Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
30 anos da Semam: futuro, consciência ambiental e história

Quarta, 17/7/2019 14:41.

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Por Renata Rutes

A secretaria do Meio Ambiente de Balneário Camboriú está completando 30 anos e para lembrar a data a Câmara de Vereadores realizou uma sessão especial, na terça-feira (16), com a participação de aproximadamente 120 pessoas, muitas delas fizeram parte da história do local. De lá pra cá muitas coisas mudaram, e a secretaria pioneira em Santa Catarina levanta a bandeira do quanto ainda é preciso pensar no meio ambiente e fortalecer as políticas públicas voltadas para a consciência ambiental.

Na ocasião também foi apresentado pelo prefeito Fabrício Oliveira (e assinado digitalmente pela primeira vez, o que é uma vitória para a diminuição de uso de papel, por exemplo) o projeto para comemorar em Balneário o Dia Nacional da Reciclagem, que é dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. O Página 3 esteve por lá e conversou com pessoas que fizeram parte desses 30 anos. Confira.

Fabrício Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú

“O pulmão econômico de Balneário Camboriú é a secretaria do Meio Ambiente. É a garantia do nosso desenvolvimento. Por isso estamos focando em implantar técnicas para melhorar ainda mais esse segmento, e um exemplo é o protocolo e assinatura digitais, que são mais práticos e limpos. Balneário Camboriú vem avançando muito nesse sentido, mas queremos continuar a despertar a consciência ambiental de nossa comunidade, principalmente através da separação de resíduos. Vamos lançar em breve um aplicativo que irá premiar a comunidade sobre isso, com um sistema de pontos. Balneário Camboriú é uma cidade pequena em extensão territorial, mas possui índices de cidades europeias muito desenvolvidas. Essa história é pavimentada por pessoas que acreditaram e acreditam no nosso meio ambiente. O saneamento é algo que está totalmente atrelado, e inclusive já somos uma das cidades mais saneadas do país. Sabemos também da ferida aberta que é o Rio Marambaia, que no momento não é um rio, mas voltará a ser. Seguimos combatendo as ocupações irregulares para manter as nossas encostas. Sabemos que Balneário é fonte de desejo de muitas pessoas, e é exatamente porque elas amam a nossa cidade. Digo com certeza que Balneário é a melhor cidade do Brasil, e para melhorarmos ainda mais precisamos focar na consciência ambiental, ela também precisa crescer junto com a nossa cidade. O nosso principal partido é Balneário Camboriú”.


Leonel Pavan era prefeito na fundação da secretaria.

Ele não pôde estar presente na sessão de homenagens, mas atendeu a reportagem na manhã desta quarta-feira (17).

