Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
Estacionamento rotativo planejado pela prefeitura de Balneário Camboriú não parece o ideal

Concessão por 10 anos não tem justificativa aceitável

Quinta, 2/8/2018 8:45.
Reproduzo do Jornal das Missões
Zona Azul sinalizada por pintura do meio-fio em Santo Ângelo (RS).

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(WALDEMAR CEZAR NETO/JP3) - O Termo de Referência (TR) da licitação para o estacionamento rotativo enviado pela prefeitura de Balneário Camboriú ao Tribunal de Contas do Estado parece pouco interessante porque para uma receita estimada em R$ 114 milhões, a prefeitura ficaria com apenas R$ 12,7 milhões.

O edital para concessão por 10 anos seria públicado pela prefeitura nos próximos dias, mas ele é tão ruim que sofre oposição dentro da própria administração municipal, que continua promovendo reuniões internas em busca de alternativas.

Esse é o terceiro projeto de estacionamento rotativo desenvolvido pelo município em um ano e meio.

Licitar por prazo tão longo,10 anos, é também um risco desnecessário considerando que duas concessões anteriores foram rompidas após um período de funcionamento. A primeira, ainda em governo de Leonel Pavan, porque a população não aceitou a falta de tolerância e a segunda, em governo Edson Piriquito, porque a concessionária descumpriu suas obrigações.

O TR tem inconsistências de números e prevê investimentos cujo retorno não parece proporcional ao capital despendido.

Fontes da prefeitura informaram que o prazo de 10 anos para a concessão é necessário para justificar os investimentos.

Isso é questionável. Um dos alegados destaques do projeto é o monitoramento de cada vaga por sensor, para informar no aplicativo do celular se elas estão ocupadas ou não.

Essa tecnologia não oferece maiores vantagens porque com o dinamismo do trânsito não há garantia que a vaga esteja desocupada quando quem a procura chegar ao local.

O investimento nesse penduricalho tecnológico custaria mais de R$ 3 milhões e o TR não contempla algo que as cidades mais desenvolvida já estão fazendo que é informar também a disponibilidade nos estacionamentos rotativos privados.

Outro aspecto questionável é o investimento de quase R$ 3 milhões numa centena de pontos de vendas automáticos nas calçadas.

Se o sistema idealizado pela prefeitura prevê pontos de venda no comércio; venda por aplicativo de celular e um funcionário da concessionária vendendo créditos a cada 40 vagas, parece não haver a necessidade de ocupar o escasso espaço na área central com 101 parquímetros.

A reportagem do Página 3 enxugou a planilha do Termo de Referência retirando os penduricalhos tecnológicos, placas de sinalização vertical e horizontal em quantidade superdimensionada (em ambos os casos eram 3.122 e foram reduzidas para 100) e parquímetros, reduzindo o valor do investimento inicial em R$ 8 milhões.

Para sinalizar uma quadra de “Zona Azul” são necessárias apenas uma ou duas placas verticais e meio-fio pintado de azul como é feito em diversas cidades e não milhares de placas espetadas em calçadas como prevê o TR.

Com a simulação feita pela reportagem, em números arredondados, quem vencer a licitação terá que investir inicialmente R$ 1,3 milhão, para faturar no primeiro ano R$ 11,4 milhões e gastar R$ 6 milhões em custos fixos e variáveis.

Isso demonstra que o argumento da necessidade da concessão por 10 anos não se sustenta porque já no primeiro ano tudo que foi investido retorna e o concessionário ainda lucra cerca de R$ 4 milhões.

O TR também não contempla a alternativa das vagas mais procuradas custarem mais caro, como é feito em outras cidades, nem a sazonalidade da temporada que em Balneário Camboriú tem forte efeito.


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Estacionamento rotativo planejado pela prefeitura de Balneário Camboriú não parece o ideal

Reproduzo do Jornal das Missões
Zona Azul sinalizada por pintura do meio-fio em Santo Ângelo (RS).
Zona Azul sinalizada por pintura do meio-fio em Santo Ângelo (RS).

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Quinta, 2/8/2018 8:45.

(WALDEMAR CEZAR NETO/JP3) - O Termo de Referência (TR) da licitação para o estacionamento rotativo enviado pela prefeitura de Balneário Camboriú ao Tribunal de Contas do Estado parece pouco interessante porque para uma receita estimada em R$ 114 milhões, a prefeitura ficaria com apenas R$ 12,7 milhões.

O edital para concessão por 10 anos seria públicado pela prefeitura nos próximos dias, mas ele é tão ruim que sofre oposição dentro da própria administração municipal, que continua promovendo reuniões internas em busca de alternativas.

Esse é o terceiro projeto de estacionamento rotativo desenvolvido pelo município em um ano e meio.

Licitar por prazo tão longo,10 anos, é também um risco desnecessário considerando que duas concessões anteriores foram rompidas após um período de funcionamento. A primeira, ainda em governo de Leonel Pavan, porque a população não aceitou a falta de tolerância e a segunda, em governo Edson Piriquito, porque a concessionária descumpriu suas obrigações.

O TR tem inconsistências de números e prevê investimentos cujo retorno não parece proporcional ao capital despendido.

Fontes da prefeitura informaram que o prazo de 10 anos para a concessão é necessário para justificar os investimentos.

Isso é questionável. Um dos alegados destaques do projeto é o monitoramento de cada vaga por sensor, para informar no aplicativo do celular se elas estão ocupadas ou não.

Essa tecnologia não oferece maiores vantagens porque com o dinamismo do trânsito não há garantia que a vaga esteja desocupada quando quem a procura chegar ao local.

O investimento nesse penduricalho tecnológico custaria mais de R$ 3 milhões e o TR não contempla algo que as cidades mais desenvolvida já estão fazendo que é informar também a disponibilidade nos estacionamentos rotativos privados.

Outro aspecto questionável é o investimento de quase R$ 3 milhões numa centena de pontos de vendas automáticos nas calçadas.

Se o sistema idealizado pela prefeitura prevê pontos de venda no comércio; venda por aplicativo de celular e um funcionário da concessionária vendendo créditos a cada 40 vagas, parece não haver a necessidade de ocupar o escasso espaço na área central com 101 parquímetros.

A reportagem do Página 3 enxugou a planilha do Termo de Referência retirando os penduricalhos tecnológicos, placas de sinalização vertical e horizontal em quantidade superdimensionada (em ambos os casos eram 3.122 e foram reduzidas para 100) e parquímetros, reduzindo o valor do investimento inicial em R$ 8 milhões.

Para sinalizar uma quadra de “Zona Azul” são necessárias apenas uma ou duas placas verticais e meio-fio pintado de azul como é feito em diversas cidades e não milhares de placas espetadas em calçadas como prevê o TR.

Com a simulação feita pela reportagem, em números arredondados, quem vencer a licitação terá que investir inicialmente R$ 1,3 milhão, para faturar no primeiro ano R$ 11,4 milhões e gastar R$ 6 milhões em custos fixos e variáveis.

Isso demonstra que o argumento da necessidade da concessão por 10 anos não se sustenta porque já no primeiro ano tudo que foi investido retorna e o concessionário ainda lucra cerca de R$ 4 milhões.

O TR também não contempla a alternativa das vagas mais procuradas custarem mais caro, como é feito em outras cidades, nem a sazonalidade da temporada que em Balneário Camboriú tem forte efeito.


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