Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
Evento anual de Balneário Camboriú, Festa dos Amigos gera debate sobre necessidade de mudanças

A festa movimentou milhares de pessoas

Quarta, 24/7/2019 12:29.
Fotos Divulgação

Publicidade

A Festa dos Amigos, que aconteceu no sábado (20), marcando os 55 anos de Balneário Camboriú, já é tradicional na cidade, acontecendo sempre nesta época do ano.

Em anos anteriores era realizada duas vezes ao ano. Sempre na beira mar. Este ano a festa movimentou milhares de pessoas, mas também gerou críticas nas redes sociais e sugestões de levá-la para um outro local. O Página 3 também recebeu reclamações sobre o trânsito (que fica trancado o dia inteiro), sobre a confusão de sons em alto volume (cada barraca leva o seu som e todos colocam em alto volume) e principalmente sobre a ‘bebedeira’ generalizada, como disse uma moradora da avenida. Outros ainda criticaram o lixo que os festeiros deixaram no local.


Moradores e comerciantes

A reportagem conversou com comerciantes e hoteleiros da região central, mas eles preferiram não se identificar. A opinião geral é de que a festa movimenta a localidade, mas não gera renda já que todos trazem suas comidas e bebidas, além de trancar o trânsito por um dia inteiro, causar brigas por conta do efeito do álcool e impedir a circulação das pessoas. Segundo a Guarda Municipal, 30 mil pessoas participaram do evento.

Uma moradora da rua 2.550, que também não quis se identificar, disse que saiu de casa após às 17h (hora que o evento encerra) e se assustou com o que viu.

“Parecia o Carnaval ou o Réveillon, mas na parte negativa. Caminhei pela Brasil para ir até a padaria e vi moças trançando as pernas, muitos não conseguindo segurar as latinhas. Vi pessoas vomitando nas ruas. Foi algo feio, não é possível que achem que é uma festa bacana, até porque é fechada para grupos. Não acho que é algo que deveria acontecer na Atlântica, são churrascos de amigos que deveriam acontecer em casa”, destaca.


Opinião e ocorrências policiais

Denício Rosa, que é policial militar, atendeu uma mulher que foi atingida por uma garrafa de vidro durante a Festa dos Amigos. Mais tarde, em suas redes sociais ele opinou como morador de Balneário Camboriú sobre o caso, dizendo que uma boa opção seria o evento acontecer em outro lugar. Ele conversou com o Página 3 e exemplificou até que as barracas não interagem.

“Vi pessoas dizendo que se pedissem um pedaço de carne ao pessoal das barracas, eles não davam. Se um pedia bebida para o outro, ignoravam e ficavam bravos. Festa assim se faz em casa, não no meio da rua, é minha opinião pessoal. Não sou contra a festa, e sim onde acontece. Não sei se reuniu 30 mil pessoas como disseram, não conseguimos fazer a contagem, mas é um evento que prejudica o comércio, pois já levam as comidas. O trânsito também ferrou com tudo. Se não traz lucro e benefício para a cidade, leva para o local adequado, deixa a via liberada”, opina.

Sobre o caso da mulher ferida, Denício diz que ela pediu socorro para os policiais (ele estava com o grupo), e que ela estava com um saco de gelo na cabeça, sangrando bastante.

“Foi um corte bem profundo no supercílio, uns 3, 4 centímetros e ela não estava embriagada. Ela havia acabado de chegar na festa e nem viu quem atirou a garrafa. A embriaguez era geral, falo como morador de Balneário que essa festa acontece no local errado, mas respeito quem quer fazer e gosta, não posso interferir nessa situação, mas sempre critiquei onde acontece. Eles se inspiram no Stammtisch, festa alemã, mas lá as barracas não tem divisão. Balneário faz uma imitação fajuta, isso ali é uma extensão do Carnaval”, afirma.

Ele conta que também ‘perdeu as contas’ de quantos adolescentes bêbados viu durante o evento, e inclusive uma menina, que seria menor de idade, teria quase entrado em coma alcoólico.

“A nossa lei protege o adolescente, não prevê punição para menor que é flagrado bebendo, apenas para o adulto que entrega, vende ou favorece a bebida”, acrescenta.


Regras mais severas

O vereador Leonardo Piruka participou da Festa dos Amigos, a qual citou em suas redes sociais, enaltecendo que ‘começa a semana elogiando a Festa dos Amigos, que aconteceu neste sábado e novamente foi incrível!’. Na publicação, Piruka salientou que a comunidade, através das barracas, ‘torna esse evento a maior festa do Centro’.

À reportagem ele disse que acredita que situações isoladas não podem denegrir por completo um evento ‘tão tradicional e bonito’.

“O que devemos fazer é impor regras mais severas a alguns participantes e aumentar a segurança da festa. O Poder Público precisa se fazer mais presente durante o evento de diversas formas, tive muitas reclamações sobre ausência de banheiros, por exemplo. Mudar o lugar não resolverá estes problemas, mas precisamos sim rever procedimentos”, acrescenta.