“A Semam foi criada por nós, com o objetivo inicial de recuperar as nossas encostas e preservar o cinturão verde que temos hoje. Na época havia corte de pedras em toda a região de Balneário Camboriú, principalmente na Barra e nas praias agrestes (as pedreiras). O trabalho do Meio Ambiente na época era exatamente focado em preservar a nossa natureza, gerando qualidade de vida para a nossa cidade, que tem ruas estreitas, muito próximas e é um município mal planejado. A Semam veio para dar um novo pensamento, conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar o que tínhamos e replantar árvores. Também fiscalizavam os saneamentos clandestinos, distribuíam mudas, em torno de mil a cada quinzena. Tínhamos a horta de plantas medicinais, que começou às margens da BR-101, e era uma sala de quatro, cinco metros quadrados com um secador dentro, e depois se tornou muito importante. Conseguimos replantar um milhão de mudas de árvores, com a ajuda da comunidade, e revigoramos as áreas desmatadas pelos corta pedras. Foi um plantio recorde, uma das grandes obras do nosso governo. Construímos o Parque Raimundo Malta também, que é o pulmão de Balneário. Mas antes disso, a secretaria começou ao lado do meu gabinete, era em um espaço de 10m², onde só cabiam duas escrivaninhas. Agradeço muito ao Raimundo Malta, Ike Gevaerd, Belini e ao Escova (Maurício Simas), eles foram fundamentais nesse processo todo. A Semam projetou Balneário Camboriú no Brasil porque o nosso horto de ervas medicinais também foi o primeiro de SC, assim como a secretaria em si foi pioneira. O primeiro responsável pelo setor fitoterápico foi o Edgar Eipper, que já é falecido. Ele também foi fundamental nessa história. Também implantamos na Semam a Casa do Pensamento, com o foco em pensar a cidade. Lá eu fazia todas as reuniões importantes. Copiei isso de Curitiba, conheci esse projeto deles e decidi fazer também em Balneário. O setor de Paisagismo também foi um dos primeiros do Estado. Na época a nossa cidade era florida, era linda. Trabalhávamos ainda no controle de ratos, focávamos em limpar e cuidar dos carrinhos de milho velhos. 500 coqueiros foram implantados nas avenidas, não sei o que fizeram com eles. Hoje onde é a Praça da Figueira só tem figueira porque não as perdemos. Elas iam dar lugar a prédios, e cuidávamos delas, por cinco meses preparávamos o local, as transportávamos, tudo cuidadosamente. Hoje querem cortar algumas árvores da cidade e na época nós cuidávamos para transplantá-las. Muitas também foram replantadas no próprio Parque, que precisa ser cuidado como se fosse ouro, é o coração da cidade. A Semam é algo que me orgulha muito, é um local que deveria ser mais visitado pelos turistas, famílias, idosos... distribuíamos folderes para os turistas irem até lá, era um ponto turístico. Havia controle de entrada, o Ventania (guarda florestal que trabalhou no Parque) cuidava disso. Tínhamos até um ‘cobrário’ com cobras que viviam por lá. Quando pessoas importantes vinham para Balneário dávamos de presentes para elas um mimo de ervas medicinais. Na época o setor fazia shampoo, protetor de pele, até produtos para o câncer. Eu como prefeito despachava muitas vezes dentro do Parque, reuniões importantes aconteciam lá. Eu ia toda semana no local, aliviava o estresse do gabinete. Eu curtia e vivia o Parque. É um descaso o que fazem com a Semam hoje, só falam dos milhões da área. O local infelizmente está jogado, abandonado, comparo ao passado quando era muito bem cuidado. As escolas tinham aulas lá, os professores levavam os alunos. Mas lamento quando falam que a prefeitura deve R$ 100 milhões por ela, esse é o valor de um prédiozinho, é 5% do orçamento de um ano da cidade. Ficam olhando o valor e não olham a importância. Eu duvido que algum município de SC tenha alguma estrutura como essa nossa. Balneário era uma cidade mal planejada, depredada, sem nenhum capricho... e hoje temos aquela área nobre. Quando eu desapropriei o local fui ameaçado de morte, tinha um projeto de 800 casas populares para ser construído lá. E não me arrependo, porque sem dúvidas a Semam fez o meu nome como bom administrador público. Eu devo muito a ela, é um dos sucessos da minha vida pública e que ficará eternizada. Isso ninguém tira”.


Rubens Spernau foi prefeito de Balneário Camboriú e vice de Pavan, auxiliando a manter a Semam e a divulgá-la ao público.

“Balneário Camboriú foi precursora com a secretaria do Meio Ambiente. É fundamental a existência dela e ainda se faz necessário pensar em atitudes e ações voltadas para o meio ambiente. Ela se consolidou e hoje é uma realidade e referência para muitas outras cidades. Acredito que ainda falta consciência na comunidade, mas que já melhoramos muito. Na minha opinião há duas Balneário: a da praia central, a metrópole e a dos entornos e encostas bem preservadas. Precisa ser uma luta de todos, as pessoas deveriam visitar mais o Parque, viver esse outro lado da nossa cidade”.


Maria Heloísa Furtado Lenzi é bióloga e secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú

“Acredito que é muito importante recordarmos a história da secretaria. Quando falamos sobre a preservação e consciência com o meio ambiente sabemos que é um conceito difícil e um caminho longo. A Semam também passou e passa por isso, é um setor que exige muito trabalho e dedicação, e hoje colhemos os frutos de 30 anos atrás. A nossa cidade vai muito além da Praia Central, e é isso que precisamos defender e divulgar. O desafio daqui pra frente é muito grande: temos que aumentar a consciência da comunidade sobre a importância de defendermos e preservamos a nossa natureza e também sobre a Semam”.


Ike Gevaerd é ambientalista, participou ativamente na fundação da Semam e foi secretário do Meio Ambiente, cargo que deixou recentemente.

