Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
VOTE - Você é a favor ou contra o alargamento da praia central?

Conheça detalhes sobre a obra e opiniões de pessoas que são contra e a favor

Quinta, 6/12/2018 15:12.
Power Produtora/PMBC

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Balneário Camboriú nunca esteve tão próxima de executar o alargamento da faixa de areia da praia central, mas metade da população nunca foi consultada.

Em 2001 a prefeitura realizou um plebiscito, a participação popular foi insignificante e o “sim” venceu.

O detalhe é que apopulação da cidade praticamente dobrou nos últimos 18 anos e esses cidadãos nunca tiveram oportunidade de dizer se querem ou não uma obra que altera de maneira profunda e permanente a história da cidade.

Em 2014, numa fase da busca pelas licenças ambientais, foi realizada audiência pública no Cine Itália, promovida pela então Fundação do Meio Ambiente para apresentação do Relatório de Impacto Ambiental, entretanto ela não foi consultiva.

Houve muitas manifestações e dúvidas foram respondidas, mas o encontro era meramente protocolar, a comunidade não teve direito a voto.

Por isso o Página 3 decidiu realizar essa enquete, porém passando aos leitores informações e opiniões de pessoas que de uma forma ou outra se envolveram com o projeto do alargamento.

Se você quiser, além de votar na enquete pode também enviar sua opinião para o e-mail jornal@pagina3.com.br que ela será publicada.


SAIBA MAIS SOBRE O ALARGAMENTO

COMO É FEITO

No caso de Balneário Camboriú, a areia de uma jazida localizada no mar a cerca de 15 Km de distância da praia será escavada, colocada no porão de uma draga, trazida até perto da praia e bombeada por tubos para o aterro. O volume é estimado em 2 milhões de metros cúbicos o equivalente a 333 mil viagens de caminhão com caçamba.

Alargamento na praia de Hilton Head Island's, na Carolina do Sul, Estados Unidos.

QUANTO CUSTA

Estimado em R$ 80 milhões só o aterro. Não há estimativa oficial para o custo da reurbanização.

EM QUE PÉ ESTÁ

A prefeitura obteve a Licença Ambiental Prévia (LAP), o ponto mais avançado que se chegou até hoje no projeto do alargamento. Para executar a obra é necessária a Licença Ambiental de Instalação que só será fornecida se cumpridas uma série de condições impostas na emissão da LAP. Essas condicionantes deram origem a uma série de licitações de projetos e estudos que estão em execução.

QUANTO DEMORA

É obra rápida, em três ou quatro meses toda a praia central seria alargada até totalizar cerca de 70 metros. Outros 200 metros aproximadamente, mantendo a declividade necessária, ficarão submersos.

Alargamento na praia de Hilton Head Island's.

O QUE É GRANULOMETRIA

É o tamanho do grão de areia. A areia usada no alargamento deve ter grão de tamanho semelhante ao já existente na praia porque se for mais grosso criará buracos bruscos (a chamada praia de tombo) e se for mais fino corre o risco do material ser removido por ressacas e o investimento perdido.

ARGUMENTO PARA FAZER

Foto de 2018 do arquivo da Prefeiura mostra que há pontos onde a faixa ainda está bem preservada. Foto Ivan Rupp

A prefeitura alega que a praia central ficou mais estreita. A afirmação é contestada, os mais antigos sustentam que a praia sempre teve mais ou menos essa mesma largura que é estreita para enfrentar ressacas. No passado, mais de uma vez a força do mar destruiu o muro de arrimo e o pavimento da Avenida Atlântica.

Na Barra Sul a praia sempre foi estreita. Alguns anos atrás o prefeito da época, Rubens Spernau, fez um aterro emergencial para proteger aquela área de Avenida Atlântica.

Um argumento técnico é que a quantidade de areia no sistema diminuiu e com isso o amortecimento da força das ondas, que inicia antes da zona de arrebentação, é menor, acentuando o impacto na praia.

PODE DAR ERRADO?

Pode. Inclusive alargamentos feitos em praias próximas deram errado e todo o investimento foi perdido.

O ALARGAMENTO É REVERSÍVEL?

Não.

NO FUTURO PODE EXIGIR MAIS AREIA?

