Jornal Página 3
Coluna
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

TROVAS TEMA: QUEIMADA

A ponta acesa atirada
do cigarro no capim...
E todo o horror da queimada
às vezes começa assim...
SILVINA ANTUNES LEAL

Naqueles verdes de outrora
vejo cinzas espalhadas.
É o homem que se devora
na insensatez das queimadas.
ENIR MORETH SILVA

Com a queimada, o fazendeiro
queima a esperança da vida:
- a terra só é celeiro
quando de verde vestida.
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO

Queimadas... troncos despidos,
na dor de sua inocência,
parecem braços erguidos,
suplicando por clemência!...
RODOLPHO ABBUD

É preciso que combatas
duas chagas cancerosas:
- a devastação das matas
e as queimadas criminosas...
JOSÉ NAEGELE

Pondo a terra devastada
pelas queimadas a esmo,
numa conduta impensada
o homem destrói a si mesmo!
CARLINDA LAMEGO

Foram-se as chamas... E os retos
da galharia tisnada
erguem-se aos Céus, em protestos
contra a insânia da queimada!...
WALDIR NEVES

Vendo a queimada que avança,
qual tenebroso dragão,
queima-se, em mim, a esperança
de ter mais trigo e mais pão...
MANOEL ROCHA FILHO

Autoridades, cuidado!
Cuidado, povo, também!
"Queimada" - ônus pesado
às gerações que aí vêm!
ROMEU DE CARVALHO

Na "Queimada", crepitando,
por entre chamas ao léu,
o som da mata queimando
é um grito de dor do céu!...
JOSÉ CARLOS SANTOS FREITAS

I Concurso de Trovas de Sete Lagoas/MG em 1976
(Trovas vencedoras)

Escrito por Academia de Letras, 02/09/2019 às 15h30 | elianarjz@gmail.com

Discurso da Posse de Anderson Fabiano

Boa noite, Senhoras e Senhores.

Saúdo a Presidente Eliana Jimenez, e ao fazê-lo, saúdo a todos os membros dessa Casa de Saberes. Não apenas em meu nome, mas também dos companheiros Helga Frassetto, Juan Daniel Isernhagen e Robson Ramos, aos quais, a partir de hoje, conquisto o direito de chamá-los confrades. Juntos, agradecemos aos acadêmicos que indicaram nossos nomes e a todos aqueles que aprovaram nossas indicações.

Da minha parte, quero agradecer ao meu sempre “dindo”, Hang Ferrero, companheiro de tantos embates literários; Tonhão Kappel, pela sua imensa generosidade e Miriam de Almeida, por ter sempre uma palavra de estímulo para doar.

Meditei alguns dias na espera da glória acadêmica, buscando o que dizer aqui, agora. Queria dizer alguma coisa que me unisse à Comunidade em que hoje me integro: dos acadêmicos presentes, dos acadêmicos de ontem, dos acadêmicos de amanhã e dentre as inúmeras coisas assinaláveis, é com prazer que destaco o fato notório de que somos todos intelectuais catarinenses e, por extensão, intelectuais brasileiros.

Mas não me considero um homem de letras no sentido rigoroso do termo. Nem poeta ou cronista, talvez nem mesmo escritor. Quando muito, um refém das emoções, às quais reverencio com meus textos.

Sei que meu sotaque denuncia minha condição de forasteiro e para aqueles que ainda não notaram, confesso que sou orgulhosamente carioca. E mais, que foi a Poesia, ou melhor, minha companheira Helena, que me trouxe para essas terras catarinenses há exatos 10 anos.

Por isso, sinto-me ainda mais orgulhoso por estar ingressando na Academia de Letras de Balneário Camboriú onde, juntamente com meus pares, estarei empenhado em difundir nosso idioma e suas maravilhas e criando, sempre que possível, novos leitores e, quem sabe, futuros companheiros dessa casa.

Há em meu coração, uma inequívoca sensação de fidelidade aos meus valores maiores: o Amor ao próximo, à Literatura e à missão que me foi confiada de dividir meus parcos conhecimentos, tão sofridamente conquistados ao longo de uma vida. E parodiando meu patrono, vencendo as pedras que encontrei pelo caminho.

“Nunca me esquecerei desse acontecimento / Na vida de minhas retinas tão fatigadas / Nunca me esquecerei que no meio do caminho /Tinha uma pedra.”

Hoje, assumindo a cadeira nº 31, reverencio Carlos Drummond de Andrade, mineirinho de Itabira, a quem tive o privilégio de encontrar umas poucas vezes, saindo de seu prédio, na Rua Conselheiro Lafayette, ali na divisa de Copacabana e Ipanema, para suas caminhadas matinais.

