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Coluna
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

1º. Lugar em Crônica - Prêmio Mario Sergio Cortella

Concurso Literário da 16ª. Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto - 2016


Drummond em Copacabana (foto: Blog Estrela Binária)

Tema:
"A beleza não está nem na luz da manhã, nem na sombra da noite, está no crepúsculo, nesse meio tom, nessa incerteza."
Lygia Fagundes Telles

A transposição das pedras

Sentei bem pertinho do poeta, no banco de concreto, frente ao mar.
Um estranho contentamento me tomou. Ofereci a ele o meu melhor sorriso. Ele me correspondeu com o reflexo do sol em seu olhar por trás dos óculos empoeirados.
Titubeei na etiqueta. Não sabia se deveria me dirigir a ele como Carlos, afinal eu o conhecia desde o meu primeiro livro de literatura. Melhor seria ser mais respeitosa, decidi usar Sr. Drummond. Pousei minha mão sobre a dele, num contrassenso com a formalidade escolhida.
- Como devo transpor as pedras do caminho? Como ver a beleza além do excesso de luz ou das sombras dos que me acompanham na caminhada? – perguntei.
Seu semblante permaneceu imóvel, perpetuado num invólucro de bronze.
- Como poderia me responder?
De costas para o mar, o poeta não viu o espetáculo que o sol apresentava ao tingir o céu de tons de fogo, até sua última reverência antes do mergulho no horizonte, cedendo assim o palco para que a noite se fizesse estrelada. Nos meios tons do crepúsculo, as incertezas são inspiradoras.
A resposta às minhas dúvidas estaria na própria vida de Drummond, servidor público, modesto e recatado, mas que deixou um trabalho que é um dos mais importantes da literatura brasileira e que continuará influenciando as novas gerações, fazendo com que permaneça vivo muito além de seu tempo.
Conclui que a beleza não está na luz que ofusca quem também quer iluminar nem na sombra provocada por quem quer se agigantar.
A beleza está no legado que cada um vai deixar.

Escrito por Academia de Letras, 17/08/2018 às 10h01 | elianarjz@gmail.com



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Sentei bem pertinho do poeta, no banco de concreto, frente ao mar.
Um estranho contentamento me tomou. Ofereci a ele o meu melhor sorriso. Ele me correspondeu com o reflexo do sol em seu olhar por trás dos óculos empoeirados.
Titubeei na etiqueta. Não sabia se deveria me dirigir a ele como Carlos, afinal eu o conhecia desde o meu primeiro livro de literatura. Melhor seria ser mais respeitosa, decidi usar Sr. Drummond. Pousei minha mão sobre a dele, num contrassenso com a formalidade escolhida.
- Como devo transpor as pedras do caminho? Como ver a beleza além do excesso de luz ou das sombras dos que me acompanham na caminhada? – perguntei.
Seu semblante permaneceu imóvel, perpetuado num invólucro de bronze.
- Como poderia me responder?
De costas para o mar, o poeta não viu o espetáculo que o sol apresentava ao tingir o céu de tons de fogo, até sua última reverência antes do mergulho no horizonte, cedendo assim o palco para que a noite se fizesse estrelada. Nos meios tons do crepúsculo, as incertezas são inspiradoras.
A resposta às minhas dúvidas estaria na própria vida de Drummond, servidor público, modesto e recatado, mas que deixou um trabalho que é um dos mais importantes da literatura brasileira e que continuará influenciando as novas gerações, fazendo com que permaneça vivo muito além de seu tempo.
Conclui que a beleza não está na luz que ofusca quem também quer iluminar nem na sombra provocada por quem quer se agigantar.
A beleza está no legado que cada um vai deixar.

Escrito por Academia de Letras, 17/08/2018 às 10h01 | elianarjz@gmail.com



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