Sim, normalmente exige manutenção periódica que não é barata porque um custo elevado desse tipo de obra é a mobilização da draga, na verdade um grande navio, que às vezes está trabalhando nas zonas costeiras de outros continentes.

Animação sobre alargamento em praia da Austrália

Opiniões

SOU A FAVOR

RUBENS SPERNAU, engenheiro especializado em cálculo de estruturas de concreto, ex-secretário do Planejamento e ex-secretário de obras nos governos Leonel Pavan, prefeito de Balneário Camboriú em dois mandatos e atual secretário de planejamento da cidade, além de ser a favor do alargamento é uma das principais cabeças pensantes envolvidas no empreendimento.

"Nossa cidade tem sua pujança e desenvolvimento embriorinariamente ligada a sua Praia Central. Dentre as nove praias que compõem nossa orla, a Praia Central, pela beleza e tranquilidade da sua baia, e cenário único de encontro do Rio Camboriú com o mar, foi e é a mola propulsora do desenvolvimento e qualificação da nossa cidade.

Na década de 50, quando ocorreu o início do desenvolvimento da então praia de Camboriú, a distância média das poucas construções existentes na orla até a água, tornando-se como referência a maré media, era de aproximadamente 100 metros. A vegetação de restinga era vasta, o que servia de retenção de areia, formando as dunas, que constituem-se na reserva para alimentação da praia. Com a ocupação crescente, a vegetação foi sendo destruída e fez-se, em 1969, a pavimentação da Avenida Atlântica em lajotas, literalmente sobre o que antes era dunas e praia.

As praias formam-se basicamente pela ação do vento e movimento da água, tendo como componente fundamental para a retenção da areia a vegetação típica de restinga. No entato, quando uma praia é tão intensamente utilizada pelo homem quanto é a nossa Praia Central, primeiramente perde-se a vegetação. Outros fatores importantes para a diminuição da praia são a limpeza, eventos climáticos adversos, como chuvas e ressacas, e a inserção de elementos artificiais como muros de contenção.

Nas últimas seis administrações, todos os governos trataram a recuperação da Paia Central como de fundamental importância para a cidade, a tal ponto de em 2001 ter ocorrido um plebiscito coordenado pelo TRE/SC, onde 71% dos eleitores manifestaram-se favoravelmente.

Em 2003, houve uma recuperação parcial, no trecho compreendido entre a Rua 3.900 e a Barra Sul, de forma emergencial, devido aos frequentes danos ocorridos na Avenida Atlântica, como a queda de passeios, árvores, postes de iluminação e da própria via. A areia utilizada então, não tinha as características ideais para o aterro.

Hoje, estamos mais próximos de realizarmos a recuperação que jamais estivemos. A licença ambiental prévia foi concedida, estão em execução quatro contratos que objetivam atender as condicionantes ambientais estabelecidas e dar total e completa segurança da obra atendendo rigorosamente aos critérios ambientais.

Os estudos e levantamentos realizados para execução do projeto físico foram focados para a reconstrução da praia aos moldes do que era na década de 50, com um grão de areia com as mesmas características e granulometria do grão nativo, que foi encontrado a uma distância de 15 quilômetros da orla, em quantidade mais que suficiente.

Por fim, posso afiançar que o projeto, bem elaborado, e os cuidados ambientais são as premissas que a regem todo o trabalho e que a obra é fundamental e necessária para a proteção natural da nossa orla e que se nada for feito, os danos que hoje já são visíveis na Barra Sul o serão futuramente em toda a praia. Além dos aspectos já citados, são secundários, porém não menos relevantes, a amplicação do espaço mais desejado da nossa cidade, gerando conforto e permitindo que mais pessoas dele usufruam, a criação de ambientes para a prática de esportes, a melhoria dos espaços para caminhadas e o desenvolvimento econômico para toda a cadeia produtiva.

O que o governo quer é uma areia revitalizada, com características similares as que tinha no passado, com espaço para as pessoas e reconstituição em espaços definidos e protegidos da flora. Isso chama-se desenvolvimento sustentável".