Ave, Drummond!

Mas não me permitirei a soberba, por saber-me doravante terraqueamente imortal. Exijo-me continuar poeta sim, mas simples, acessível, moleque, carioca, vascaíno e mangueirense.

E é com a doce irreverência carioca que gostaria de encerrar esse breve discurso de posse, enaltecendo três poetas populares: Rody, Verinha e Biro do Ponto, que compuseram o Samba Enredo No Reino das Letras, em homenagem a Carlos Drummond, que deu a Estação Primeira de Mangueira, o título de campeã do carnaval de 1987:

“Na ilusão dos meus sonhos, achei / O elefante que eu imaginei”

Ave Carlos Drummond de Andrade!

Ave Confrades e Confreiras da Academia de Letras de Balneário Camboriú!

Muito obrigado.

Escrito por Academia de Letras, 06/08/2019 às 17h05 | elianarjz@gmail.com

HERANÇA

No contraste
vejo a tinta
maculando
a branca cor
são hibiscos
são meus riscos
despontando
com vigor
são palavras
soltas, loucas
sentimentos
ou momentos
dores, medos
ou andanças
tudo envolto
numa trança
e no papel
deixo herança
do que fica
quando vou.

Eliana Jimenez
Poesia selecionada para antologia, tema “A força da palavra escrita”:
PRÊMIO NACIONAL DE ARTES DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE TUPÃ – 4° FESTIVAL DE LITERATURA

Escrito por Academia de Letras, 29/07/2019 às 10h22 | elianarjz@gmail.com

O TEMPLÁRIO

O Templário, 12º livro do escritor Luiz Antonio Hecker Kappel, já está disponível para venda na Amazon.com

Toda a renda será revertida para a Associação Amor pra Down.


Extrato do prefácio escrito pela profa. Maisa Schmitz :

Neste seu novo livro, “O Templário”, Kappel deixa flagrar, logo no início, o seu olhar curioso e atento que dá lugar e valor a todas as personagens que encontra, tanto para enaltecer como para produzir questionamento, crítica, reflexão: “eu era um novato naquele horário, naquele ônibus que percorria mais de 100 km entre as prainhas onde embarcavam e desembarcavam todas as cores, cheiros e tamanhos... era um povo que não parava de entrar ou sair do ônibus... onde todos pareciam ser apenas um.” Ele transforma o ônibus coletivo no palco central desta sua nova história. O trivial, o cotidiano, o simples, o anonimato tem ali, uma nova roupagem; transforma-se em importante lugar de descobertas, encontros e reencontros para articulações, tomadas de decisões, resolver quebra-cabeças existenciais; (re)pensar o trabalho, arquitetar planos e desbaratar quadrilhas! As personagens, num primeiro momento incógnitas, assumem, logo em seguida, papéis, vida, nomes; tornam-se sujeitos. Ele próprio encarna uma personagem e através dela, veste-se de justiceiro, que, sem perder a humanidade, deliberadamente assume correr riscos no intuito de livrar familiares, amigos, o país e o mundo, da bandidagem. E a gente se identifica com isto e torce para que dê certo; embora um e outro possa não concordar com os meios, algumas justificativas e posicionamentos. De algum modo, todos que experimentamos um pouco de generosidade e empatia em relação ao outro, gostaríamos de ter algum poder para livrar o mundo dos males que o afligem. Estes que registram a história ou escrevem histórias utilizando sua poderosa ferramenta: a palavra; estão aí para motivar e despertar em cada um de nós, o interesse, o desejo de saber e ampliar horizontes. Através da leitura podemos acessar a fatos, ler e conversar; pesquisar, estudar, fazer e expandir consciência, aprender a investigar, discutir, argumentar e depois (re)formular e partilhar ideias e conceitos. Paulo Freire, explicita bem isto: “Com a palavra, o homem se faz homem. Ao dizer a sua palavra, pois, o homem assume conscientemente sua essencial condição humana”.

Escrito por Academia de Letras, 02/07/2019 às 09h52 | elianarjz@gmail.com

Seleção de poemas de Hang Ferrero

Dialética

nunca deveria ter dito o que disse; nunca. foi como esfriar a chama com a saliva entre os dedos, apagar as velas antes de servir o prato. tinha ela, à nuca, poros eriçados, tal qual a pele dela, o cheiro, tinha tudo.

nunca deveria ter esfriado, a vela ou o prato, nunca. tinha a pele, o cheiro, tal qual a chama, tudo dela e, entre os dedos ter dito o que disse, sem antes aos poros servir à nuca.

