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Crise vivida pelo 'Homem que Parou o Tempo' não nos atinge

Quinta, 13/9/2018 10:41.

SÉRGIO ALPENDRE / FOLHAPRESS

Por vezes temos só o vazio. Que nos toma quando precisamos escrever sobre algum filme e mal nos permite ir além de algumas platitudes. Ficamos amarrados ao que o filme nos provoca e ai daquele que ousar trilhar caminho diverso. Fará a mais trôpega poesia em prosa, a crítica que falha, que nunca vai ao ponto.

E o ponto é, ou parece ser, que "O Homem que Parou o Tempo", de Hilnando SM, convida ao vazio desde o toque repetitivo e irritante do celular até o vazio que há no coração e na mente do protagonista, João (Gabriel Pardal).

O vazio do apartamento de decoração espontaneamente minimalista, com o acúmulo de garrafas plásticas como enfeites involuntários, das caminhadas noturnas, das examinadas nos papéis colados na parede, das conversas com o porteiro (homem que espera) e da paisagem invernal da cidade (que nada tem de invernal, aliás, é o Rio de Janeiro, mas o filme a mostra assim).

E há ainda os enquadramentos de ponta-cabeça, repetindo a situação de reverso do tempo que é seu mote, e a quietude ostensiva desse protagonista que parece querer viver eternamente numa bolha (seria um comentário irônico, talvez inconsciente, sobre as bolhas das redes sociais?).

Convidado para uma festa, João resolve ir. Ao chegar, conhece uma moça cheia de vida que os créditos informam chamar-se Mai (Camila Márdila), antes mesmo de subir ao apartamento onde se dá o barulhento encontro de jovens que ele afirma conhecer bem. Ela o beija, mas ele logo foge da possibilidade de envolvimento com outra pessoa.

A partir desse encontro, João passa a falar com mais frequência. E aí começamos a perceber que, mais do que um homem em crise com seu país e com sua vida afetiva e profissional, ele é na verdade um chato. Parece mais um jovem posando de rebelde contra o sistema do que um autêntico desesperado.

Sua crise não nos atinge, apesar das tentativas da direção (algumas interessantes, como na cena com Camila Márdila ou nos delírios cromáticos) e do trabalho do ator. Ela apenas nos mergulha no tédio que ele abraça como se não houvesse outra saída.

É um filme curto. Tem apenas 63 minutos. Mesmo assim, sente-se que foi esticado até não mais poder para virar um longa.

O HOMEM QUE PAROU O TEMPO
PRODUÇÃO Brasil, 2018
ELENCO Gabriel Pardal, Camila Márdila, Pedro Lamin
DIREÇÃO Hilnando SM
QUANDO Estreia nesta quinta (13)
AVALIAÇÃO
Regular

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Crise vivida pelo 'Homem que Parou o Tempo' não nos atinge

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Quinta, 13/9/2018 10:41.

SÉRGIO ALPENDRE / FOLHAPRESS

Por vezes temos só o vazio. Que nos toma quando precisamos escrever sobre algum filme e mal nos permite ir além de algumas platitudes. Ficamos amarrados ao que o filme nos provoca e ai daquele que ousar trilhar caminho diverso. Fará a mais trôpega poesia em prosa, a crítica que falha, que nunca vai ao ponto.

E o ponto é, ou parece ser, que "O Homem que Parou o Tempo", de Hilnando SM, convida ao vazio desde o toque repetitivo e irritante do celular até o vazio que há no coração e na mente do protagonista, João (Gabriel Pardal).

O vazio do apartamento de decoração espontaneamente minimalista, com o acúmulo de garrafas plásticas como enfeites involuntários, das caminhadas noturnas, das examinadas nos papéis colados na parede, das conversas com o porteiro (homem que espera) e da paisagem invernal da cidade (que nada tem de invernal, aliás, é o Rio de Janeiro, mas o filme a mostra assim).

E há ainda os enquadramentos de ponta-cabeça, repetindo a situação de reverso do tempo que é seu mote, e a quietude ostensiva desse protagonista que parece querer viver eternamente numa bolha (seria um comentário irônico, talvez inconsciente, sobre as bolhas das redes sociais?).

Convidado para uma festa, João resolve ir. Ao chegar, conhece uma moça cheia de vida que os créditos informam chamar-se Mai (Camila Márdila), antes mesmo de subir ao apartamento onde se dá o barulhento encontro de jovens que ele afirma conhecer bem. Ela o beija, mas ele logo foge da possibilidade de envolvimento com outra pessoa.

A partir desse encontro, João passa a falar com mais frequência. E aí começamos a perceber que, mais do que um homem em crise com seu país e com sua vida afetiva e profissional, ele é na verdade um chato. Parece mais um jovem posando de rebelde contra o sistema do que um autêntico desesperado.

Sua crise não nos atinge, apesar das tentativas da direção (algumas interessantes, como na cena com Camila Márdila ou nos delírios cromáticos) e do trabalho do ator. Ela apenas nos mergulha no tédio que ele abraça como se não houvesse outra saída.

É um filme curto. Tem apenas 63 minutos. Mesmo assim, sente-se que foi esticado até não mais poder para virar um longa.

O HOMEM QUE PAROU O TEMPO
PRODUÇÃO Brasil, 2018
ELENCO Gabriel Pardal, Camila Márdila, Pedro Lamin
DIREÇÃO Hilnando SM
QUANDO Estreia nesta quinta (13)
AVALIAÇÃO
Regular

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