SOU CONTRA

O engenheiro FELIPPO FERREIRA BROGNOLIingressou na Emasa por concurso público 12 anos atrás na função de engenheiro sanitarista e assim como outros servidores daquela autarquia municipal constitui o que este jornal define como patrimônio intelectual da cidade, pessoas que ficarão diversos anos servindo o município com sua experiência sempre crescente. Ele é graduado em Engenharia Sanitária e Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina (2006); especialista em Gerenciamento de Águas e Efluentes pela Faculdade de Tecnologia SENAI Blumenau (2010) e em Elaboração e Gerenciamento de Projetos para Gestão Municipal de Recursos pelo Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Ceara (atual). Ocupa desde 2008 uma cadeira no Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú. É professor externo desde 2016 do curso de pós-graduação em Engenharia do Saneamento Básico com ênfase em Sistemas de Água e Esgoto da Universidade do Vale do Itajaí.

"O ciclo de sedimentos é um ciclo aberto, ou seja, vem do continente e se deposita na costa e as correntes oceânicas levam para o mar. A erosão da Barra Sul foi causada pelo molhe que bloqueou o transporte dos sedimentos para aquela parte da praia e passou a depositar mais para fora do mar.

No restante da praia, não há perda de sedimentos como afirma o pessoal do governo e podes ver nas fotos.

A declividade da praia é muito baixa, e com a variação da maré, temos uma praia por horas extensa e curta.

Para justificar o projeto, além de utilizarem o caso da Barra Sul (que foi por outro motivo), pegam fotos antigas com a maré baixa e dizem que querem alargar para voltar ao que era antes.

A granulometria da areia é apenas uma variável num projeto de alargamento, a variável mais importante é a energia que transporta os sedimentos e esta vem das correntes que por sua vez está relacionado a fatores astronômicos. Os mesmos fatores que regulam o clima e são extremamente complexos. Por isso mesmo hoje em dia, com toda tecnologia, não conseguimos ter precisão na previsão do tempo com uma semana de antecedência.

Querem alargar, ok. Mas sejam honestos com a população que não tem discernimento para avaliar os prós e contras do projeto. Juram que o alargamento manterá as condições hidráulicas da praia mais não vai. Será necessário ter manutenção constante de reposição de sedimentos.

As dragas farão parte da nossa paisagem.

Alargamento é para proteger a costa. No nosso caso não é. Se alargarem e avançarem com o calçadão, a tendência será perdermos a praia e o mar irá bater no calçadão como um cais.

Sei que o projeto criará um fato novo que aquecerá a economia, mas isso é a curto prazo.

Em poucos anos irão se deparar com um projeto que não atendeu a promessa e será irreversível.

Defendo fazer o alargamento na Barra Sul que já foi comprometida e pode melhorar muito a infraestrutura local.

Mas só até a Rua 3700. Dali para o norte a praia se encontra nas mesmas condições.

Para mim, a grande revitalização da avenida Atlântica passa por restringir o trânsito de automóveis em favor dos pedestres, ciclistas, transporte coletivo e tráfego local".

NEM CONTRA NEM A FAVOR

WALDEMAR CEZAR NETO, editor do Página 3, cobriu para o jornal a maioria dos fatos sobre o alargamento ao longo dos anos e produziu em 2001 o portal de internet da campanha em favor da aprovação no plebiscito.

"Vivi todos os debates produzidos sobre o alargamento da praia central de Balneário Camboriú nos últimos 28 anos -sim, a ideia é antiga- e ao longo desse tempo não formei certeza se é bom ou ruim.

Sei que qualquer cirurgia rejuvenescedora que se faça na praia central trará vantagens imediatas na forma de valorização imobiliária e atração de visitantes.

Isso já ocorreu de maneira marcante quando Leonel Pavan reurbanizou a Atlântica e de quebra fez um calçadão na Avenida Central enfrentando uma barragem de protestos dos comerciantes e adversários políticos.

Quem conhece Balneário divide a história de progresso da cidade e valorização imobiliária em antes e depois daquela obra.

Com o alargamento os mais otimistas falam em 50% de valorização imobiliária no Centro (acho um exagero), mas os pessimistas não baixam de 10% e na cidade toda.

