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Diretor serve de cavalo para Édipo modernoso em 'Los Territorios'
Reprodução

Quinta, 7/6/2018 11:10.

ANDREA ORMOND / (FOLHAPRESS)

"Los Territorios" faz do cinema uma sessão de psicanálise. Dirigido, produzido e estrelado por Iván Granovsky, o documentário fala sobre o protagonista.

Iván é filho de um jornalista célebre na Argentina. Alguém na casa dos 30 anos, mas que enfrenta a adolescência tardia.

Sim, você já ouviu isso antes. Relações canhestras entre pai e filho existem há milênios. Em "Los Territorios", o rapaz serve de cavalo para um Édipo modernoso.

Como jornalista, quer se aproximar do que o pai fez. Quer ver o mundo e (ponto positivo) sabe de sua mediocridade, ainda que (ponto negativo) estenda esse fato em elipses que tornam o filme repetitivo.

Momentos de epifania passam batidos. Durante os protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, as ruas são tomadas por manifestantes e a câmera flagra pessoas treinando luta em uma academia. Estão separadas por uma porta de vidro, mas representam galáxias distantes.

Esses breves segundos, que diriam tanto, são jogados de lado. "Los Territorios" prefere dar atenção à caminhada de Iván. Uma sucessão de closes que parecem selfies filmadas.

Já em Paris, na ressaca dos assassinatos no Charlie Hebdo, Iván encontra um possível duplo. Uma repórter por quem demonstra interesse. A narrativa passa logo para outra história, o que é uma pena. O roteiro poderia finalmente ser inventivo. Largar mão do núcleo familiar e encarar o abismo do sexo oposto, por exemplo.

Mendoza, País Basco, Israel, Palestina. Por quase duas horas, Iván leva no rosto uma carranca fria, como homem idoso que nem mesmo seu pai consegue ser. O pai é leve, talvez por ser egossintônico. A mãe lhe dá dinheiro, mas cobra. Pobre menino rico, arrastando correntes para o barco que não consegue construir, quanto mais navegar.

As imagens agradam a quem se interessar por telejornalismo. Outro aspecto positivo deixa "Los Territorios" no pódio de filme regular. A certa altura, Iván se define como "hipster de fim do mundo". Percebe que os lugares têm cores e sabores que não podem ser idealizados, senão sentidos. Terroristas não são tolinhos, escondidos atrás de arbustos. As mortes são reais.

A vastidão de tudo isso, porém, apequena Granovsky. E isto deixa "Los Territorios" em agonia permanente, como um LP riscado. Aquele chiado que o guerreiro "macfag" finge gostar mas, no fundo, não consegue compreender.

LOS TERRITORIOS
Quando: estreia nesta quinta (7)
Classificação: 12 anos
Produção: Brasil, 2017
Direção: Iván Granovsky
Avaliação: regular

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Página 3

Diretor serve de cavalo para Édipo modernoso em 'Los Territorios'

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Quinta, 7/6/2018 11:10.

ANDREA ORMOND / (FOLHAPRESS)

"Los Territorios" faz do cinema uma sessão de psicanálise. Dirigido, produzido e estrelado por Iván Granovsky, o documentário fala sobre o protagonista.

Iván é filho de um jornalista célebre na Argentina. Alguém na casa dos 30 anos, mas que enfrenta a adolescência tardia.

Sim, você já ouviu isso antes. Relações canhestras entre pai e filho existem há milênios. Em "Los Territorios", o rapaz serve de cavalo para um Édipo modernoso.

Como jornalista, quer se aproximar do que o pai fez. Quer ver o mundo e (ponto positivo) sabe de sua mediocridade, ainda que (ponto negativo) estenda esse fato em elipses que tornam o filme repetitivo.

Momentos de epifania passam batidos. Durante os protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, as ruas são tomadas por manifestantes e a câmera flagra pessoas treinando luta em uma academia. Estão separadas por uma porta de vidro, mas representam galáxias distantes.

Esses breves segundos, que diriam tanto, são jogados de lado. "Los Territorios" prefere dar atenção à caminhada de Iván. Uma sucessão de closes que parecem selfies filmadas.

Já em Paris, na ressaca dos assassinatos no Charlie Hebdo, Iván encontra um possível duplo. Uma repórter por quem demonstra interesse. A narrativa passa logo para outra história, o que é uma pena. O roteiro poderia finalmente ser inventivo. Largar mão do núcleo familiar e encarar o abismo do sexo oposto, por exemplo.

Mendoza, País Basco, Israel, Palestina. Por quase duas horas, Iván leva no rosto uma carranca fria, como homem idoso que nem mesmo seu pai consegue ser. O pai é leve, talvez por ser egossintônico. A mãe lhe dá dinheiro, mas cobra. Pobre menino rico, arrastando correntes para o barco que não consegue construir, quanto mais navegar.

As imagens agradam a quem se interessar por telejornalismo. Outro aspecto positivo deixa "Los Territorios" no pódio de filme regular. A certa altura, Iván se define como "hipster de fim do mundo". Percebe que os lugares têm cores e sabores que não podem ser idealizados, senão sentidos. Terroristas não são tolinhos, escondidos atrás de arbustos. As mortes são reais.

A vastidão de tudo isso, porém, apequena Granovsky. E isto deixa "Los Territorios" em agonia permanente, como um LP riscado. Aquele chiado que o guerreiro "macfag" finge gostar mas, no fundo, não consegue compreender.

LOS TERRITORIOS
Quando: estreia nesta quinta (7)
Classificação: 12 anos
Produção: Brasil, 2017
Direção: Iván Granovsky
Avaliação: regular

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