“É muita felicidade e orgulho ver a nossa secretaria completar 30 anos, já que foi a primeira do Estado e uma das primeiras do país. Porém, pouca coisa mudou nesse tempo. O meio ambiente ainda não é pauta diária do cidadão, mas temos que ter esperança que isso mude. Conseguimos nesse tempo despoluir as praias agrestes, conquistamos nos últimos dois anos Bandeira Azul para o Estaleiro e Estaleirinho, e ainda há o objetivo de conseguir para Taquaras e Taquarinhas, Pinho e Laranjeiras, até chegar na Praia Central. Não vejo que é uma utopia e sim a única forma de salvar a nossa cidade. Se continuar do jeito que está, Balneário Camboriú vai quebrar. A situação dos briozoários e algas é preocupante e está piorando a cada ano. Nesse momento está controlado, mas no verão a tendência é que voltem”.


Maurício Simas, conhecido como Escova, participou da fundação da Semam, onde trabalhou por 22 anos.

“O tempo passa, parece que foi ontem que isso tudo aconteceu. Em 1989 tínhamos que cuidar de animais nas ruas de Balneário, como cavalos, vacas... a prefeitura tinha até um estábulo. Eles atrapalhavam o trânsito, causavam acidentes. Era uma dor de cabeça (risos). Inicialmente fazíamos parte da Associação Ambiental do Rio Camboriú, e nos falaram que teríamos um resultado maior se entrássemos para a política. Fundamos em Balneário o Partido Verde e o primeiro vereador eleito por ele foi o Dado Cherem, com a proposta de nos auxiliar na criação da Secretaria. Nos unimos em prol da criação, e o que antes era um protesto, algo pelo qual lutávamos, se tornou o nosso trabalho. Sou nativo de Balneário Camboriú, então vi ser cumpridas regras da pesca predatória, que antes não acontecia. Os pescadores utilizavam qualquer rede, não tinha nenhum impedimento ou fiscalização. A primeira Secretaria do Meio Ambiente de Santa Catarina foi a de Balneário, e foi uma das primeiras do Brasil também. Um marco foi a briga nas pedreiras, que eram na Barra e nas praias agrestes. Defendíamos o fim da exploração e os trabalhadores obviamente não aceitavam, era o sustento deles. Eles usavam dinamite, muitos perderam a vista, tiveram que amputar dedo, etc. Gerou muitas brigas na época. Porém, quando conseguimos convencê-los, muitos dos trabalhadores nos ajudaram a recuperar a área. Não sei o número exato, mas por exemplo, de 150 trabalhadores, 70 se tornaram nossos colegas. Posteriormente houve um concurso e muitos se tornaram funcionários da prefeitura. Eles conheciam a flora da região, conheciam muitas plantas e também nos ajudaram nisso. Outro ponto marcante foi a baleia cachalote que encalhou na Barra Sul, em 1993. Ficamos duas noites sem dormir tentando manter ela viva. Tentamos soltá-la novamente no mar, mas ela voltava. Lutamos muito por ela. O pessoal do Hotel Fischer na época nos ajudou com água e lençóis. Jogamos até óleo nela. Infelizmente ela morreu, dizem que a cachalote pode pegar uma infecção e acaba, de certa forma, se suicidando. Acho que foi o caso daquela, ela não queria viver. Os restos mortais dela deveriam ter ficado aqui, mas na época não tínhamos onde mantê-los (acabou indo para Florianópolis, e está hoje na Ilha de Anhatomirim, na fortaleza de Santa Cruz)”.


Jaci Malta é viúva de Raimundo Malta, o primeiro secretário do Meio Ambiente de Balneário Camboriú, que hoje nomeia o Parque, a sede do Semam.

“Ver a Semam completar 30 anos é algo que me traz muita alegria, satisfação e esperança. Mostra que ela permaneceu e continua cumprindo o seu papel, porém vejo que infelizmente não há a consciência ambiental que eu queria que a comunidade de Balneário Camboriú tivesse. Falta priorizar o nosso meio ambiente. O orçamento da secretaria é baixíssimo e é assim desde o começo, fazendo com que fique difícil trabalhar e realizar programas. Via isso acontecendo com o Raimundo (a dificuldade por conta da falta de verba) e sei que ainda é a realidade da secretaria. Há esse entrave, que impede os avanços e crescimentos dela. Precisamos investir mais na Semam, voltando a focar na educação ambiental também, porque é desde o começo que essa geração precisa aprender a importância do meio ambiente e a valorizá-lo, pois sabemos que desse jeito que está ele não vai durar pra sempre”.