Não existem estudos sobre isso. Os engordamentos de praias feitos em especial nos Estados Unidos são para recuperar ou proteger áreas sujeitas a tempestades, se eles não colocarem areia (e às vezes montanhas de pedras) defendendo o patrimônio imobiliário, ele será varrido pelos furacões.

No caso dos gringos a cada 7 a 10 anos são obrigados a colocar areia de novo, a ponto de existirem programas envolvendo diversas esferas de governo só para isso.

No Brasil não temos experiência substancial em alargamento de praias, nosso exemplo mais notável é Copacabana, mas não ficou muita memória do que ocorreu por lá quase 50 anos atrás.

Sabe-se que os cariocas precisavam de espaço para a mega-rede de esgotos (o interceptor e o emissário); fotos mostram as ressacas com o mar invadindo a avenida Atlântica e nas mais fortes avançando uma quadra chegando à Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Algo como aqui em Balneário o mar transbordar até a Avenida Brasil.

Morei em Copacabana sete anos, a praia não é segura para banho como é a central de Balneário Camboriú, mas a faixa de areia lá possibilita algo que não temos aqui, a praia como extensão natural das casas das pessoas.

Em Copacabana tudo é na praia porque a praia tem espaço de sobra para tudo.

Aqui a praia não tem espaço para nada.

Além disso, no momento a praia central está sendo ameaçada por um inimigo que pode destruí-la, o aparecimento de algas e outros organismos que os cientistas sequer imaginam de onde estejam vindo e quais os motivos da sua proliferação.

É coisa séria que ainda não recebeu por parte da nossa sociedade e governo do município a devida atenção.

O efeito nocivo disso pode ser mais devastador para nossa economia do que alguns poucos pontos de poluição.

Por exemplo, a Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos define que as florações de algas “são uma preocupação nacional porque afetam não apenas a saúde das pessoas e os ecossistemas marinhos, mas também a “saúde” das economias locais e regionais”.

Se fosse dado a mim o poder de optar, eu trataria primeiro da saúde da praia para depois, talvez, alargá-la".


Com fotos: Ivan Rupp/PMBC e Facebook.

Vote neste link.

FOTOS QUE SERVEM DE SUBSÍDIO

Sand Key na Flórida


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Página 3
Power Produtora/PMBC

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Conheça detalhes sobre a obra e opiniões de pessoas que são contra e a favor

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Quinta, 6/12/2018 15:12.

Balneário Camboriú nunca esteve tão próxima de executar o alargamento da faixa de areia da praia central, mas metade da população nunca foi consultada.

Em 2001 a prefeitura realizou um plebiscito, a participação popular foi insignificante e o “sim” venceu.

O detalhe é que apopulação da cidade praticamente dobrou nos últimos 18 anos e esses cidadãos nunca tiveram oportunidade de dizer se querem ou não uma obra que altera de maneira profunda e permanente a história da cidade.

Em 2014, numa fase da busca pelas licenças ambientais, foi realizada audiência pública no Cine Itália, promovida pela então Fundação do Meio Ambiente para apresentação do Relatório de Impacto Ambiental, entretanto ela não foi consultiva.

Houve muitas manifestações e dúvidas foram respondidas, mas o encontro era meramente protocolar, a comunidade não teve direito a voto.

Por isso o Página 3 decidiu realizar essa enquete, porém passando aos leitores informações e opiniões de pessoas que de uma forma ou outra se envolveram com o projeto do alargamento.

Se você quiser, além de votar na enquete pode também enviar sua opinião para o e-mail jornal@pagina3.com.br que ela será publicada.


SAIBA MAIS SOBRE O ALARGAMENTO

COMO É FEITO

No caso de Balneário Camboriú, a areia de uma jazida localizada no mar a cerca de 15 Km de distância da praia será escavada, colocada no porão de uma draga, trazida até perto da praia e bombeada por tubos para o aterro. O volume é estimado em 2 milhões de metros cúbicos o equivalente a 333 mil viagens de caminhão com caçamba.

Alargamento na praia de Hilton Head Island's, na Carolina do Sul, Estados Unidos.

QUANTO CUSTA

Estimado em R$ 80 milhões só o aterro. Não há estimativa oficial para o custo da reurbanização.

