Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
Ex-mendigo argentino, que vive em Balneário Camboriú, vai ministrar oficinas de artesanato

Segunda, 10/6/2019 15:06.
Renata Rutes
Lozano com o coordenador da Casa de Passagem, Thiago Pacheco

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O artesão argentino José Luis Lozano, 70 anos, de La Plata, está morando há 10 meses na Casa de Passagem de Balneário Camboriú, o ‘albergue’ que acolhe moradores de rua. Ele mora na cidade há 15 anos, mas sofreu um golpe, perdeu o negócio que tinha e acabou tendo que morar na rua.

Lozano, como é conhecido, agora se recupera e vai passar a dar aulas de artesanato em couro para a população de baixa renda de Balneário, através da secretaria de Inclusão Social.

Nesta segunda-feira (10), Lozano conversou com a reportagem do Página 3, contando que mora no Brasil há mais de 40 anos, tendo passado por diversos Estados do país. Em Balneário ele diz que está há cerca de 15 anos. Ele é artesão e trabalha com couro, mas também é ourives.

“Eu deixei de lado o artesanato manual para fazer o ‘industrianato’, comecei a produzir mais, com peças exclusivas que revendia para lojas. Não fazia o artesanato simples para vender na rua. Eu tinha uma fábrica em São Paulo e resolvi vir pra cá. Sofri um golpe financeiro de um contador e consegui outro emprego, mas por ser idoso acabei sendo demitido e fui morar na rua”, diz.

Diferente de alguns mendigos que optam por morar na rua e ficam durante anos, Lozano não gostava da realidade, que durou alguns dias. Ele conhecia um funcionário da secretaria do Idoso, que soube o que estava acontecendo com ele e o apresentou para a então secretária Christina Barichello, que agora comanda a secretaria de Inclusão Social. Isso aconteceu há 10 meses e desde então o argentino está na Casa de Passagem. Os documentos dele estavam vencidos e ele diz que não possui familiares.

“Minha família hoje são os meus amigos e o pessoal da Casa”, acrescenta.

Nesse tempo, Lozano teve a ideia de dar oficinas artísticas para a população de baixa renda e futuramente até para os moradores de rua. O projeto dele foi aprovado e nesta sexta-feira (14) acontece a primeira aula.

“Estou flutuando, estou me sentindo realizado plenamente. Eu tinha bastante, cheguei a não ter nada e de repente, com essa ideia, estou podendo recomeçar. Não é certo dar esmola e sim dar oportunidade. Só tenho a agradecer a prefeitura e Inclusão Social”, afirma. Nas oficinas, o artesão ensinará a fazer peças com couro como bolsas, cintos e sandálias.

Exemplo

O coordenador da Casa de Passagem, Thiago Pacheco, explica que a ideia é emancipar José Luis, para que ele sirva de exemplo e inspiração para pessoas que vivem a mesma realidade que ele viveu.

“Ele vai ganhar os recursos, para conseguir se manter, e vai ministrar oficinas na secretaria de Inclusão e na Casa de Passagem. É uma grande realização da secretaria de Inclusão Social, que oferece essa chance e infelizmente são poucas as pessoas que aceitam. O Lozano entrou na Casa de Passagem e sempre teve a intenção de se emancipar. Ele tem competência e capacidade, e é nisso que estamos trabalhando”, salienta. Segundo Thiago, há outros de ex-moradores de rua que fazem cursos, como de elétrica, gastronomia e até de barbeiro e aproveitam a oportunidade dada pelo governo municipal. “Não queremos que as pessoas fiquem ‘anestesiadas’ com o assistencialismo, procuramos ir além, oportunizando para que elas deem o pontapé para conseguirem recomeçar”, completa.


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Página 3
Renata Rutes
Lozano com o coordenador da Casa de Passagem, Thiago Pacheco
Lozano com o coordenador da Casa de Passagem, Thiago Pacheco

Ex-mendigo argentino, que vive em Balneário Camboriú, vai ministrar oficinas de artesanato

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Segunda, 10/6/2019 15:06.

O artesão argentino José Luis Lozano, 70 anos, de La Plata, está morando há 10 meses na Casa de Passagem de Balneário Camboriú, o ‘albergue’ que acolhe moradores de rua. Ele mora na cidade há 15 anos, mas sofreu um golpe, perdeu o negócio que tinha e acabou tendo que morar na rua.

Lozano, como é conhecido, agora se recupera e vai passar a dar aulas de artesanato em couro para a população de baixa renda de Balneário, através da secretaria de Inclusão Social.

Nesta segunda-feira (10), Lozano conversou com a reportagem do Página 3, contando que mora no Brasil há mais de 40 anos, tendo passado por diversos Estados do país. Em Balneário ele diz que está há cerca de 15 anos. Ele é artesão e trabalha com couro, mas também é ourives.

“Eu deixei de lado o artesanato manual para fazer o ‘industrianato’, comecei a produzir mais, com peças exclusivas que revendia para lojas. Não fazia o artesanato simples para vender na rua. Eu tinha uma fábrica em São Paulo e resolvi vir pra cá. Sofri um golpe financeiro de um contador e consegui outro emprego, mas por ser idoso acabei sendo demitido e fui morar na rua”, diz.

Diferente de alguns mendigos que optam por morar na rua e ficam durante anos, Lozano não gostava da realidade, que durou alguns dias. Ele conhecia um funcionário da secretaria do Idoso, que soube o que estava acontecendo com ele e o apresentou para a então secretária Christina Barichello, que agora comanda a secretaria de Inclusão Social. Isso aconteceu há 10 meses e desde então o argentino está na Casa de Passagem. Os documentos dele estavam vencidos e ele diz que não possui familiares.

“Minha família hoje são os meus amigos e o pessoal da Casa”, acrescenta.

Nesse tempo, Lozano teve a ideia de dar oficinas artísticas para a população de baixa renda e futuramente até para os moradores de rua. O projeto dele foi aprovado e nesta sexta-feira (14) acontece a primeira aula.

“Estou flutuando, estou me sentindo realizado plenamente. Eu tinha bastante, cheguei a não ter nada e de repente, com essa ideia, estou podendo recomeçar. Não é certo dar esmola e sim dar oportunidade. Só tenho a agradecer a prefeitura e Inclusão Social”, afirma. Nas oficinas, o artesão ensinará a fazer peças com couro como bolsas, cintos e sandálias.

Exemplo

O coordenador da Casa de Passagem, Thiago Pacheco, explica que a ideia é emancipar José Luis, para que ele sirva de exemplo e inspiração para pessoas que vivem a mesma realidade que ele viveu.

“Ele vai ganhar os recursos, para conseguir se manter, e vai ministrar oficinas na secretaria de Inclusão e na Casa de Passagem. É uma grande realização da secretaria de Inclusão Social, que oferece essa chance e infelizmente são poucas as pessoas que aceitam. O Lozano entrou na Casa de Passagem e sempre teve a intenção de se emancipar. Ele tem competência e capacidade, e é nisso que estamos trabalhando”, salienta. Segundo Thiago, há outros de ex-moradores de rua que fazem cursos, como de elétrica, gastronomia e até de barbeiro e aproveitam a oportunidade dada pelo governo municipal. “Não queremos que as pessoas fiquem ‘anestesiadas’ com o assistencialismo, procuramos ir além, oportunizando para que elas deem o pontapé para conseguirem recomeçar”, completa.


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