Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cinema
'Fica Mais Escuro Antes do Amanhecer' sucumbe às pretensões poéticas

Quinta, 30/8/2018 9:02.
Reprodução

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ALEXANDRE AGABITI FERNANDEZ / FOLHAPRESS

Neste segundo longa do paulista Thiago Luciano -que fez alguns curtas premiados, mas continua sendo mais conhecido como ator de novelas- o paradoxo do título já indica sua única estratégia para chamar a atenção do espectador: o estranhamento.

Mas a onipresença do recurso demonstra sua fragilidade. Começa na trama rarefeita sobre uma pequena cidade afetada por severas mudanças climáticas que vão do calor ao frio extremos -culminando com o cataclismo do desaparecimento do sol-, relato constantemente fragmentado por flashbacks em que se esboça outro drama igualmente difuso, este com pretensões psicológicas, centrado no luto.

O estranhamento segue adiante nas máscaras de oxigênio usadas pelo casal do flashback, formado por Iran (Thiago Luciano) e Lara (Lucy Ramos), na quase muda depressão que toma conta de todos, na atmosfera de mistério constante, na metáfora do marrom-glacê -cuja bizarrice resvala no mais embaraçoso humor involuntário.

E culmina nas maneiras de alguns personagens, especialmente o dono da fábrica de gelo em que Iran trabalha (Caco Ciocler) -cuja caracterização afetada, do aspecto físico aos gestos e discursos empolados, se aproxima do registro cômico, algo certamente não buscado pelo diretor- e sua não menos sibilina secretária (Kadi Moreno).

Nesse contexto, causar estranhamento é atalho para instalar uma maneira poética de falar desses temas complexos. A mesma intenção está por trás da escolha de mostrar o desassossego de Iran em planos silenciosos. Mas o personagem carece de densidade e o trabalho do ator não consegue dar substância àquilo que o roteiro deixou de fazer.

A trilha sonora também obedece aos mesmos desígnios. O diretor usa e abusa das boas músicas compostas por Teco Fuchs para procurar trabalhar atmosferas e emoções que não consegue criar com o roteiro. Faz o mesmo com a bela fotografia de André Besen, que se destaca pelos caprichados enquadramentos.

Poesia não se estabelece com fórmulas, mas com solidez dramática, algo totalmente ausente aqui: não há nada de intrigante, o espectador permanece o tempo todo alheio ao que se passa na tela. O que fica é a imensa e constrangedora defasagem entre pretensão e desempenho.

FICA MAIS ESCURO ANTES DO AMANHECER
PRODUÇÃO Brasil, 2016
DIREÇÃO
Thiago Luciano
ELENCO Caco Ciocler, Lucy Ramos, Thiago Luciano, Kadi Moreno, Imara Reis, Walter Breda
QUANDO Estreia nesta quinta (30)
AVALIAÇÃO Ruim


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'Fica Mais Escuro Antes do Amanhecer' sucumbe às pretensões poéticas

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Quinta, 30/8/2018 9:02.

ALEXANDRE AGABITI FERNANDEZ / FOLHAPRESS

Neste segundo longa do paulista Thiago Luciano -que fez alguns curtas premiados, mas continua sendo mais conhecido como ator de novelas- o paradoxo do título já indica sua única estratégia para chamar a atenção do espectador: o estranhamento.

Mas a onipresença do recurso demonstra sua fragilidade. Começa na trama rarefeita sobre uma pequena cidade afetada por severas mudanças climáticas que vão do calor ao frio extremos -culminando com o cataclismo do desaparecimento do sol-, relato constantemente fragmentado por flashbacks em que se esboça outro drama igualmente difuso, este com pretensões psicológicas, centrado no luto.

O estranhamento segue adiante nas máscaras de oxigênio usadas pelo casal do flashback, formado por Iran (Thiago Luciano) e Lara (Lucy Ramos), na quase muda depressão que toma conta de todos, na atmosfera de mistério constante, na metáfora do marrom-glacê -cuja bizarrice resvala no mais embaraçoso humor involuntário.

E culmina nas maneiras de alguns personagens, especialmente o dono da fábrica de gelo em que Iran trabalha (Caco Ciocler) -cuja caracterização afetada, do aspecto físico aos gestos e discursos empolados, se aproxima do registro cômico, algo certamente não buscado pelo diretor- e sua não menos sibilina secretária (Kadi Moreno).

Nesse contexto, causar estranhamento é atalho para instalar uma maneira poética de falar desses temas complexos. A mesma intenção está por trás da escolha de mostrar o desassossego de Iran em planos silenciosos. Mas o personagem carece de densidade e o trabalho do ator não consegue dar substância àquilo que o roteiro deixou de fazer.

A trilha sonora também obedece aos mesmos desígnios. O diretor usa e abusa das boas músicas compostas por Teco Fuchs para procurar trabalhar atmosferas e emoções que não consegue criar com o roteiro. Faz o mesmo com a bela fotografia de André Besen, que se destaca pelos caprichados enquadramentos.

Poesia não se estabelece com fórmulas, mas com solidez dramática, algo totalmente ausente aqui: não há nada de intrigante, o espectador permanece o tempo todo alheio ao que se passa na tela. O que fica é a imensa e constrangedora defasagem entre pretensão e desempenho.

FICA MAIS ESCURO ANTES DO AMANHECER
PRODUÇÃO Brasil, 2016
DIREÇÃO
Thiago Luciano
ELENCO Caco Ciocler, Lucy Ramos, Thiago Luciano, Kadi Moreno, Imara Reis, Walter Breda
QUANDO Estreia nesta quinta (30)
AVALIAÇÃO Ruim


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