EM QUE PÉ ESTÁ

A prefeitura obteve a Licença Ambiental Prévia (LAP), o ponto mais avançado que se chegou até hoje no projeto do alargamento. Para executar a obra é necessária a Licença Ambiental de Instalação que só será fornecida se cumpridas uma série de condições impostas na emissão da LAP. Essas condicionantes deram origem a uma série de licitações de projetos e estudos que estão em execução.

QUANTO DEMORA

É obra rápida, em três ou quatro meses toda a praia central seria alargada até totalizar cerca de 70 metros. Outros 200 metros aproximadamente, mantendo a declividade necessária, ficarão submersos.

Alargamento na praia de Hilton Head Island's.

O QUE É GRANULOMETRIA

É o tamanho do grão de areia. A areia usada no alargamento deve ter grão de tamanho semelhante ao já existente na praia porque se for mais grosso criará buracos bruscos (a chamada praia de tombo) e se for mais fino corre o risco do material ser removido por ressacas e o investimento perdido.

ARGUMENTO PARA FAZER

Foto de 2018 do arquivo da Prefeiura mostra que há pontos onde a faixa ainda está bem preservada. Foto Ivan Rupp

A prefeitura alega que a praia central ficou mais estreita. A afirmação é contestada, os mais antigos sustentam que a praia sempre teve mais ou menos essa mesma largura que é estreita para enfrentar ressacas. No passado, mais de uma vez a força do mar destruiu o muro de arrimo e o pavimento da Avenida Atlântica.

Na Barra Sul a praia sempre foi estreita. Alguns anos atrás o prefeito da época, Rubens Spernau, fez um aterro emergencial para proteger aquela área de Avenida Atlântica.

Um argumento técnico é que a quantidade de areia no sistema diminuiu e com isso o amortecimento da força das ondas, que inicia antes da zona de arrebentação, é menor, acentuando o impacto na praia.

PODE DAR ERRADO?

Pode. Inclusive alargamentos feitos em praias próximas deram errado e todo o investimento foi perdido.

O ALARGAMENTO É REVERSÍVEL?

Não.

NO FUTURO PODE EXIGIR MAIS AREIA?

Sim, normalmente exige manutenção periódica que não é barata porque um custo elevado desse tipo de obra é a mobilização da draga, na verdade um grande navio, que às vezes está trabalhando nas zonas costeiras de outros continentes.

Animação sobre alargamento em praia da Austrália

Opiniões

SOU A FAVOR

RUBENS SPERNAU, engenheiro especializado em cálculo de estruturas de concreto, ex-secretário do Planejamento e ex-secretário de obras nos governos Leonel Pavan, prefeito de Balneário Camboriú em dois mandatos e atual secretário de planejamento da cidade, além de ser a favor do alargamento é uma das principais cabeças pensantes envolvidas no empreendimento.

"Nossa cidade tem sua pujança e desenvolvimento embriorinariamente ligada a sua Praia Central. Dentre as nove praias que compõem nossa orla, a Praia Central, pela beleza e tranquilidade da sua baia, e cenário único de encontro do Rio Camboriú com o mar, foi e é a mola propulsora do desenvolvimento e qualificação da nossa cidade.

Na década de 50, quando ocorreu o início do desenvolvimento da então praia de Camboriú, a distância média das poucas construções existentes na orla até a água, tornando-se como referência a maré media, era de aproximadamente 100 metros. A vegetação de restinga era vasta, o que servia de retenção de areia, formando as dunas, que constituem-se na reserva para alimentação da praia. Com a ocupação crescente, a vegetação foi sendo destruída e fez-se, em 1969, a pavimentação da Avenida Atlântica em lajotas, literalmente sobre o que antes era dunas e praia.

As praias formam-se basicamente pela ação do vento e movimento da água, tendo como componente fundamental para a retenção da areia a vegetação típica de restinga. No entato, quando uma praia é tão intensamente utilizada pelo homem quanto é a nossa Praia Central, primeiramente perde-se a vegetação. Outros fatores importantes para a diminuição da praia são a limpeza, eventos climáticos adversos, como chuvas e ressacas, e a inserção de elementos artificiais como muros de contenção.

