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Coluna
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

Polarização e Facebook

A queda de Roma não se deu no virar da página do livro de história. As mudanças são processos. Não faz muito tempo era o Orkut a rede social que fazia sucesso e concentrava nossos amigos e grupos. Hoje nem mais existe. Quem não se lembra do MSN para troca de mensagens? Atualmente a unanimidade é o WhatsApp.

A polarização gerada pela política pode fazer como vítima de bala perdida aquele transeunte que nem sabia que estava ocorrendo um tiroteio: o Facebook.

Essa rede social, que tanto se expandiu, que revelou caminhos compartilhados num simples “check in” onde se postava o restaurante, a casa da cunhada, o prato de almoço ou jantar parece estremecer. Entraram os amigos, depois os pais, os tios, os avós, aqueles que não encontrávamos há 30 anos, e se fez uma rede gigantesca, onde o cardume humano entrou para ser apanhado.

O excesso de exposição gerou enfraquecimento da segurança pessoal mas, pior que isso, aflorou nossas ebulições internas. No churrasco regado a cerveja, a discórdia passa longe dos “grenais” e “flaflus”. Os posicionamentos se distanciaram do Equador. Cada um em seu polo congelado de convicção.

Não existem mais papos mornos em noites enluaradas, apenas a vontade que o outro se cale, que seja breve, que a palavra volte para nós para discorrermos sobre nossas certezas.
E nessa contemporaneidade, as convicções são escarpas intransponíveis, beirando o absoluto.
Só se seguem os assemelhados. Para os demais, o sono de 30 dias e para os radicais, no sentido oposto, um clique para parar de seguir, uma vez que a exclusão significa o maior dos desacatos, um assassinato virtual sem atenuantes.

As redes sociais continuam fortes, nossos celulares são a extensão natural de nossas mãos e olhos.
Mas os ventos mudam, o dinheiro troca de mãos, novas necessidades são criadas disputando nossa atenção. Muita gente já frequenta outras plataformas e diz que não olha mais o Facebook. No redemoinho humano, a rede social poderá ser a próxima vítima.

Eliana Jimenez
Presidente da ALBC

Escrito por Academia de Letras, 07/11/2018 às 11h30 | elianarjz@gmail.com



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A queda de Roma não se deu no virar da página do livro de história. As mudanças são processos. Não faz muito tempo era o Orkut a rede social que fazia sucesso e concentrava nossos amigos e grupos. Hoje nem mais existe. Quem não se lembra do MSN para troca de mensagens? Atualmente a unanimidade é o WhatsApp.

A polarização gerada pela política pode fazer como vítima de bala perdida aquele transeunte que nem sabia que estava ocorrendo um tiroteio: o Facebook.

Essa rede social, que tanto se expandiu, que revelou caminhos compartilhados num simples “check in” onde se postava o restaurante, a casa da cunhada, o prato de almoço ou jantar parece estremecer. Entraram os amigos, depois os pais, os tios, os avós, aqueles que não encontrávamos há 30 anos, e se fez uma rede gigantesca, onde o cardume humano entrou para ser apanhado.

O excesso de exposição gerou enfraquecimento da segurança pessoal mas, pior que isso, aflorou nossas ebulições internas. No churrasco regado a cerveja, a discórdia passa longe dos “grenais” e “flaflus”. Os posicionamentos se distanciaram do Equador. Cada um em seu polo congelado de convicção.

Não existem mais papos mornos em noites enluaradas, apenas a vontade que o outro se cale, que seja breve, que a palavra volte para nós para discorrermos sobre nossas certezas.
E nessa contemporaneidade, as convicções são escarpas intransponíveis, beirando o absoluto.
Só se seguem os assemelhados. Para os demais, o sono de 30 dias e para os radicais, no sentido oposto, um clique para parar de seguir, uma vez que a exclusão significa o maior dos desacatos, um assassinato virtual sem atenuantes.

As redes sociais continuam fortes, nossos celulares são a extensão natural de nossas mãos e olhos.
Mas os ventos mudam, o dinheiro troca de mãos, novas necessidades são criadas disputando nossa atenção. Muita gente já frequenta outras plataformas e diz que não olha mais o Facebook. No redemoinho humano, a rede social poderá ser a próxima vítima.

Eliana Jimenez
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Escrito por Academia de Letras, 07/11/2018 às 11h30 | elianarjz@gmail.com



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