Jornal Página 3
Coluna
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

Cazuza no museu

No início da manhã, abaixo da pirâmide de vidro, uma fila começava a se formar rapidamente. Era visível a excitação das pessoas que aguardavam o horário de abertura.

Não se tratava da presença de nenhuma celebridade, nem um evento de tecnologia, muito pelo contrário. Tratava-se da visita ao maior museu do mundo. Dedicar um dia inteiro para visitar o Louvre, deixando a lindíssima capital francesa do lado de fora, deveria ter um importante significado que eu me propus a descobrir.

A história da arte e consequentemente da própria humanidade estava ali, peça por peça, galeria por galeria. Poses e paisagens, com seus contextos de moral, costumes e religião. Instantâneos capturados por almas talentosas capazes de manipular luz e sombra ou de moldar tecidos transparentes em blocos de mármore.

De repente, minha brasilidade aflorou na música de Cazuza “vejo um museu de grandes novidades”. Em outro verso, da mesma canção, cantarolei “o tempo não para, não para não, não para...”.

Olhei pela janela. Lá fora o movimento mostrava que o tempo e a pressa estão intimamente ligados e ambos não cessam. Lá dentro, no entanto, o tempo não era importante diante da contemplação das mais lindas e interessantes obras já produzidas.

Cenas bucólicas, pintadas numa tarde de luz outonal, me alvejavam o coração. Será que todos sentiam a mesma coisa que eu? Um misto de arrebatamento e gratidão?

Fiquei pensando nas crianças e seus brinquedos eletrônicos. Será que para essa nova geração a visita ao museu seria algo interessante?

Comecei a reparar nas famílias com filhos pequenos. Vi um menininho puxando a roupa de sua mãe para chamar a atenção. Curiosa, me aproximei. Eram brasileiros. O menininho dizia numa evidente expectativa:

- Mãe, cadê a Monalisa?

Senti muita alegria por ter presenciado essa cena. Só a arte tem o poder de aproximar pessoas que viveram em tão diferentes épocas e realidades, ignorando as diferenças intergeracionais.

Anoiteceu. O museu já anunciava o encerramento das atividades. Um dia memorável chegava ao final. Ainda estava com a mesma trilha sonora tilintando no pensamento. É claro que o tempo não para, mas quando a sensibilidade e o sentimento estão no comando, cada minuto pode render uma eternidade.

Autoria: Eliana Jimenez

Escrito por Academia de Letras, 08/04/2019 às 11h24 | elianarjz@gmail.com

Frases de Odir Antônio Lehmkuhl

Muitas das nossas certezas são apenas incertezas dos nossos pensares incertos.

 

Já é tempo de se entender que não se pode trocar bens materiais por favores espirituais.

 

Cada um abraça a vida do seu jeito, isso é lógico! Será que existe certeza na lógica? Retórica paradoxal!

 

Não é bom que a prepotência, orgulho, arrogância e piolhos, subam em nossas cabeças!

 

Para escutar a mensagem do tempo, até o vento se cala!

 

Cada cabeça é uma sentença, como cada sapato é para um pé!

 

Mato seco acabado, por ele uma nuvem chorou!

O mato ficou molhado e, agradecido, brotou!

 

Apontar erros alheios é ridícula tentativa de aparentar ser o melhor!

 

Até o vento não ajuda quem não sabe velejar!

 

Na vida não existem retornos, não podemos mudar o passado; mas no presente, podemos construir melhor o futuro!

Escrito por Academia de Letras, 02/04/2019 às 10h33 | elianarjz@gmail.com

Poemas de Hang Ferrero

No meu peito,
uma tempestade incessante.
O meu coração prefere a mansidão,
mas não tem jeito:
o vendaval é mais confiante.


Porque tudo tem ritmo na mata,
na verde mata dos duendes
que oferecem chás e comilança
e até algumas gemas, nas pontas,
das preciosas zarabatanas
de hortelã.


Fechar os olhos agora,
é como brecha de nuvem e,
pensamento, é luz de espanto.

Quanto cabe em um?
O que quero tanto, em um?
Meu lar, na tempestade solar
Meus 99 sóis mais tu.

Escrito por Academia de Letras, 27/03/2019 às 11h26 | elianarjz@gmail.com

Homenagem à poesia e convite

Ser Poeta

Ser poeta é tão somente ser criança,
com o joelho eternamente machucado.
É correr pelo terreno capinado
e procurar no concreto envelhecido
a flor do campo nascida num jazigo.