 

Plumbum

não cede

abusa das velharias desta máquina

revisa tabus

 

não cessa

delirante, pós-histórico

trata-me com prejuízo e dor

 

não recordo

das tratativas que se opõem

ao que chamo de jornada

 

à saber:

sê longa ainda ( a vida ) e

vejo tua boca irriquieta e amarela; é riso?

 

oh, éter

impetuosa consciência presa ao corpo

qual vingança

 

desgarra

solta qualquer quinhão da paz

ou forja-te ininteligível em mim

 

na desgraça

acovardo eu,

quais outros sacrifícios antevês?

Escrito por Academia de Letras, 19/06/2019 às 11h57 | elianarjz@gmail.com

Trovas tema outono

Com mágoas não perco o sono
e sigo, alegre, a cantar
pisando as folhas de outono
que enfeitam meu caminhar!

  • Antonio Juraci Siqueira
 

A idade é, por excelência,
a grande mestra do amor.
– É no outono da existência
que a paixão tem mais calor!

  • A. A. de Assis
 

Foste a pior das escolhas...
e no outono, em meus cansaços,
eu me sinto uma das folhas
que despencou dos teus braços.

  • Almerinda F. Liporage (Tita)
 

Pleno outono ... e em meu atalho,
sem um amor que me acolha,
invejo a sorte do orvalho
que se abriga em qualquer folha.

  • Edmar Japiassu Maia
 

Ressequidas e revoltas,
rolando sem direção,
lembranças são folhas soltas
no outono do coração.

  • Marina Gomes de Souza
 

Refaça ilusões frustradas!...
O outono nos dá a lição:
- Com folhas secas, pisadas,
tece tapetes... no chão!

  • Therezinha Dieguez Brisola
 

Folhas migradas de outono,
tais quais meus sonhos trincados,
vagam pelo chão, sem sono,
à demanda de outros prados...

  • Dáguima Verônica
 

Mesmo no outono da vida
continuo a caminhar,
piso a folha ressequida;
mas há luz em meu olhar!

  • Gislaine Canales
 

Numa profusão de cores
vem o outono, sedutor,
inspirar os sonhadores
num convite para o amor.

  • Eliana Jimenez
 

Parceria ALBC e UBT - União Brasileira dos Trovadores
Seção de Balneário Camboriú/SC

Escrito por Academia de Letras, 10/04/2019 às 00h15 | elianarjz@gmail.com



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TROVAS TEMA: QUEIMADA

A ponta acesa atirada
do cigarro no capim...
E todo o horror da queimada
às vezes começa assim...
SILVINA ANTUNES LEAL

Naqueles verdes de outrora
vejo cinzas espalhadas.
É o homem que se devora
na insensatez das queimadas.
ENIR MORETH SILVA

Com a queimada, o fazendeiro
queima a esperança da vida:
- a terra só é celeiro
quando de verde vestida.
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO

Queimadas... troncos despidos,
na dor de sua inocência,
parecem braços erguidos,
suplicando por clemência!...
RODOLPHO ABBUD

É preciso que combatas
duas chagas cancerosas:
- a devastação das matas
e as queimadas criminosas...
JOSÉ NAEGELE

Pondo a terra devastada
pelas queimadas a esmo,
numa conduta impensada
o homem destrói a si mesmo!
CARLINDA LAMEGO

Foram-se as chamas... E os retos
da galharia tisnada
erguem-se aos Céus, em protestos
contra a insânia da queimada!...
WALDIR NEVES

Vendo a queimada que avança,
qual tenebroso dragão,
queima-se, em mim, a esperança
de ter mais trigo e mais pão...
MANOEL ROCHA FILHO

Autoridades, cuidado!
Cuidado, povo, também!
"Queimada" - ônus pesado
às gerações que aí vêm!
ROMEU DE CARVALHO

Na "Queimada", crepitando,
por entre chamas ao léu,
o som da mata queimando
é um grito de dor do céu!...
JOSÉ CARLOS SANTOS FREITAS

I Concurso de Trovas de Sete Lagoas/MG em 1976
(Trovas vencedoras)

Escrito por Academia de Letras, 02/09/2019 às 15h30 | elianarjz@gmail.com

Discurso da Posse de Anderson Fabiano

Boa noite, Senhoras e Senhores.

Saúdo a Presidente Eliana Jimenez, e ao fazê-lo, saúdo a todos os membros dessa Casa de Saberes. Não apenas em meu nome, mas também dos companheiros Helga Frassetto, Juan Daniel Isernhagen e Robson Ramos, aos quais, a partir de hoje, conquisto o direito de chamá-los confrades. Juntos, agradecemos aos acadêmicos que indicaram nossos nomes e a todos aqueles que aprovaram nossas indicações.

