Jornal Página 3

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Identificada alga que “explodiu” no Pontal Norte de Balneário Camboriú
Daniele Sisnandes/Página 3

Quinta, 22/11/2018 9:57.

De forma emergencial duas oceanógrafas conseguiram identificar as espécies que apareceram em grande quantidade na praia central de Balneário Camboriú nesta quarta-feira (21). 

A identificação foi feita pelas oceanógrafas Leticia Baratieri (funcionária da Acquaplan) e Thatiana de Oliveira Pinto (ela era taxonomista de fitoplâncton na UNIVALI e hoje trabalha no Instituto Federal de Santa Catarina).

O trabalho teve suporte da Acquaplan, empresa comprometida com a saúde ambiental da praia central, cujos sócios são possivelmente os que mais estudaram a enseada ao longo dos anos.

Um dos sócios, o oceanógrafo Fernando Diehl, que mora em Balneário Camboriú há 32 anos, explica que foram amostrados seis pontos distribuídos ao longo da praia de Balneário Camboriú.

O que foi possível analisar:

Foto: Divulgação

- O gênero da macroalga filamentosa encontrada, aquele que dominou o arribamento na praia, especialmente na Barra Norte é Cladophora sp.

- A macroalga Cladophora sp foi encontrada em praticamente todos os pontos, exceto no ponto 1 próximo à Rua 4100.

- Junto com essa floração de Cladophora foi encontrada uma floração de Chaetoceros socialis, uma microalga (diatomácea) bastante comum nessa época na região. Além dessa diatomácea foram encontradas algumas outras diatomáceas, mas a C. socialis foi a dominante em todos os pontos.

- A floração de diatomáceas é responsável pela coloração marrom na água. Esta coloração foi encontrada em vários pontos ao longo da Praia na manhã de ontem.

- A diversidade de organismos de um ponto para outro variou muito pouco. Isso no período da tarde, pois no período da manhã na Barra Norte foi dominante a alga filamentosa.

- A amostra coletada no rio do Marambaia mostrou que a floração da macroalga vem de fora, porque no rio a Cladophora sp está muito pouco presente.

- Briozoários não foram encontrados em nenhum dos pontos.

O que diz o especialista

“Pelo pouco que pudemos pesquisar, parece que essa macroalga se desenvolve sobre substratos sólidos e eventualmente, por ação de ondas, essas macroalgas podem se desprender do substrato formando essas florações”, comentou Diehl.

Ele destaca que é essencial um trabalho de investigação para entender os motivos dessa floração violenta e onde isso aconteceu de fato.

O mar agitado, como ocorreu no final de semana, pode ser uma explicação tendo em vista que ele revira a matéria orgânica do fundo da enseada e esse material acaba servindo de alimento para uma espécie oportunista.

Outra hipótese é que uma carga de nutrientes esteja vindo da área do Marambaia.

Eventos sucessivos

Diehl ressalta que a enseada vem sofrendo eventos ecológicos sucessivos em decorrência de intervenções desde 1999, como o delta de maré vazante retirado na dragagem para a fixação da Barra e potencializados com as obras de dragagem do Rio Camboriú entre 2002 e 2004, que lançou toneladas de lama com matéria orgânica na faixa de areia.

Desde então o oceanógrafo vem registrando esses eventos ao longo do tempo e lembra que já houve mortalidade de algumas espécies, desaparecimento de outras como Donax e moluscos de areia, seguido pelo aparecimento de briozoários, diatomáceas, bolachas do mar e agora essa alga filamentosa do Pontal Norte.

"A enseada está doente e dá sinais que inspiram cuidados", finalizou.


O diretor da Empresa Municipal de Água, Douglas Beber, disse na manhã desta quinta-feira que ainda não tinha um resultado sobre as amostras da alga.

No início da noite de ontem a prefeitura emitiu uma nota afirmando que o organismo era alga e não briozoário, e que não traz perigo aos banhistas.

