio do Planalto, Filipe Garcia Martins evocou o ex-presidente americano Theodore Roosevelt para argumentar que Bolsonaro recorreu ao "bully pulpit" (púlpito intimidador, em tradução livre) para postar o vídeo nas redes. O termo se refere a um palanque de destaque para se manifestar e ser ouvido –no caso a rede social em que o presidente tem 3,47 milhões de seguidores.

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, minimizou a repercussão do caso e disse que não queria comentar porque não pretendia ser "ventríloquo do presidente".

Na avaliação de três militares ouvidos pela reportagem, o tom alarmista da postagem e o baixo nível das imagens causou uma associação incorreta entre o episódio filmado e o Carnaval como um todo. Além disso, disseram eles, há uma vulgarização da imagem da instituição Presidência.

Eles avaliam haver no episódio dedo de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, vereador pelo PSC-RJ e responsável pela estratégia de comunicação do pai nas redes sociais.

Nas regras do Twitter, que incluem a política de privacidade e os termos de serviço que os usuários têm que respeitar, há diretrizes sobre conteúdo adulto –que deve ser marcado como mídia sensível, o que não foi feito inicialmente no vídeo de Bolsonaro.

Cerca de duas horas após a publicação do vídeo foi colocada a marcação de mídia sensível, que funciona como filtro prévio que requer que o usuário confirme que deseja ver.

A lei 1.079, que dispõe sobre os crimes de responsabilidade, inclui entre os crimes contra a probidade na administração "proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo".

Líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que, apesar da indecência das publicações, não acredita que isto seja suficiente para um impeachment.

"Claramente ele infringiu a lei 1.079. Mas, por mais indecente, de todos os pontos de vista da indecência, esta publicação ainda não é o bastante para afastar alguém que teve 56 milhões de votos", afirmou.

"Estamos diante de um quadro psiquiátrico grave e, politicamente, desastroso", afirmou Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

Monitoramento nas contas do governo e do próprio presidente mostrou que as críticas na internet não vêm só de oposicionistas, mas de pessoas que votaram em Bolsonaro por se identificarem com pautas conservadoras.

A preocupação de auxiliares palacianos é que haja crises espontâneas que prejudiquem sua popularidade antes mesmo de o governo chegar aos primeiros 100 dias.

Na visão deles, as polêmicas criadas podem atrapalhar pautas como a votação da reforma da Previdência.

O controle do conteúdo publicado nas redes sociais não está a cargo da Secretaria de Comunicação Social, como era em gestões anteriores.

Ao assumir, Bolsonaro passou o tema a assessores ligados à Presidência –como Tercio Arnaud, que era do gabinete de Carlos Bolsonaro. 

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