Jornal Página 3
Coluna
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

HERANÇA

No contraste
vejo a tinta
maculando
a branca cor
são hibiscos
são meus riscos
despontando
com vigor
são palavras
soltas, loucas
sentimentos
ou momentos
dores, medos
ou andanças
tudo envolto
numa trança
e no papel
deixo herança
do que fica
quando vou.

Eliana Jimenez

Poesia selecionada para antologia, tema “A força da palavra escrita”:
 PRÊMIO NACIONAL DE ARTES DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE TUPÃ – 4° FESTIVAL DE LITERATURA - 2013

Escrito por Academia de Letras, 29/11/2018 às 14h47 | elianarjz@gmail.com

Vou-me embora pra Pasárgada

Foi feito um “brain storm” com os Acadêmicos a respeito dos sentimentos despertados pela leitura do poema de Manuel Bandeira, “Vou-me embora pra Pasárgada”. Abaixo alguns dos resultados:

Voltando de Pasárgada
Alvírio Silvestrin

Voltando de Pasárgada
Por setenta anos
assisti às mudanças de estação,
vi a vida vibrante do verão,
a brilhante morte do outono,
a silenciosa sepulture do inverno.
Vi a ressureição da primavera,
o nascimento glorioso da vida nova.
Meu pai e o pai de meu pai
viram bem antes de mim,
mas eles não foram a Pasárgada.
Eu fui, pisei a areia escandante, a
o lado da tumba de Ciro, o Grande,
na Pérsia antiga e no Irã de hoje,
procurei, mas não vi o Bandeira,
nem o Rei e as prostitutas dele.
Não tomei banho no Mar, não há!
Também não há bicicleta para andar.
Sem a vida fácil imaginária, do Manuel,
muitas vezes pensei em partir.
Viver lá, é uma louca aventura!
Queimado pelos raios do astro-rei,
parti de Pasárgada, porque lá,
ninguém ve o retorno dos pássaros,
também em nada reparam nos brotos
e nas flores das árvores; não há!

 

Minha Pasárgada
Eliana Jimenez

Pasárgada é barco grande
um veleiro, quase navio
que navega em alto mar
na chuva e no estio.

Vai em busca de ilhotas
e de terras tão distantes
com cachoeiras bonitas
e de águas espumantes.

Comigo vão os amigos
que gostam de cozinhar
nas paradas eu faço feira
e eles preparam o jantar.

Vou levar também aquele
que me pulsa o coração
porque em noites de luar
é preciso uma paixão.

Pasárgada não é destino
para mim é a jornada
porque é o deslocamento
que faz valer a caminhada.

Escrito por Academia de Letras, 22/11/2018 às 09h38 | elianarjz@gmail.com

Polarização e Facebook

A queda de Roma não se deu no virar da página do livro de história. As mudanças são processos. Não faz muito tempo era o Orkut a rede social que fazia sucesso e concentrava nossos amigos e grupos. Hoje nem mais existe. Quem não se lembra do MSN para troca de mensagens? Atualmente a unanimidade é o WhatsApp.

A polarização gerada pela política pode fazer como vítima de bala perdida aquele transeunte que nem sabia que estava ocorrendo um tiroteio: o Facebook.

Essa rede social, que tanto se expandiu, que revelou caminhos compartilhados num simples “check in” onde se postava o restaurante, a casa da cunhada, o prato de almoço ou jantar parece estremecer. Entraram os amigos, depois os pais, os tios, os avós, aqueles que não encontrávamos há 30 anos, e se fez uma rede gigantesca, onde o cardume humano entrou para ser apanhado.

O excesso de exposição gerou enfraquecimento da segurança pessoal mas, pior que isso, aflorou nossas ebulições internas. No churrasco regado a cerveja, a discórdia passa longe dos “grenais” e “flaflus”. Os posicionamentos se distanciaram do Equador. Cada um em seu polo congelado de convicção.

Não existem mais papos mornos em noites enluaradas, apenas a vontade que o outro se cale, que seja breve, que a palavra volte para nós para discorrermos sobre nossas certezas.
E nessa contemporaneidade, as convicções são escarpas intransponíveis, beirando o absoluto.
Só se seguem os assemelhados. Para os demais, o sono de 30 dias e para os radicais, no sentido oposto, um clique para parar de seguir, uma vez que a exclusão significa o maior dos desacatos, um assassinato virtual sem atenuantes.

As redes sociais continuam fortes, nossos celulares são a extensão natural de nossas mãos e olhos.
Mas os ventos mudam, o dinheiro troca de mãos, novas necessidades são criadas disputando nossa atenção. Muita gente já frequenta outras plataformas e diz que não olha mais o Facebook. No redemoinho humano, a rede social poderá ser a próxima vítima.

Eliana Jimenez
Presidente da ALBC

Escrito por Academia de Letras, 07/11/2018 às 11h30 | elianarjz@gmail.com

O livro e o professor

Homenagem da ALBC - Academia de Letras de Balneário Camboriú ao dia do professor

Abrem o livro
de cores intensas
profundas mensagens
na sala de aula.

Desfilam os mestres
em seus pedestais
Drummond e Bilac
em tons magistrais.

Pintores, autores
vão ser retratados
nas folhas macias
tão bem decoradas.

Despertam talvez
a arte escondida
no aluno que vê
na aluna que lê.

E aí professor,
aí está você
em meio aos grandes
é grande também
alcançando o sentido
de fazer o bem.

Escrito por Academia de Letras, 15/10/2018 às 10h19 | elianarjz@gmail.com

CORDÃO ETERNO

No colo, o filho
nas mãos, o livro:
leitura.
Olhinhos brilhantes
sorriso aberto
dedinhos
tocando figuras:
curiosidade.
A trama se inunda
de porquês.
A mãe explica
floreia
recria
recreio
prepara o caminho
de um novo leitor.
O pequeno herói
das fábulas e aventuras
se rende ao sono.
Na cama,
o aconchego.
O livro aguarda
no aparador.
No dia seguinte
um novo ritual
que para sempre
será saudade.
Mãe e filho
cordão umbilical
de leitura e amor.


Eliana Jimenez

Selecionado para Antologia:
5º Prêmio Literário Sérgio Farina - São Leopoldo - RS

Escrito por Academia de Letras, 08/10/2018 às 14h40 | elianarjz@gmail.com

Teus olhos serenos

Teu Corpo eterno,
No aguardo do tempo
O brilho da alma!
O febril sentimento
Eu falo em versos
Diversos, inversos
Mantenho a distância
Do teu teorema
Tua língua na minha
Meu velho dilema
Amar sem medidas
Com nós e feridas
Desato , num ato
Num simples poema.

Audo Morel da Silva

Escrito por Academia de Letras, 19/09/2018 às 17h50 | elianarjz@gmail.com



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HERANÇA

No contraste
vejo a tinta
maculando
a branca cor
são hibiscos
são meus riscos
despontando
com vigor
são palavras
soltas, loucas
sentimentos
ou momentos
dores, medos
ou andanças
tudo envolto
numa trança
e no papel
deixo herança
do que fica
quando vou.

Eliana Jimenez

Poesia selecionada para antologia, tema “A força da palavra escrita”:
 PRÊMIO NACIONAL DE ARTES DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE TUPÃ – 4° FESTIVAL DE LITERATURA - 2013

Escrito por Academia de Letras, 29/11/2018 às 14h47 | elianarjz@gmail.com

Vou-me embora pra Pasárgada

Foi feito um “brain storm” com os Acadêmicos a respeito dos sentimentos despertados pela leitura do poema de Manuel Bandeira, “Vou-me embora pra Pasárgada”. Abaixo alguns dos resultados:

Voltando de Pasárgada
Alvírio Silvestrin

Voltando de Pasárgada
Por setenta anos
assisti às mudanças de estação,
vi a vida vibrante do verão,
a brilhante morte do outono,
a silenciosa sepulture do inverno.
Vi a ressureição da primavera,
o nascimento glorioso da vida nova.
Meu pai e o pai de meu pai
viram bem antes de mim,
mas eles não foram a Pasárgada.
Eu fui, pisei a areia escandante, a
o lado da tumba de Ciro, o Grande,
na Pérsia antiga e no Irã de hoje,
procurei, mas não vi o Bandeira,
nem o Rei e as prostitutas dele.
Não tomei banho no Mar, não há!
Também não há bicicleta para andar.
Sem a vida fácil imaginária, do Manuel,
muitas vezes pensei em partir.
Viver lá, é uma louca aventura!
Queimado pelos raios do astro-rei,
parti de Pasárgada, porque lá,
ninguém ve o retorno dos pássaros,
também em nada reparam nos brotos
e nas flores das árvores; não há!

 

Minha Pasárgada
Eliana Jimenez

Pasárgada é barco grande
um veleiro, quase navio
que navega em alto mar
na chuva e no estio.

Vai em busca de ilhotas
e de terras tão distantes
com cachoeiras bonitas
e de águas espumantes.

Comigo vão os amigos
que gostam de cozinhar
nas paradas eu faço feira
e eles preparam o jantar.

Vou levar também aquele
que me pulsa o coração
porque em noites de luar
é preciso uma paixão.

Pasárgada não é destino
para mim é a jornada
porque é o deslocamento
que faz valer a caminhada.

Escrito por Academia de Letras, 22/11/2018 às 09h38 | elianarjz@gmail.com

Polarização e Facebook

A queda de Roma não se deu no virar da página do livro de história. As mudanças são processos. Não faz muito tempo era o Orkut a rede social que fazia sucesso e concentrava nossos amigos e grupos. Hoje nem mais existe. Quem não se lembra do MSN para troca de mensagens? Atualmente a unanimidade é o WhatsApp.

A polarização gerada pela política pode fazer como vítima de bala perdida aquele transeunte que nem sabia que estava ocorrendo um tiroteio: o Facebook.

Essa rede social, que tanto se expandiu, que revelou caminhos compartilhados num simples “check in” onde se postava o restaurante, a casa da cunhada, o prato de almoço ou jantar parece estremecer. Entraram os amigos, depois os pais, os tios, os avós, aqueles que não encontrávamos há 30 anos, e se fez uma rede gigantesca, onde o cardume humano entrou para ser apanhado.

O excesso de exposição gerou enfraquecimento da segurança pessoal mas, pior que isso, aflorou nossas ebulições internas. No churrasco regado a cerveja, a discórdia passa longe dos “grenais” e “flaflus”. Os posicionamentos se distanciaram do Equador. Cada um em seu polo congelado de convicção.

Não existem mais papos mornos em noites enluaradas, apenas a vontade que o outro se cale, que seja breve, que a palavra volte para nós para discorrermos sobre nossas certezas.
E nessa contemporaneidade, as convicções são escarpas intransponíveis, beirando o absoluto.
Só se seguem os assemelhados. Para os demais, o sono de 30 dias e para os radicais, no sentido oposto, um clique para parar de seguir, uma vez que a exclusão significa o maior dos desacatos, um assassinato virtual sem atenuantes.

As redes sociais continuam fortes, nossos celulares são a extensão natural de nossas mãos e olhos.
Mas os ventos mudam, o dinheiro troca de mãos, novas necessidades são criadas disputando nossa atenção. Muita gente já frequenta outras plataformas e diz que não olha mais o Facebook. No redemoinho humano, a rede social poderá ser a próxima vítima.

Eliana Jimenez
Presidente da ALBC

Escrito por Academia de Letras, 07/11/2018 às 11h30 | elianarjz@gmail.com

O livro e o professor

Homenagem da ALBC - Academia de Letras de Balneário Camboriú ao dia do professor

Abrem o livro
de cores intensas
profundas mensagens
na sala de aula.

Desfilam os mestres
em seus pedestais
Drummond e Bilac
em tons magistrais.

Pintores, autores
vão ser retratados
nas folhas macias
tão bem decoradas.

Despertam talvez
a arte escondida
no aluno que vê
na aluna que lê.

E aí professor,
aí está você
em meio aos grandes
é grande também
alcançando o sentido
de fazer o bem.

Escrito por Academia de Letras, 15/10/2018 às 10h19 | elianarjz@gmail.com

CORDÃO ETERNO

No colo, o filho
nas mãos, o livro:
leitura.
Olhinhos brilhantes
sorriso aberto
dedinhos
tocando figuras:
curiosidade.
A trama se inunda
de porquês.
A mãe explica
floreia
recria
recreio
prepara o caminho
de um novo leitor.
O pequeno herói
das fábulas e aventuras
se rende ao sono.
Na cama,
o aconchego.
O livro aguarda
no aparador.
No dia seguinte
um novo ritual
que para sempre
será saudade.
Mãe e filho
cordão umbilical
de leitura e amor.


Eliana Jimenez

Selecionado para Antologia:
5º Prêmio Literário Sérgio Farina - São Leopoldo - RS

Escrito por Academia de Letras, 08/10/2018 às 14h40 | elianarjz@gmail.com

Teus olhos serenos

Teu Corpo eterno,
No aguardo do tempo
O brilho da alma!
O febril sentimento
Eu falo em versos
Diversos, inversos
Mantenho a distância
Do teu teorema
Tua língua na minha
Meu velho dilema
Amar sem medidas
Com nós e feridas
Desato , num ato
Num simples poema.

Audo Morel da Silva

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