Da minha parte, quero agradecer ao meu sempre “dindo”, Hang Ferrero, companheiro de tantos embates literários; Tonhão Kappel, pela sua imensa generosidade e Miriam de Almeida, por ter sempre uma palavra de estímulo para doar.

Meditei alguns dias na espera da glória acadêmica, buscando o que dizer aqui, agora. Queria dizer alguma coisa que me unisse à Comunidade em que hoje me integro: dos acadêmicos presentes, dos acadêmicos de ontem, dos acadêmicos de amanhã e dentre as inúmeras coisas assinaláveis, é com prazer que destaco o fato notório de que somos todos intelectuais catarinenses e, por extensão, intelectuais brasileiros.

Mas não me considero um homem de letras no sentido rigoroso do termo. Nem poeta ou cronista, talvez nem mesmo escritor. Quando muito, um refém das emoções, às quais reverencio com meus textos.

Sei que meu sotaque denuncia minha condição de forasteiro e para aqueles que ainda não notaram, confesso que sou orgulhosamente carioca. E mais, que foi a Poesia, ou melhor, minha companheira Helena, que me trouxe para essas terras catarinenses há exatos 10 anos.

Por isso, sinto-me ainda mais orgulhoso por estar ingressando na Academia de Letras de Balneário Camboriú onde, juntamente com meus pares, estarei empenhado em difundir nosso idioma e suas maravilhas e criando, sempre que possível, novos leitores e, quem sabe, futuros companheiros dessa casa.

Há em meu coração, uma inequívoca sensação de fidelidade aos meus valores maiores: o Amor ao próximo, à Literatura e à missão que me foi confiada de dividir meus parcos conhecimentos, tão sofridamente conquistados ao longo de uma vida. E parodiando meu patrono, vencendo as pedras que encontrei pelo caminho.

“Nunca me esquecerei desse acontecimento / Na vida de minhas retinas tão fatigadas / Nunca me esquecerei que no meio do caminho /Tinha uma pedra.”

Hoje, assumindo a cadeira nº 31, reverencio Carlos Drummond de Andrade, mineirinho de Itabira, a quem tive o privilégio de encontrar umas poucas vezes, saindo de seu prédio, na Rua Conselheiro Lafayette, ali na divisa de Copacabana e Ipanema, para suas caminhadas matinais.

Ave, Drummond!

Mas não me permitirei a soberba, por saber-me doravante terraqueamente imortal. Exijo-me continuar poeta sim, mas simples, acessível, moleque, carioca, vascaíno e mangueirense.

E é com a doce irreverência carioca que gostaria de encerrar esse breve discurso de posse, enaltecendo três poetas populares: Rody, Verinha e Biro do Ponto, que compuseram o Samba Enredo No Reino das Letras, em homenagem a Carlos Drummond, que deu a Estação Primeira de Mangueira, o título de campeã do carnaval de 1987:

“Na ilusão dos meus sonhos, achei / O elefante que eu imaginei”

Ave Carlos Drummond de Andrade!

Ave Confrades e Confreiras da Academia de Letras de Balneário Camboriú!

Muito obrigado.

Escrito por Academia de Letras, 06/08/2019 às 17h05 | elianarjz@gmail.com

HERANÇA

No contraste
vejo a tinta
maculando
a branca cor
são hibiscos
são meus riscos
despontando
com vigor
são palavras
soltas, loucas
sentimentos
ou momentos
dores, medos
ou andanças
tudo envolto
numa trança
e no papel
deixo herança
do que fica
quando vou.

Eliana Jimenez
Poesia selecionada para antologia, tema “A força da palavra escrita”:
PRÊMIO NACIONAL DE ARTES DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE TUPÃ – 4° FESTIVAL DE LITERATURA

Escrito por Academia de Letras, 29/07/2019 às 10h22 | elianarjz@gmail.com

O TEMPLÁRIO

O Templário, 12º livro do escritor Luiz Antonio Hecker Kappel, já está disponível para venda na Amazon.com

Toda a renda será revertida para a Associação Amor pra Down.


