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Dia da Consciência Negra: em Balneário Camboriú a data não foi lembrada

Terça, 20/11/2018 13:10.
Divulgação
As bonecas abayomis, símbolo de resistência negra

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O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, dia que foi atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, importante negro que lutava contra a escravidão.

Oficialmente a data foi instituída em todo país através a lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, mas não é feriado nacional. No entanto em seis estados (Alagoas, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Roraima) é feriado estadual e em milhares de cidades é feriado municipal.

Em Santa Catarina não é feriado e em Balneário Camboriú a data não foi lembrada.

“Falta valorização por parte dos nossos governantes. Temos tantas festas alemãs, italianas em todo o Estado e para os negros, nada. Só o Carnaval que aqui no Estado também não é muito negro”, disse a fundadora da Associação Quilombola Morro do Boi, Sueli Leodoro.

O Morro do Boi é um reduto antigo, mas pouco reconhecido. A associação fundada há 12 anos em Balneário Camboriú não recebe apoio oficial.

“Somos uma comunidade esquecida, não temos apoio para nada, nem para o transporte coletivo, porque há somente três linhas que atendem a comunidade e esta semana tiraram mais um horário (o que passava às 8h45), deve ser o presente que recebemos pela data comemorativa”, ironizou Sueli. Ela disse que pela carência de horários, o transporte usual no Morro do Boi é o mototáxi que é caro para os moradores.

A associação tem um terreno, mas é impedida de construir sua sede, porque o Plano Diretor não permite.

“Nós não podemos construir neste terreno, mas dão aval para quem é rico e mora no Morro do Boi”, alfinetou a representante dos quilombolas.

Tristeza

Sueli Leodoro

Sem programação em Balneário Camboriú, a associação está participando das comemorações em Itajaí e em Florianópolis, onde Sueli fará oficinas das bonecas abayomis (bonecas que as mães africanas escravas que vinham nos navios faziam rasgando retalhos de suas saias. As bonecas feitas de tranças ou nós, sem costura alguma, serviam como amuleto de proteção e viraram símbolo de resistência, ficaram conhecidas como Abayomi, termo que significa ‘Encontro precioso’).

“Fica um sentimento de tristeza. Pensamos em fazer algum movimento, uma caminhada na avenida Atlântica, mas com certeza seríamos impedidos, como aconteceu com a Parada da Diversidade na semana passada, que só foi realizada domingo porque a justiça decidiu. Em anos anteriores, a então vereadora Marisa Zanoni Fernandes sempre lembrava desta data na Câmara Municipal. A secretaria da Educação sabe da existência da associação, mas este ano somente uma creche nos visitou. Recebemos bastante escolas de outros municípios. A prefeitura sabe que existimos. O prefeito sabe, esteve lá em campanha, mas nem voltou lá para agradecer os votos que recebeu”, finalizou.

Abayomis

A Associação Quilombola Morro do Boi realiza oficinas e promove a venda das bonecas abayomis, que podem ser encontradas na loja da artesanato da Colônia dos Pescadores Z-7, na Barra e na Feira da Cultura da praça do Pescador.

Encomendas podem ser feitas pelo 98482-4725.

 


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Página 3
Divulgação
As bonecas abayomis, símbolo de resistência negra
As bonecas abayomis, símbolo de resistência negra

Dia da Consciência Negra: em Balneário Camboriú a data não foi lembrada

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Terça, 20/11/2018 13:10.

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, dia que foi atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, importante negro que lutava contra a escravidão.

Oficialmente a data foi instituída em todo país através a lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, mas não é feriado nacional. No entanto em seis estados (Alagoas, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Roraima) é feriado estadual e em milhares de cidades é feriado municipal.

Em Santa Catarina não é feriado e em Balneário Camboriú a data não foi lembrada.

“Falta valorização por parte dos nossos governantes. Temos tantas festas alemãs, italianas em todo o Estado e para os negros, nada. Só o Carnaval que aqui no Estado também não é muito negro”, disse a fundadora da Associação Quilombola Morro do Boi, Sueli Leodoro.

O Morro do Boi é um reduto antigo, mas pouco reconhecido. A associação fundada há 12 anos em Balneário Camboriú não recebe apoio oficial.

“Somos uma comunidade esquecida, não temos apoio para nada, nem para o transporte coletivo, porque há somente três linhas que atendem a comunidade e esta semana tiraram mais um horário (o que passava às 8h45), deve ser o presente que recebemos pela data comemorativa”, ironizou Sueli. Ela disse que pela carência de horários, o transporte usual no Morro do Boi é o mototáxi que é caro para os moradores.

A associação tem um terreno, mas é impedida de construir sua sede, porque o Plano Diretor não permite.

“Nós não podemos construir neste terreno, mas dão aval para quem é rico e mora no Morro do Boi”, alfinetou a representante dos quilombolas.

Tristeza

Sueli Leodoro

Sem programação em Balneário Camboriú, a associação está participando das comemorações em Itajaí e em Florianópolis, onde Sueli fará oficinas das bonecas abayomis (bonecas que as mães africanas escravas que vinham nos navios faziam rasgando retalhos de suas saias. As bonecas feitas de tranças ou nós, sem costura alguma, serviam como amuleto de proteção e viraram símbolo de resistência, ficaram conhecidas como Abayomi, termo que significa ‘Encontro precioso’).

“Fica um sentimento de tristeza. Pensamos em fazer algum movimento, uma caminhada na avenida Atlântica, mas com certeza seríamos impedidos, como aconteceu com a Parada da Diversidade na semana passada, que só foi realizada domingo porque a justiça decidiu. Em anos anteriores, a então vereadora Marisa Zanoni Fernandes sempre lembrava desta data na Câmara Municipal. A secretaria da Educação sabe da existência da associação, mas este ano somente uma creche nos visitou. Recebemos bastante escolas de outros municípios. A prefeitura sabe que existimos. O prefeito sabe, esteve lá em campanha, mas nem voltou lá para agradecer os votos que recebeu”, finalizou.

Abayomis

A Associação Quilombola Morro do Boi realiza oficinas e promove a venda das bonecas abayomis, que podem ser encontradas na loja da artesanato da Colônia dos Pescadores Z-7, na Barra e na Feira da Cultura da praça do Pescador.

Encomendas podem ser feitas pelo 98482-4725.

 


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