Nas últimas seis administrações, todos os governos trataram a recuperação da Paia Central como de fundamental importância para a cidade, a tal ponto de em 2001 ter ocorrido um plebiscito coordenado pelo TRE/SC, onde 71% dos eleitores manifestaram-se favoravelmente.

Em 2003, houve uma recuperação parcial, no trecho compreendido entre a Rua 3.900 e a Barra Sul, de forma emergencial, devido aos frequentes danos ocorridos na Avenida Atlântica, como a queda de passeios, árvores, postes de iluminação e da própria via. A areia utilizada então, não tinha as características ideais para o aterro.

Hoje, estamos mais próximos de realizarmos a recuperação que jamais estivemos. A licença ambiental prévia foi concedida, estão em execução quatro contratos que objetivam atender as condicionantes ambientais estabelecidas e dar total e completa segurança da obra atendendo rigorosamente aos critérios ambientais.

Os estudos e levantamentos realizados para execução do projeto físico foram focados para a reconstrução da praia aos moldes do que era na década de 50, com um grão de areia com as mesmas características e granulometria do grão nativo, que foi encontrado a uma distância de 15 quilômetros da orla, em quantidade mais que suficiente.

Por fim, posso afiançar que o projeto, bem elaborado, e os cuidados ambientais são as premissas que a regem todo o trabalho e que a obra é fundamental e necessária para a proteção natural da nossa orla e que se nada for feito, os danos que hoje já são visíveis na Barra Sul o serão futuramente em toda a praia. Além dos aspectos já citados, são secundários, porém não menos relevantes, a amplicação do espaço mais desejado da nossa cidade, gerando conforto e permitindo que mais pessoas dele usufruam, a criação de ambientes para a prática de esportes, a melhoria dos espaços para caminhadas e o desenvolvimento econômico para toda a cadeia produtiva.

O que o governo quer é uma areia revitalizada, com características similares as que tinha no passado, com espaço para as pessoas e reconstituição em espaços definidos e protegidos da flora. Isso chama-se desenvolvimento sustentável".

SOU CONTRA

O engenheiro FELIPPO FERREIRA BROGNOLIingressou na Emasa por concurso público 12 anos atrás na função de engenheiro sanitarista e assim como outros servidores daquela autarquia municipal constitui o que este jornal define como patrimônio intelectual da cidade, pessoas que ficarão diversos anos servindo o município com sua experiência sempre crescente. Ele é graduado em Engenharia Sanitária e Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina (2006); especialista em Gerenciamento de Águas e Efluentes pela Faculdade de Tecnologia SENAI Blumenau (2010) e em Elaboração e Gerenciamento de Projetos para Gestão Municipal de Recursos pelo Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Ceara (atual). Ocupa desde 2008 uma cadeira no Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú. É professor externo desde 2016 do curso de pós-graduação em Engenharia do Saneamento Básico com ênfase em Sistemas de Água e Esgoto da Universidade do Vale do Itajaí.

"O ciclo de sedimentos é um ciclo aberto, ou seja, vem do continente e se deposita na costa e as correntes oceânicas levam para o mar. A erosão da Barra Sul foi causada pelo molhe que bloqueou o transporte dos sedimentos para aquela parte da praia e passou a depositar mais para fora do mar.

No restante da praia, não há perda de sedimentos como afirma o pessoal do governo e podes ver nas fotos.

A declividade da praia é muito baixa, e com a variação da maré, temos uma praia por horas extensa e curta.

Para justificar o projeto, além de utilizarem o caso da Barra Sul (que foi por outro motivo), pegam fotos antigas com a maré baixa e dizem que querem alargar para voltar ao que era antes.

A granulometria da areia é apenas uma variável num projeto de alargamento, a variável mais importante é a energia que transporta os sedimentos e esta vem das correntes que por sua vez está relacionado a fatores astronômicos. Os mesmos fatores que regulam o clima e são extremamente complexos. Por isso mesmo hoje em dia, com toda tecnologia, não conseguimos ter precisão na previsão do tempo com uma semana de antecedência.

Querem alargar, ok. Mas sejam honestos com a população que não tem discernimento para avaliar os prós e contras do projeto. Juram que o alargamento manterá as condições hidráulicas da praia mais não vai. Será necessário ter manutenção constante de reposição de sedimentos.