O vereador Aldemar Bola Pereira opinou nas redes que ‘bebedeira e irresponsabilidades não se justificam’.


Avaliar prós&contras

Ana Maria dos Santos, presidente do Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau, entidade que representa o trade turístico, também opinou sobre o evento e reconhece que a edição desse ano teve problemas.

"Houve realmente muitas queixas, e obviamente tem a ver com o crescimento da mesma. O objetivo do evento é interessante e muitos adoram, outros reclamam pelos excessos, pelo trânsito, barulho, lixo etc. Como a cidade é de todos, nada melhor que colocar em discussão democraticamente e avaliar os prós e contras e a partir daí buscar estratégias para que o evento possa continuar sem prejuízos a ninguém", pontua.


Mais fiscalização

A comerciante Madalena Gonçalves teve uma infeliz surpresa enquanto estava na Festa dos Amigos. Ela curtiu o sábado na barraca do grupo Senadinho, com amigos e familiares, e já no fim do evento, na altura da rua 1.500, foi atingida por uma garrafa de vidro no supercílio.

“Eu só senti o impacto, não vi de onde veio, foi muito rápido. Tinham dois rapazes brigando parece, um deles atirou uma garrafa e um pedaço do vidro voou em mim. Quem me socorreu foi a minha família e corremos para a PM, que estava perto de onde estávamos. Fui atendida pelo Denício Rosa, que foi muito educado e prestativo”, relembra.

Na opinião de Madalena, o evento ‘é lindo’ e deve continuar a acontecer na Avenida Atlântica, nos moldes de hoje. Porém, ela vê que algumas pessoas tumultuam, como aconteceu nessa ocasião.

“Algumas pessoas bebem demais e se passam, mas o evento foi muito legal, o dia estava lindo, foi bem organizado, o problema é um ou outro bêbado. Por sorte não atingiu meu olho e nem uma criança, por exemplo. Fui para o hospital, tomei seis pontos, foi feio o corte, mas estou me recuperando. Porém, o evento foi muito bonito, precisamos de mais ações assim, trabalho no comércio e vejo que muitas pessoas pedem por coisas do tipo”, completa.

Ela sugere que haja uma maior fiscalização, como a do Réveillon, onde o público não pode levar garrafas ou vasilhas de vidro.


E você o que achou da Festa dos Amigos? Acha que o evento precisa ser revisto? Opine com responsabilidade!


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade













Página 3
Fotos Divulgação

Evento anual de Balneário Camboriú, Festa dos Amigos gera debate sobre necessidade de mudanças

A festa movimentou milhares de pessoas

Publicidade

Quarta, 24/7/2019 12:29.

A Festa dos Amigos, que aconteceu no sábado (20), marcando os 55 anos de Balneário Camboriú, já é tradicional na cidade, acontecendo sempre nesta época do ano.

Em anos anteriores era realizada duas vezes ao ano. Sempre na beira mar. Este ano a festa movimentou milhares de pessoas, mas também gerou críticas nas redes sociais e sugestões de levá-la para um outro local. O Página 3 também recebeu reclamações sobre o trânsito (que fica trancado o dia inteiro), sobre a confusão de sons em alto volume (cada barraca leva o seu som e todos colocam em alto volume) e principalmente sobre a ‘bebedeira’ generalizada, como disse uma moradora da avenida. Outros ainda criticaram o lixo que os festeiros deixaram no local.


Moradores e comerciantes

A reportagem conversou com comerciantes e hoteleiros da região central, mas eles preferiram não se identificar. A opinião geral é de que a festa movimenta a localidade, mas não gera renda já que todos trazem suas comidas e bebidas, além de trancar o trânsito por um dia inteiro, causar brigas por conta do efeito do álcool e impedir a circulação das pessoas. Segundo a Guarda Municipal, 30 mil pessoas participaram do evento.

Uma moradora da rua 2.550, que também não quis se identificar, disse que saiu de casa após às 17h (hora que o evento encerra) e se assustou com o que viu.

“Parecia o Carnaval ou o Réveillon, mas na parte negativa. Caminhei pela Brasil para ir até a padaria e vi moças trançando as pernas, muitos não conseguindo segurar as latinhas. Vi pessoas vomitando nas ruas. Foi algo feio, não é possível que achem que é uma festa bacana, até porque é fechada para grupos. Não acho que é algo que deveria acontecer na Atlântica, são churrascos de amigos que deveriam acontecer em casa”, destaca.


Opinião e ocorrências policiais

Denício Rosa, que é policial militar, atendeu uma mulher que foi atingida por uma garrafa de vidro durante a Festa dos Amigos. Mais tarde, em suas redes sociais ele opinou como morador de Balneário Camboriú sobre o caso, dizendo que uma boa opção seria o evento acontecer em outro lugar. Ele conversou com o Página 3 e exemplificou até que as barracas não interagem.