É libertar-se mesmo preso a convenções,
sorver o sumo de fugazes alegrias.
É desfrutar de sentimentos sem razão
e inventar que borboletas fugidias
podem enfim centrifugar o coração.

É relembrar de seduções que não viveu
em tempos idos de tornozelos escondidos
com carruagens de trotes compassados,
levantando a poeira enquanto os anos
vão desfocando os flashes do passado.

É sentir o vento fresco num deserto
e calafrios onde o sol brilha ou deveria.
Apropriar-se de vidas outras, divergentes,
e em breve êxtase transpor à poesia
o que não sente ou o que sentirá um dia.

Eliana Jimenez
1º. Lugar do II Concurso Nacional de Poesias
"Narciso Araújo" da Academia de Artes, Cultura e Letras
de Marataízes/ES - 2013

Escrito por Academia de Letras, 18/03/2019 às 13h44 | elianarjz@gmail.com

Lei Maria da Penha

À Maria da Penha Maia Fernandes que deu nome à Lei 11.340/06

No alto da Penha
uma ladeira inteira
de maus-tratos ao coração.

Uma vida inteira
com verbos sem ligação
que com labor e luta
deu um basta na agressão.

E assim, caminho aberto,
pôs a mulher no rumo certo
com direito de trabalhar,
ir e vir, sonhar e amar.

Maria, com muito orgulho,
somos também, no mesmo tom,
nessa marcha de guerreiras,
mas guerreiras de batom!

Eliana Jimenez

Créditos da imagem: Criador:carolinam - Informações extraídas do IPTC Photo Metadata

Escrito por Academia de Letras, 08/03/2019 às 08h50 | elianarjz@gmail.com

DOIS DEDOS

Conceda-me dois dedos de prosa
É a distância entre duas arvores
Onde estão pendurados
Pedaços de sonhos que o vento carregou
Me dê dois dedos
os coloco na presença do meu olhar
para tatuar impressões digitais
nas retinas do tempo
me dê dois sóis de setembro entre
a distância das arvores
me dê
uma prosa
me dê
uma esquina de pensamento
me dê
que enlouqueço com o que
me dás.


By MLK
Maria Luiza Kuhn
2019

Escrito por Academia de Letras, 27/02/2019 às 12h56 | elianarjz@gmail.com



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Academia de Letras

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Cazuza no museu

No início da manhã, abaixo da pirâmide de vidro, uma fila começava a se formar rapidamente. Era visível a excitação das pessoas que aguardavam o horário de abertura.

Não se tratava da presença de nenhuma celebridade, nem um evento de tecnologia, muito pelo contrário. Tratava-se da visita ao maior museu do mundo. Dedicar um dia inteiro para visitar o Louvre, deixando a lindíssima capital francesa do lado de fora, deveria ter um importante significado que eu me propus a descobrir.

A história da arte e consequentemente da própria humanidade estava ali, peça por peça, galeria por galeria. Poses e paisagens, com seus contextos de moral, costumes e religião. Instantâneos capturados por almas talentosas capazes de manipular luz e sombra ou de moldar tecidos transparentes em blocos de mármore.

De repente, minha brasilidade aflorou na música de Cazuza “vejo um museu de grandes novidades”. Em outro verso, da mesma canção, cantarolei “o tempo não para, não para não, não para...”.

Olhei pela janela. Lá fora o movimento mostrava que o tempo e a pressa estão intimamente ligados e ambos não cessam. Lá dentro, no entanto, o tempo não era importante diante da contemplação das mais lindas e interessantes obras já produzidas.

Cenas bucólicas, pintadas numa tarde de luz outonal, me alvejavam o coração. Será que todos sentiam a mesma coisa que eu? Um misto de arrebatamento e gratidão?

Fiquei pensando nas crianças e seus brinquedos eletrônicos. Será que para essa nova geração a visita ao museu seria algo interessante?

Comecei a reparar nas famílias com filhos pequenos. Vi um menininho puxando a roupa de sua mãe para chamar a atenção. Curiosa, me aproximei. Eram brasileiros. O menininho dizia numa evidente expectativa:

- Mãe, cadê a Monalisa?

Senti muita alegria por ter presenciado essa cena. Só a arte tem o poder de aproximar pessoas que viveram em tão diferentes épocas e realidades, ignorando as diferenças intergeracionais.

Anoiteceu. O museu já anunciava o encerramento das atividades. Um dia memorável chegava ao final. Ainda estava com a mesma trilha sonora tilintando no pensamento. É claro que o tempo não para, mas quando a sensibilidade e o sentimento estão no comando, cada minuto pode render uma eternidade.

Autoria: Eliana Jimenez

Escrito por Academia de Letras, 08/04/2019 às 11h24 | elianarjz@gmail.com

Frases de Odir Antônio Lehmkuhl

Muitas das nossas certezas são apenas incertezas dos nossos pensares incertos.

 

Já é tempo de se entender que não se pode trocar bens materiais por favores espirituais.

 

Cada um abraça a vida do seu jeito, isso é lógico! Será que existe certeza na lógica? Retórica paradoxal!

 

Não é bom que a prepotência, orgulho, arrogância e piolhos, subam em nossas cabeças!

 

Para escutar a mensagem do tempo, até o vento se cala!

 

Cada cabeça é uma sentença, como cada sapato é para um pé!

 

Mato seco acabado, por ele uma nuvem chorou!

O mato ficou molhado e, agradecido, brotou!

 

Apontar erros alheios é ridícula tentativa de aparentar ser o melhor!

 

Até o vento não ajuda quem não sabe velejar!

 

Na vida não existem retornos, não podemos mudar o passado; mas no presente, podemos construir melhor o futuro!

Escrito por Academia de Letras, 02/04/2019 às 10h33 | elianarjz@gmail.com

Poemas de Hang Ferrero

No meu peito,
uma tempestade incessante.
O meu coração prefere a mansidão,
mas não tem jeito:
o vendaval é mais confiante.


Porque tudo tem ritmo na mata,
na verde mata dos duendes
que oferecem chás e comilança
e até algumas gemas, nas pontas,
das preciosas zarabatanas
de hortelã.


Fechar os olhos agora,
é como brecha de nuvem e,
pensamento, é luz de espanto.

Quanto cabe em um?
O que quero tanto, em um?
Meu lar, na tempestade solar
Meus 99 sóis mais tu.

Escrito por Academia de Letras, 27/03/2019 às 11h26 | elianarjz@gmail.com

Homenagem à poesia e convite

Ser Poeta

Ser poeta é tão somente ser criança,
com o joelho eternamente machucado.
É correr pelo terreno capinado
e procurar no concreto envelhecido
a flor do campo nascida num jazigo.

É libertar-se mesmo preso a convenções,
sorver o sumo de fugazes alegrias.
É desfrutar de sentimentos sem razão
e inventar que borboletas fugidias
podem enfim centrifugar o coração.

É relembrar de seduções que não viveu
em tempos idos de tornozelos escondidos
com carruagens de trotes compassados,
levantando a poeira enquanto os anos
vão desfocando os flashes do passado.

É sentir o vento fresco num deserto
e calafrios onde o sol brilha ou deveria.
Apropriar-se de vidas outras, divergentes,
e em breve êxtase transpor à poesia
o que não sente ou o que sentirá um dia.

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"Narciso Araújo" da Academia de Artes, Cultura e Letras
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Lei Maria da Penha

À Maria da Penha Maia Fernandes que deu nome à Lei 11.340/06

No alto da Penha
uma ladeira inteira
de maus-tratos ao coração.

Uma vida inteira
com verbos sem ligação
que com labor e luta
deu um basta na agressão.

E assim, caminho aberto,
pôs a mulher no rumo certo
com direito de trabalhar,
ir e vir, sonhar e amar.

Maria, com muito orgulho,
somos também, no mesmo tom,
nessa marcha de guerreiras,
mas guerreiras de batom!

Eliana Jimenez

Créditos da imagem: Criador:carolinam - Informações extraídas do IPTC Photo Metadata

Escrito por Academia de Letras, 08/03/2019 às 08h50 | elianarjz@gmail.com

DOIS DEDOS

Conceda-me dois dedos de prosa
É a distância entre duas arvores
Onde estão pendurados
Pedaços de sonhos que o vento carregou
Me dê dois dedos
os coloco na presença do meu olhar
para tatuar impressões digitais
nas retinas do tempo
me dê dois sóis de setembro entre
a distância das arvores
me dê
uma prosa
me dê
uma esquina de pensamento
me dê
que enlouqueço com o que
me dás.


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Maria Luiza Kuhn
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