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Identificada alga que “explodiu” no Pontal Norte de Balneário Camboriú

Daniele Sisnandes/Página 3

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Quinta, 22/11/2018 9:57.

De forma emergencial duas oceanógrafas conseguiram identificar as espécies que apareceram em grande quantidade na praia central de Balneário Camboriú nesta quarta-feira (21). 

A identificação foi feita pelas oceanógrafas Leticia Baratieri (funcionária da Acquaplan) e Thatiana de Oliveira Pinto (ela era taxonomista de fitoplâncton na UNIVALI e hoje trabalha no Instituto Federal de Santa Catarina).

O trabalho teve suporte da Acquaplan, empresa comprometida com a saúde ambiental da praia central, cujos sócios são possivelmente os que mais estudaram a enseada ao longo dos anos.

Um dos sócios, o oceanógrafo Fernando Diehl, que mora em Balneário Camboriú há 32 anos, explica que foram amostrados seis pontos distribuídos ao longo da praia de Balneário Camboriú.

O que foi possível analisar:

Foto: Divulgação

- O gênero da macroalga filamentosa encontrada, aquele que dominou o arribamento na praia, especialmente na Barra Norte é Cladophora sp.

- A macroalga Cladophora sp foi encontrada em praticamente todos os pontos, exceto no ponto 1 próximo à Rua 4100.

- Junto com essa floração de Cladophora foi encontrada uma floração de Chaetoceros socialis, uma microalga (diatomácea) bastante comum nessa época na região. Além dessa diatomácea foram encontradas algumas outras diatomáceas, mas a C. socialis foi a dominante em todos os pontos.

- A floração de diatomáceas é responsável pela coloração marrom na água. Esta coloração foi encontrada em vários pontos ao longo da Praia na manhã de ontem.

- A diversidade de organismos de um ponto para outro variou muito pouco. Isso no período da tarde, pois no período da manhã na Barra Norte foi dominante a alga filamentosa.

- A amostra coletada no rio do Marambaia mostrou que a floração da macroalga vem de fora, porque no rio a Cladophora sp está muito pouco presente.

- Briozoários não foram encontrados em nenhum dos pontos.

O que diz o especialista

“Pelo pouco que pudemos pesquisar, parece que essa macroalga se desenvolve sobre substratos sólidos e eventualmente, por ação de ondas, essas macroalgas podem se desprender do substrato formando essas florações”, comentou Diehl.

Ele destaca que é essencial um trabalho de investigação para entender os motivos dessa floração violenta e onde isso aconteceu de fato.

O mar agitado, como ocorreu no final de semana, pode ser uma explicação tendo em vista que ele revira a matéria orgânica do fundo da enseada e esse material acaba servindo de alimento para uma espécie oportunista.

Outra hipótese é que uma carga de nutrientes esteja vindo da área do Marambaia.

Eventos sucessivos

Diehl ressalta que a enseada vem sofrendo eventos ecológicos sucessivos em decorrência de intervenções desde 1999, como o delta de maré vazante retirado na dragagem para a fixação da Barra e potencializados com as obras de dragagem do Rio Camboriú entre 2002 e 2004, que lançou toneladas de lama com matéria orgânica na faixa de areia.

Desde então o oceanógrafo vem registrando esses eventos ao longo do tempo e lembra que já houve mortalidade de algumas espécies, desaparecimento de outras como Donax e moluscos de areia, seguido pelo aparecimento de briozoários, diatomáceas, bolachas do mar e agora essa alga filamentosa do Pontal Norte.

"A enseada está doente e dá sinais que inspiram cuidados", finalizou.


O diretor da Empresa Municipal de Água, Douglas Beber, disse na manhã desta quinta-feira que ainda não tinha um resultado sobre as amostras da alga.

No início da noite de ontem a prefeitura emitiu uma nota afirmando que o organismo era alga e não briozoário, e que não traz perigo aos banhistas.

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