“Vi pessoas dizendo que se pedissem um pedaço de carne ao pessoal das barracas, eles não davam. Se um pedia bebida para o outro, ignoravam e ficavam bravos. Festa assim se faz em casa, não no meio da rua, é minha opinião pessoal. Não sou contra a festa, e sim onde acontece. Não sei se reuniu 30 mil pessoas como disseram, não conseguimos fazer a contagem, mas é um evento que prejudica o comércio, pois já levam as comidas. O trânsito também ferrou com tudo. Se não traz lucro e benefício para a cidade, leva para o local adequado, deixa a via liberada”, opina.

Sobre o caso da mulher ferida, Denício diz que ela pediu socorro para os policiais (ele estava com o grupo), e que ela estava com um saco de gelo na cabeça, sangrando bastante.

“Foi um corte bem profundo no supercílio, uns 3, 4 centímetros e ela não estava embriagada. Ela havia acabado de chegar na festa e nem viu quem atirou a garrafa. A embriaguez era geral, falo como morador de Balneário que essa festa acontece no local errado, mas respeito quem quer fazer e gosta, não posso interferir nessa situação, mas sempre critiquei onde acontece. Eles se inspiram no Stammtisch, festa alemã, mas lá as barracas não tem divisão. Balneário faz uma imitação fajuta, isso ali é uma extensão do Carnaval”, afirma.

Ele conta que também ‘perdeu as contas’ de quantos adolescentes bêbados viu durante o evento, e inclusive uma menina, que seria menor de idade, teria quase entrado em coma alcoólico.

“A nossa lei protege o adolescente, não prevê punição para menor que é flagrado bebendo, apenas para o adulto que entrega, vende ou favorece a bebida”, acrescenta.


Regras mais severas

O vereador Leonardo Piruka participou da Festa dos Amigos, a qual citou em suas redes sociais, enaltecendo que ‘começa a semana elogiando a Festa dos Amigos, que aconteceu neste sábado e novamente foi incrível!’. Na publicação, Piruka salientou que a comunidade, através das barracas, ‘torna esse evento a maior festa do Centro’.

À reportagem ele disse que acredita que situações isoladas não podem denegrir por completo um evento ‘tão tradicional e bonito’.

“O que devemos fazer é impor regras mais severas a alguns participantes e aumentar a segurança da festa. O Poder Público precisa se fazer mais presente durante o evento de diversas formas, tive muitas reclamações sobre ausência de banheiros, por exemplo. Mudar o lugar não resolverá estes problemas, mas precisamos sim rever procedimentos”, acrescenta.

O vereador Aldemar Bola Pereira opinou nas redes que ‘bebedeira e irresponsabilidades não se justificam’.


Avaliar prós&contras

Ana Maria dos Santos, presidente do Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau, entidade que representa o trade turístico, também opinou sobre o evento e reconhece que a edição desse ano teve problemas.

"Houve realmente muitas queixas, e obviamente tem a ver com o crescimento da mesma. O objetivo do evento é interessante e muitos adoram, outros reclamam pelos excessos, pelo trânsito, barulho, lixo etc. Como a cidade é de todos, nada melhor que colocar em discussão democraticamente e avaliar os prós e contras e a partir daí buscar estratégias para que o evento possa continuar sem prejuízos a ninguém", pontua.


Mais fiscalização

A comerciante Madalena Gonçalves teve uma infeliz surpresa enquanto estava na Festa dos Amigos. Ela curtiu o sábado na barraca do grupo Senadinho, com amigos e familiares, e já no fim do evento, na altura da rua 1.500, foi atingida por uma garrafa de vidro no supercílio.

“Eu só senti o impacto, não vi de onde veio, foi muito rápido. Tinham dois rapazes brigando parece, um deles atirou uma garrafa e um pedaço do vidro voou em mim. Quem me socorreu foi a minha família e corremos para a PM, que estava perto de onde estávamos. Fui atendida pelo Denício Rosa, que foi muito educado e prestativo”, relembra.

Na opinião de Madalena, o evento ‘é lindo’ e deve continuar a acontecer na Avenida Atlântica, nos moldes de hoje. Porém, ela vê que algumas pessoas tumultuam, como aconteceu nessa ocasião.

“Algumas pessoas bebem demais e se passam, mas o evento foi muito legal, o dia estava lindo, foi bem organizado, o problema é um ou outro bêbado. Por sorte não atingiu meu olho e nem uma criança, por exemplo. Fui para o hospital, tomei seis pontos, foi feio o corte, mas estou me recuperando. Porém, o evento foi muito bonito, precisamos de mais ações assim, trabalho no comércio e vejo que muitas pessoas pedem por coisas do tipo”, completa.

Ela sugere que haja uma maior fiscalização, como a do Réveillon, onde o público não pode levar garrafas ou vasilhas de vidro.


E você o que achou da Festa dos Amigos? Acha que o evento precisa ser revisto? Opine com responsabilidade!


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade