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Coluna
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

Mariana e Brumadinho

Num tom profético, Carlos Drummond de Andrade publicou o poema "Lira Itabirana" no Jornal Cometa Itabirano, em 1984:

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Por todo o país, poetas transformam o sentimento de dor em poemas como esses abaixo:

Mariana e Brumadinho
tristes destinos iguais:
Os dois vão pagando o preço
da tristeza dos seus ais;
e a ganância dos minérios
fez deles, dois cemitérios
da rota dos lamaçais!

Prof. Francisco Garcia, Caicó/RN

POR QUEM MAIS AINDA OS SINOS DOBRARÃO?
Mariana e Brumadinho são aquelas
Construídas no caminho da tormenta!
Soçobraram sob as mais cruéis procelas
Na cruel realidade lamacenta.

E as paisagens quais sublimes aquarelas
Sucumbiram à hecatombe mais sangrenta
Qual tragédias que seguiam paralelas
Filhas, sim, da realidade fraudulenta.

Qual o preço recebido, deputado?
E a barragem sendo assim, mal construída?
E do que é feito, enfim, seu coração?

Jaz o irmão, lá, sob o barro, sepultado,
Que pagou por sua cobiça com a vida!
Por quem mais ainda os sinos dobrarão?

JB Xavier, São Paulo - SP

Escrito por Academia de Letras, 31/01/2019 às 10h35 | elianarjz@gmail.com



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Num tom profético, Carlos Drummond de Andrade publicou o poema "Lira Itabirana" no Jornal Cometa Itabirano, em 1984:

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Por todo o país, poetas transformam o sentimento de dor em poemas como esses abaixo:

Mariana e Brumadinho
tristes destinos iguais:
Os dois vão pagando o preço
da tristeza dos seus ais;
e a ganância dos minérios
fez deles, dois cemitérios
da rota dos lamaçais!

Prof. Francisco Garcia, Caicó/RN

POR QUEM MAIS AINDA OS SINOS DOBRARÃO?
Mariana e Brumadinho são aquelas
Construídas no caminho da tormenta!
Soçobraram sob as mais cruéis procelas
Na cruel realidade lamacenta.

E as paisagens quais sublimes aquarelas
Sucumbiram à hecatombe mais sangrenta
Qual tragédias que seguiam paralelas
Filhas, sim, da realidade fraudulenta.

Qual o preço recebido, deputado?
E a barragem sendo assim, mal construída?
E do que é feito, enfim, seu coração?

Jaz o irmão, lá, sob o barro, sepultado,
Que pagou por sua cobiça com a vida!
Por quem mais ainda os sinos dobrarão?

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