Eduardo Cartamil foi funcionário da Semam por 13 anos, tendo iniciado em 1995 como voluntário.

“É uma grande satisfação fazer parte dessa história e ver a secretaria completando 30 anos. Foi muita luta e acredito que a conscientização cresceu de lá pra cá. Nos chamavam de loucos, porque ninguém fiscalizava as atividades voltadas ao meio ambiente, as pessoas viviam de acordo com o que aprenderam. Ensinar a ter consciência ambiental é um processo difícil, e olhando para o começo sem dúvidas é possível ver que evoluímos bastante. Fomos a primeira cidade da região a implantar o setor de paisagismo, lembro que saíamos de madrugada para molhar os canteiros, usando uma tobata e três tanques de óleo reutilizados que nos doaram e enchíamos de água. Tínhamos que bater de porta em porta pedindo ajuda, doação de materiais, porque realmente o nosso orçamento era baixo. Éramos os últimos (risos). O fechamento das pedreiras foi algo que me marcou muito. Recebíamos ameaças, era algo complicado e foi uma vitória ver que conseguimos revitalizar as áreas, hoje pouco se vê do desmatamento realizado. O projeto do setor fitoterápico também foi um destaque e serviu como um incentivo para as pessoas nos ajudarem a manter as nossas espécies nativas”.


Omar Tomalih, presidente da Câmara de Vereadores, e proponente da homenagem à Semam.

“São 30 anos de um trabalho de excelência, com funcionários que fazem a diferença e construíram essa história de sucesso. É uma honra ver que foi a primeira de Santa Catarina e continua até hoje sendo referência. Sei que o trabalho é intenso, e a prova de que vêm dando resultados é que fomos coroados com a Bandeira Azul. Balneário Camboriú só é um dos melhores lugares para se viver e visitar porque cuidamos do nosso meio ambiente, e isso é um mérito da secretaria e de todos que passaram e trabalham nela”.


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Página 3

30 anos da Semam: futuro, consciência ambiental e história

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Quarta, 17/7/2019 14:41.

Por Renata Rutes

A secretaria do Meio Ambiente de Balneário Camboriú está completando 30 anos e para lembrar a data a Câmara de Vereadores realizou uma sessão especial, na terça-feira (16), com a participação de aproximadamente 120 pessoas, muitas delas fizeram parte da história do local. De lá pra cá muitas coisas mudaram, e a secretaria pioneira em Santa Catarina levanta a bandeira do quanto ainda é preciso pensar no meio ambiente e fortalecer as políticas públicas voltadas para a consciência ambiental.

Na ocasião também foi apresentado pelo prefeito Fabrício Oliveira (e assinado digitalmente pela primeira vez, o que é uma vitória para a diminuição de uso de papel, por exemplo) o projeto para comemorar em Balneário o Dia Nacional da Reciclagem, que é dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. O Página 3 esteve por lá e conversou com pessoas que fizeram parte desses 30 anos. Confira.

Fabrício Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú

“O pulmão econômico de Balneário Camboriú é a secretaria do Meio Ambiente. É a garantia do nosso desenvolvimento. Por isso estamos focando em implantar técnicas para melhorar ainda mais esse segmento, e um exemplo é o protocolo e assinatura digitais, que são mais práticos e limpos. Balneário Camboriú vem avançando muito nesse sentido, mas queremos continuar a despertar a consciência ambiental de nossa comunidade, principalmente através da separação de resíduos. Vamos lançar em breve um aplicativo que irá premiar a comunidade sobre isso, com um sistema de pontos. Balneário Camboriú é uma cidade pequena em extensão territorial, mas possui índices de cidades europeias muito desenvolvidas. Essa história é pavimentada por pessoas que acreditaram e acreditam no nosso meio ambiente. O saneamento é algo que está totalmente atrelado, e inclusive já somos uma das cidades mais saneadas do país. Sabemos também da ferida aberta que é o Rio Marambaia, que no momento não é um rio, mas voltará a ser. Seguimos combatendo as ocupações irregulares para manter as nossas encostas. Sabemos que Balneário é fonte de desejo de muitas pessoas, e é exatamente porque elas amam a nossa cidade. Digo com certeza que Balneário é a melhor cidade do Brasil, e para melhorarmos ainda mais precisamos focar na consciência ambiental, ela também precisa crescer junto com a nossa cidade. O nosso principal partido é Balneário Camboriú”.