As dragas farão parte da nossa paisagem.

Alargamento é para proteger a costa. No nosso caso não é. Se alargarem e avançarem com o calçadão, a tendência será perdermos a praia e o mar irá bater no calçadão como um cais.

Sei que o projeto criará um fato novo que aquecerá a economia, mas isso é a curto prazo.

Em poucos anos irão se deparar com um projeto que não atendeu a promessa e será irreversível.

Defendo fazer o alargamento na Barra Sul que já foi comprometida e pode melhorar muito a infraestrutura local.

Mas só até a Rua 3700. Dali para o norte a praia se encontra nas mesmas condições.

Para mim, a grande revitalização da avenida Atlântica passa por restringir o trânsito de automóveis em favor dos pedestres, ciclistas, transporte coletivo e tráfego local".

NEM CONTRA NEM A FAVOR

WALDEMAR CEZAR NETO, editor do Página 3, cobriu para o jornal a maioria dos fatos sobre o alargamento ao longo dos anos e produziu em 2001 o portal de internet da campanha em favor da aprovação no plebiscito.

"Vivi todos os debates produzidos sobre o alargamento da praia central de Balneário Camboriú nos últimos 28 anos -sim, a ideia é antiga- e ao longo desse tempo não formei certeza se é bom ou ruim.

Sei que qualquer cirurgia rejuvenescedora que se faça na praia central trará vantagens imediatas na forma de valorização imobiliária e atração de visitantes.

Isso já ocorreu de maneira marcante quando Leonel Pavan reurbanizou a Atlântica e de quebra fez um calçadão na Avenida Central enfrentando uma barragem de protestos dos comerciantes e adversários políticos.

Quem conhece Balneário divide a história de progresso da cidade e valorização imobiliária em antes e depois daquela obra.

Com o alargamento os mais otimistas falam em 50% de valorização imobiliária no Centro (acho um exagero), mas os pessimistas não baixam de 10% e na cidade toda.

Não existem estudos sobre isso. Os engordamentos de praias feitos em especial nos Estados Unidos são para recuperar ou proteger áreas sujeitas a tempestades, se eles não colocarem areia (e às vezes montanhas de pedras) defendendo o patrimônio imobiliário, ele será varrido pelos furacões.

No caso dos gringos a cada 7 a 10 anos são obrigados a colocar areia de novo, a ponto de existirem programas envolvendo diversas esferas de governo só para isso.

No Brasil não temos experiência substancial em alargamento de praias, nosso exemplo mais notável é Copacabana, mas não ficou muita memória do que ocorreu por lá quase 50 anos atrás.

Sabe-se que os cariocas precisavam de espaço para a mega-rede de esgotos (o interceptor e o emissário); fotos mostram as ressacas com o mar invadindo a avenida Atlântica e nas mais fortes avançando uma quadra chegando à Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Algo como aqui em Balneário o mar transbordar até a Avenida Brasil.

Morei em Copacabana sete anos, a praia não é segura para banho como é a central de Balneário Camboriú, mas a faixa de areia lá possibilita algo que não temos aqui, a praia como extensão natural das casas das pessoas.

Em Copacabana tudo é na praia porque a praia tem espaço de sobra para tudo.

Aqui a praia não tem espaço para nada.

Além disso, no momento a praia central está sendo ameaçada por um inimigo que pode destruí-la, o aparecimento de algas e outros organismos que os cientistas sequer imaginam de onde estejam vindo e quais os motivos da sua proliferação.

É coisa séria que ainda não recebeu por parte da nossa sociedade e governo do município a devida atenção.

O efeito nocivo disso pode ser mais devastador para nossa economia do que alguns poucos pontos de poluição.

Por exemplo, a Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos define que as florações de algas “são uma preocupação nacional porque afetam não apenas a saúde das pessoas e os ecossistemas marinhos, mas também a “saúde” das economias locais e regionais”.

Se fosse dado a mim o poder de optar, eu trataria primeiro da saúde da praia para depois, talvez, alargá-la".


Com fotos: Ivan Rupp/PMBC e Facebook.

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