Extrato do prefácio escrito pela profa. Maisa Schmitz :

Neste seu novo livro, “O Templário”, Kappel deixa flagrar, logo no início, o seu olhar curioso e atento que dá lugar e valor a todas as personagens que encontra, tanto para enaltecer como para produzir questionamento, crítica, reflexão: “eu era um novato naquele horário, naquele ônibus que percorria mais de 100 km entre as prainhas onde embarcavam e desembarcavam todas as cores, cheiros e tamanhos... era um povo que não parava de entrar ou sair do ônibus... onde todos pareciam ser apenas um.” Ele transforma o ônibus coletivo no palco central desta sua nova história. O trivial, o cotidiano, o simples, o anonimato tem ali, uma nova roupagem; transforma-se em importante lugar de descobertas, encontros e reencontros para articulações, tomadas de decisões, resolver quebra-cabeças existenciais; (re)pensar o trabalho, arquitetar planos e desbaratar quadrilhas! As personagens, num primeiro momento incógnitas, assumem, logo em seguida, papéis, vida, nomes; tornam-se sujeitos. Ele próprio encarna uma personagem e através dela, veste-se de justiceiro, que, sem perder a humanidade, deliberadamente assume correr riscos no intuito de livrar familiares, amigos, o país e o mundo, da bandidagem. E a gente se identifica com isto e torce para que dê certo; embora um e outro possa não concordar com os meios, algumas justificativas e posicionamentos. De algum modo, todos que experimentamos um pouco de generosidade e empatia em relação ao outro, gostaríamos de ter algum poder para livrar o mundo dos males que o afligem. Estes que registram a história ou escrevem histórias utilizando sua poderosa ferramenta: a palavra; estão aí para motivar e despertar em cada um de nós, o interesse, o desejo de saber e ampliar horizontes. Através da leitura podemos acessar a fatos, ler e conversar; pesquisar, estudar, fazer e expandir consciência, aprender a investigar, discutir, argumentar e depois (re)formular e partilhar ideias e conceitos. Paulo Freire, explicita bem isto: “Com a palavra, o homem se faz homem. Ao dizer a sua palavra, pois, o homem assume conscientemente sua essencial condição humana”.

Escrito por Academia de Letras, 02/07/2019 às 09h52 | elianarjz@gmail.com

Seleção de poemas de Hang Ferrero

Dialética

nunca deveria ter dito o que disse; nunca. foi como esfriar a chama com a saliva entre os dedos, apagar as velas antes de servir o prato. tinha ela, à nuca, poros eriçados, tal qual a pele dela, o cheiro, tinha tudo.

nunca deveria ter esfriado, a vela ou o prato, nunca. tinha a pele, o cheiro, tal qual a chama, tudo dela e, entre os dedos ter dito o que disse, sem antes aos poros servir à nuca.

 

Plumbum

não cede

abusa das velharias desta máquina

revisa tabus

 

não cessa

delirante, pós-histórico

trata-me com prejuízo e dor

 

não recordo

das tratativas que se opõem

ao que chamo de jornada

 

à saber:

sê longa ainda ( a vida ) e

vejo tua boca irriquieta e amarela; é riso?

 

oh, éter

impetuosa consciência presa ao corpo

qual vingança

 

desgarra

solta qualquer quinhão da paz

ou forja-te ininteligível em mim

 

na desgraça

acovardo eu,

quais outros sacrifícios antevês?

Escrito por Academia de Letras, 19/06/2019 às 11h57 | elianarjz@gmail.com

Trovas tema outono

Com mágoas não perco o sono
e sigo, alegre, a cantar
pisando as folhas de outono
que enfeitam meu caminhar!

  • Antonio Juraci Siqueira
 

A idade é, por excelência,
a grande mestra do amor.
– É no outono da existência
que a paixão tem mais calor!

  • A. A. de Assis
 

Foste a pior das escolhas...
e no outono, em meus cansaços,
eu me sinto uma das folhas
que despencou dos teus braços.

  • Almerinda F. Liporage (Tita)
 

Pleno outono ... e em meu atalho,
sem um amor que me acolha,
invejo a sorte do orvalho
que se abriga em qualquer folha.

  • Edmar Japiassu Maia
 

Ressequidas e revoltas,
rolando sem direção,
lembranças são folhas soltas
no outono do coração.

  • Marina Gomes de Souza
 

Refaça ilusões frustradas!...
O outono nos dá a lição:
- Com folhas secas, pisadas,
tece tapetes... no chão!

  • Therezinha Dieguez Brisola
 

Folhas migradas de outono,
tais quais meus sonhos trincados,
vagam pelo chão, sem sono,
à demanda de outros prados...

  • Dáguima Verônica
 

Mesmo no outono da vida
continuo a caminhar,
piso a folha ressequida;
mas há luz em meu olhar!

  • Gislaine Canales
 

Numa profusão de cores
vem o outono, sedutor,
inspirar os sonhadores
num convite para o amor.

  • Eliana Jimenez
 

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