Leonel Pavan era prefeito na fundação da secretaria.

Ele não pôde estar presente na sessão de homenagens, mas atendeu a reportagem na manhã desta quarta-feira (17).

“A Semam foi criada por nós, com o objetivo inicial de recuperar as nossas encostas e preservar o cinturão verde que temos hoje. Na época havia corte de pedras em toda a região de Balneário Camboriú, principalmente na Barra e nas praias agrestes (as pedreiras). O trabalho do Meio Ambiente na época era exatamente focado em preservar a nossa natureza, gerando qualidade de vida para a nossa cidade, que tem ruas estreitas, muito próximas e é um município mal planejado. A Semam veio para dar um novo pensamento, conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar o que tínhamos e replantar árvores. Também fiscalizavam os saneamentos clandestinos, distribuíam mudas, em torno de mil a cada quinzena. Tínhamos a horta de plantas medicinais, que começou às margens da BR-101, e era uma sala de quatro, cinco metros quadrados com um secador dentro, e depois se tornou muito importante. Conseguimos replantar um milhão de mudas de árvores, com a ajuda da comunidade, e revigoramos as áreas desmatadas pelos corta pedras. Foi um plantio recorde, uma das grandes obras do nosso governo. Construímos o Parque Raimundo Malta também, que é o pulmão de Balneário. Mas antes disso, a secretaria começou ao lado do meu gabinete, era em um espaço de 10m², onde só cabiam duas escrivaninhas. Agradeço muito ao Raimundo Malta, Ike Gevaerd, Belini e ao Escova (Maurício Simas), eles foram fundamentais nesse processo todo. A Semam projetou Balneário Camboriú no Brasil porque o nosso horto de ervas medicinais também foi o primeiro de SC, assim como a secretaria em si foi pioneira. O primeiro responsável pelo setor fitoterápico foi o Edgar Eipper, que já é falecido. Ele também foi fundamental nessa história. Também implantamos na Semam a Casa do Pensamento, com o foco em pensar a cidade. Lá eu fazia todas as reuniões importantes. Copiei isso de Curitiba, conheci esse projeto deles e decidi fazer também em Balneário. O setor de Paisagismo também foi um dos primeiros do Estado. Na época a nossa cidade era florida, era linda. Trabalhávamos ainda no controle de ratos, focávamos em limpar e cuidar dos carrinhos de milho velhos. 500 coqueiros foram implantados nas avenidas, não sei o que fizeram com eles. Hoje onde é a Praça da Figueira só tem figueira porque não as perdemos. Elas iam dar lugar a prédios, e cuidávamos delas, por cinco meses preparávamos o local, as transportávamos, tudo cuidadosamente. Hoje querem cortar algumas árvores da cidade e na época nós cuidávamos para transplantá-las. Muitas também foram replantadas no próprio Parque, que precisa ser cuidado como se fosse ouro, é o coração da cidade. A Semam é algo que me orgulha muito, é um local que deveria ser mais visitado pelos turistas, famílias, idosos... distribuíamos folderes para os turistas irem até lá, era um ponto turístico. Havia controle de entrada, o Ventania (guarda florestal que trabalhou no Parque) cuidava disso. Tínhamos até um ‘cobrário’ com cobras que viviam por lá. Quando pessoas importantes vinham para Balneário dávamos de presentes para elas um mimo de ervas medicinais. Na época o setor fazia shampoo, protetor de pele, até produtos para o câncer. Eu como prefeito despachava muitas vezes dentro do Parque, reuniões importantes aconteciam lá. Eu ia toda semana no local, aliviava o estresse do gabinete. Eu curtia e vivia o Parque. É um descaso o que fazem com a Semam hoje, só falam dos milhões da área. O local infelizmente está jogado, abandonado, comparo ao passado quando era muito bem cuidado. As escolas tinham aulas lá, os professores levavam os alunos. Mas lamento quando falam que a prefeitura deve R$ 100 milhões por ela, esse é o valor de um prédiozinho, é 5% do orçamento de um ano da cidade. Ficam olhando o valor e não olham a importância. Eu duvido que algum município de SC tenha alguma estrutura como essa nossa. Balneário era uma cidade mal planejada, depredada, sem nenhum capricho... e hoje temos aquela área nobre. Quando eu desapropriei o local fui ameaçado de morte, tinha um projeto de 800 casas populares para ser construído lá. E não me arrependo, porque sem dúvidas a Semam fez o meu nome como bom administrador público. Eu devo muito a ela, é um dos sucessos da minha vida pública e que ficará eternizada. Isso ninguém tira”.


