Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cinema
Filme 'Marighella', de Wagner Moura, vai estrear no Festival de Berlim

Quinta, 10/1/2019 18:18.
Divulgação
Wagner Moura como Carlos Marighella

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GUILHERME GENESTRETI (FOLHAPRESS)

O filme brasileiro "Marighella", estreia de Wagner Moura na direção, foi escolhido para estrear no Festival de Berlim, em fevereiro.

A obra é uma cinebiografia sobre o guerrilheiro de esquerda que lutou contra a ditadura militar. O longa tem Seu Jorge no papel principal. Adriana Esteves, Bruno Gagliasso e Humberto Carrão também estão no elenco.

A mostra alemã, que começa no próximo dia 7, é um dos eventos mais prestigiosos do cinema mundial. O filme de Moura integrará a seção principal do festival, mas fora da competição pelo Urso de Ouro.

"Marighella" é uma produção da 02 Filmes, cofundada por Fernando Meirelles, e orçada em R$ 10 milhões. É um filme recheado de cenas de ação, que toma licenças poéticas para recontar a história do guerrilheiro narrada pelo jornalista Mário Magalhães na biografia homônima.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Moura afirmou querer um "filme que traga um exemplo de resistência, sobretudo para jovens negros". "Estou preparado para ser odiado pela direita e criticado pela esquerda", disse, quando a reportagem acompanhou as gravações do filme, em fevereiro do ano passado.

Assassinado em 1969, o baiano Carlos Marighella comandou greve, foi detido por escrever poemas políticos, viveu as sucessivas proscrições do Partido Comunista Brasileiro, levou tiro da polícia num cinema cheio de crianças e criou o grupo de guerrilha urbana ALN (Ação Libertadora Nacional).

Também enviou cartas a Fidel Castro, escreveu manual de guerrilha que inspirou os Panteras Negras e virou letra de música de Caetano Veloso.

A sua morte, numa operação comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, é um dos marcos do fim da guerrilha urbana. No local em que foi alvejado, na alameda Casa Branca, em São Paulo, hoje existe um marco de pedra na calçada, cercado por prédios de alto padrão.

O Festival de Berlim tem sido particularmente receptivo com a produção brasileira. Em 20 anos, o Brasil disputou oito vezes o Urso de Ouro e foi vencedor duas vezes, com "Central do Brasil" e "Tropa de Elite", desse que é um dos principais prêmios dos filmes de arte.

"Tropa de Elite", por sinal, tem Wagner Moura como protagonista. O agora diretor diz que se inspirou em José Padilha, que o dirigiu na obra premiada, para fazer um "cinema popular, mas potente e com linguagem."

Além de "Marighella", o Festival de Berlim também apresentou títulos que integrarão a competição deste ano. Entre eles, estão "Elisa y Marcela", nova obra da espanhola Isabel Coixet, e "Mr. Jones", da polonesa Agnieszka Holland. Fora da disputa também foi escalado o novo filme da veterana Agnès Varda chamado "Varda par Agnès".

Esses filmes se somam a obras como "Grâce à Dieu", de François Ozon, "Der Goldene Hadschu", de Fatih Akin, e "Répertoire des Volles Disparues", de Denis Côté, previamente anunciados.

O Brasil também comparecerá com "Greta", de Armando Praça, e "Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar", de Marcelo Gomes. Ambos farão parte da mostra Panorama, seção paralela à competição principal do evento.


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Divulgação
Wagner Moura como Carlos Marighella
Wagner Moura como Carlos Marighella

Filme 'Marighella', de Wagner Moura, vai estrear no Festival de Berlim

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Quinta, 10/1/2019 18:18.

GUILHERME GENESTRETI (FOLHAPRESS)

O filme brasileiro "Marighella", estreia de Wagner Moura na direção, foi escolhido para estrear no Festival de Berlim, em fevereiro.

A obra é uma cinebiografia sobre o guerrilheiro de esquerda que lutou contra a ditadura militar. O longa tem Seu Jorge no papel principal. Adriana Esteves, Bruno Gagliasso e Humberto Carrão também estão no elenco.

A mostra alemã, que começa no próximo dia 7, é um dos eventos mais prestigiosos do cinema mundial. O filme de Moura integrará a seção principal do festival, mas fora da competição pelo Urso de Ouro.

"Marighella" é uma produção da 02 Filmes, cofundada por Fernando Meirelles, e orçada em R$ 10 milhões. É um filme recheado de cenas de ação, que toma licenças poéticas para recontar a história do guerrilheiro narrada pelo jornalista Mário Magalhães na biografia homônima.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Moura afirmou querer um "filme que traga um exemplo de resistência, sobretudo para jovens negros". "Estou preparado para ser odiado pela direita e criticado pela esquerda", disse, quando a reportagem acompanhou as gravações do filme, em fevereiro do ano passado.

Assassinado em 1969, o baiano Carlos Marighella comandou greve, foi detido por escrever poemas políticos, viveu as sucessivas proscrições do Partido Comunista Brasileiro, levou tiro da polícia num cinema cheio de crianças e criou o grupo de guerrilha urbana ALN (Ação Libertadora Nacional).

Também enviou cartas a Fidel Castro, escreveu manual de guerrilha que inspirou os Panteras Negras e virou letra de música de Caetano Veloso.

A sua morte, numa operação comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, é um dos marcos do fim da guerrilha urbana. No local em que foi alvejado, na alameda Casa Branca, em São Paulo, hoje existe um marco de pedra na calçada, cercado por prédios de alto padrão.

O Festival de Berlim tem sido particularmente receptivo com a produção brasileira. Em 20 anos, o Brasil disputou oito vezes o Urso de Ouro e foi vencedor duas vezes, com "Central do Brasil" e "Tropa de Elite", desse que é um dos principais prêmios dos filmes de arte.

"Tropa de Elite", por sinal, tem Wagner Moura como protagonista. O agora diretor diz que se inspirou em José Padilha, que o dirigiu na obra premiada, para fazer um "cinema popular, mas potente e com linguagem."

Além de "Marighella", o Festival de Berlim também apresentou títulos que integrarão a competição deste ano. Entre eles, estão "Elisa y Marcela", nova obra da espanhola Isabel Coixet, e "Mr. Jones", da polonesa Agnieszka Holland. Fora da disputa também foi escalado o novo filme da veterana Agnès Varda chamado "Varda par Agnès".

Esses filmes se somam a obras como "Grâce à Dieu", de François Ozon, "Der Goldene Hadschu", de Fatih Akin, e "Répertoire des Volles Disparues", de Denis Côté, previamente anunciados.

O Brasil também comparecerá com "Greta", de Armando Praça, e "Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar", de Marcelo Gomes. Ambos farão parte da mostra Panorama, seção paralela à competição principal do evento.


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