Rubens Spernau foi prefeito de Balneário Camboriú e vice de Pavan, auxiliando a manter a Semam e a divulgá-la ao público.

“Balneário Camboriú foi precursora com a secretaria do Meio Ambiente. É fundamental a existência dela e ainda se faz necessário pensar em atitudes e ações voltadas para o meio ambiente. Ela se consolidou e hoje é uma realidade e referência para muitas outras cidades. Acredito que ainda falta consciência na comunidade, mas que já melhoramos muito. Na minha opinião há duas Balneário: a da praia central, a metrópole e a dos entornos e encostas bem preservadas. Precisa ser uma luta de todos, as pessoas deveriam visitar mais o Parque, viver esse outro lado da nossa cidade”.


Maria Heloísa Furtado Lenzi é bióloga e secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú

“Acredito que é muito importante recordarmos a história da secretaria. Quando falamos sobre a preservação e consciência com o meio ambiente sabemos que é um conceito difícil e um caminho longo. A Semam também passou e passa por isso, é um setor que exige muito trabalho e dedicação, e hoje colhemos os frutos de 30 anos atrás. A nossa cidade vai muito além da Praia Central, e é isso que precisamos defender e divulgar. O desafio daqui pra frente é muito grande: temos que aumentar a consciência da comunidade sobre a importância de defendermos e preservamos a nossa natureza e também sobre a Semam”.


Ike Gevaerd é ambientalista, participou ativamente na fundação da Semam e foi secretário do Meio Ambiente, cargo que deixou recentemente.

“É muita felicidade e orgulho ver a nossa secretaria completar 30 anos, já que foi a primeira do Estado e uma das primeiras do país. Porém, pouca coisa mudou nesse tempo. O meio ambiente ainda não é pauta diária do cidadão, mas temos que ter esperança que isso mude. Conseguimos nesse tempo despoluir as praias agrestes, conquistamos nos últimos dois anos Bandeira Azul para o Estaleiro e Estaleirinho, e ainda há o objetivo de conseguir para Taquaras e Taquarinhas, Pinho e Laranjeiras, até chegar na Praia Central. Não vejo que é uma utopia e sim a única forma de salvar a nossa cidade. Se continuar do jeito que está, Balneário Camboriú vai quebrar. A situação dos briozoários e algas é preocupante e está piorando a cada ano. Nesse momento está controlado, mas no verão a tendência é que voltem”.


Maurício Simas, conhecido como Escova, participou da fundação da Semam, onde trabalhou por 22 anos.

“O tempo passa, parece que foi ontem que isso tudo aconteceu. Em 1989 tínhamos que cuidar de animais nas ruas de Balneário, como cavalos, vacas... a prefeitura tinha até um estábulo. Eles atrapalhavam o trânsito, causavam acidentes. Era uma dor de cabeça (risos). Inicialmente fazíamos parte da Associação Ambiental do Rio Camboriú, e nos falaram que teríamos um resultado maior se entrássemos para a política. Fundamos em Balneário o Partido Verde e o primeiro vereador eleito por ele foi o Dado Cherem, com a proposta de nos auxiliar na criação da Secretaria. Nos unimos em prol da criação, e o que antes era um protesto, algo pelo qual lutávamos, se tornou o nosso trabalho. Sou nativo de Balneário Camboriú, então vi ser cumpridas regras da pesca predatória, que antes não acontecia. Os pescadores utilizavam qualquer rede, não tinha nenhum impedimento ou fiscalização. A primeira Secretaria do Meio Ambiente de Santa Catarina foi a de Balneário, e foi uma das primeiras do Brasil também. Um marco foi a briga nas pedreiras, que eram na Barra e nas praias agrestes. Defendíamos o fim da exploração e os trabalhadores obviamente não aceitavam, era o sustento deles. Eles usavam dinamite, muitos perderam a vista, tiveram que amputar dedo, etc. Gerou muitas brigas na época. Porém, quando conseguimos convencê-los, muitos dos trabalhadores nos ajudaram a recuperar a área. Não sei o número exato, mas por exemplo, de 150 trabalhadores, 70 se tornaram nossos colegas. Posteriormente houve um concurso e muitos se tornaram funcionários da prefeitura. Eles conheciam a flora da região, conheciam muitas plantas e também nos ajudaram nisso. Outro ponto marcante foi a baleia cachalote que encalhou na Barra Sul, em 1993. Ficamos duas noites sem dormir tentando manter ela viva. Tentamos soltá-la novamente no mar, mas ela voltava. Lutamos muito por ela. O pessoal do Hotel Fischer na época nos ajudou com água e lençóis. Jogamos até óleo nela. Infelizmente ela morreu, dizem que a cachalote pode pegar uma infecção e acaba, de certa forma, se suicidando. Acho que foi o caso daquela, ela não queria viver. Os restos mortais dela deveriam ter ficado aqui, mas na época não tínhamos onde mantê-los (acabou indo para Florianópolis, e está hoje na Ilha de Anhatomirim, na fortaleza de Santa Cruz)”.


Jaci Malta é viúva de Raimundo Malta, o primeiro secretário do Meio Ambiente de Balneário Camboriú, que hoje nomeia o Parque, a sede do Semam.

“Ver a Semam completar 30 anos é algo que me traz muita alegria, satisfação e esperança. Mostra que ela permaneceu e continua cumprindo o seu papel, porém vejo que infelizmente não há a consciência ambiental que eu queria que a comunidade de Balneário Camboriú tivesse. Falta priorizar o nosso meio ambiente. O orçamento da secretaria é baixíssimo e é assim desde o começo, fazendo com que fique difícil trabalhar e realizar programas. Via isso acontecendo com o Raimundo (a dificuldade por conta da falta de verba) e sei que ainda é a realidade da secretaria. Há esse entrave, que impede os avanços e crescimentos dela. Precisamos investir mais na Semam, voltando a focar na educação ambiental também, porque é desde o começo que essa geração precisa aprender a importância do meio ambiente e a valorizá-lo, pois sabemos que desse jeito que está ele não vai durar pra sempre”.


Eduardo Cartamil foi funcionário da Semam por 13 anos, tendo iniciado em 1995 como voluntário.

“É uma grande satisfação fazer parte dessa história e ver a secretaria completando 30 anos. Foi muita luta e acredito que a conscientização cresceu de lá pra cá. Nos chamavam de loucos, porque ninguém fiscalizava as atividades voltadas ao meio ambiente, as pessoas viviam de acordo com o que aprenderam. Ensinar a ter consciência ambiental é um processo difícil, e olhando para o começo sem dúvidas é possível ver que evoluímos bastante. Fomos a primeira cidade da região a implantar o setor de paisagismo, lembro que saíamos de madrugada para molhar os canteiros, usando uma tobata e três tanques de óleo reutilizados que nos doaram e enchíamos de água. Tínhamos que bater de porta em porta pedindo ajuda, doação de materiais, porque realmente o nosso orçamento era baixo. Éramos os últimos (risos). O fechamento das pedreiras foi algo que me marcou muito. Recebíamos ameaças, era algo complicado e foi uma vitória ver que conseguimos revitalizar as áreas, hoje pouco se vê do desmatamento realizado. O projeto do setor fitoterápico também foi um destaque e serviu como um incentivo para as pessoas nos ajudarem a manter as nossas espécies nativas”.


Omar Tomalih, presidente da Câmara de Vereadores, e proponente da homenagem à Semam.

“São 30 anos de um trabalho de excelência, com funcionários que fazem a diferença e construíram essa história de sucesso. É uma honra ver que foi a primeira de Santa Catarina e continua até hoje sendo referência. Sei que o trabalho é intenso, e a prova de que vêm dando resultados é que fomos coroados com a Bandeira Azul. Balneário Camboriú só é um dos melhores lugares para se viver e visitar porque cuidamos do nosso meio ambiente, e isso é um mérito da secretaria e de todos que passaram e trabalham nela”.


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