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Coluna
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

Cazuza no museu

No início da manhã, abaixo da pirâmide de vidro, uma fila começava a se formar rapidamente. Era visível a excitação das pessoas que aguardavam o horário de abertura.

Não se tratava da presença de nenhuma celebridade, nem um evento de tecnologia, muito pelo contrário. Tratava-se da visita ao maior museu do mundo. Dedicar um dia inteiro para visitar o Louvre, deixando a lindíssima capital francesa do lado de fora, deveria ter um importante significado que eu me propus a descobrir.

A história da arte e consequentemente da própria humanidade estava ali, peça por peça, galeria por galeria. Poses e paisagens, com seus contextos de moral, costumes e religião. Instantâneos capturados por almas talentosas capazes de manipular luz e sombra ou de moldar tecidos transparentes em blocos de mármore.

De repente, minha brasilidade aflorou na música de Cazuza “vejo um museu de grandes novidades”. Em outro verso, da mesma canção, cantarolei “o tempo não para, não para não, não para...”.

Olhei pela janela. Lá fora o movimento mostrava que o tempo e a pressa estão intimamente ligados e ambos não cessam. Lá dentro, no entanto, o tempo não era importante diante da contemplação das mais lindas e interessantes obras já produzidas.

Cenas bucólicas, pintadas numa tarde de luz outonal, me alvejavam o coração. Será que todos sentiam a mesma coisa que eu? Um misto de arrebatamento e gratidão?

Fiquei pensando nas crianças e seus brinquedos eletrônicos. Será que para essa nova geração a visita ao museu seria algo interessante?

Comecei a reparar nas famílias com filhos pequenos. Vi um menininho puxando a roupa de sua mãe para chamar a atenção. Curiosa, me aproximei. Eram brasileiros. O menininho dizia numa evidente expectativa:

- Mãe, cadê a Monalisa?

Senti muita alegria por ter presenciado essa cena. Só a arte tem o poder de aproximar pessoas que viveram em tão diferentes épocas e realidades, ignorando as diferenças intergeracionais.

Anoiteceu. O museu já anunciava o encerramento das atividades. Um dia memorável chegava ao final. Ainda estava com a mesma trilha sonora tilintando no pensamento. É claro que o tempo não para, mas quando a sensibilidade e o sentimento estão no comando, cada minuto pode render uma eternidade.

 

Escrito por Academia de Letras, 08/04/2019 às 11h24 | elianarjz@gmail.com



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No início da manhã, abaixo da pirâmide de vidro, uma fila começava a se formar rapidamente. Era visível a excitação das pessoas que aguardavam o horário de abertura.

Não se tratava da presença de nenhuma celebridade, nem um evento de tecnologia, muito pelo contrário. Tratava-se da visita ao maior museu do mundo. Dedicar um dia inteiro para visitar o Louvre, deixando a lindíssima capital francesa do lado de fora, deveria ter um importante significado que eu me propus a descobrir.

A história da arte e consequentemente da própria humanidade estava ali, peça por peça, galeria por galeria. Poses e paisagens, com seus contextos de moral, costumes e religião. Instantâneos capturados por almas talentosas capazes de manipular luz e sombra ou de moldar tecidos transparentes em blocos de mármore.

De repente, minha brasilidade aflorou na música de Cazuza “vejo um museu de grandes novidades”. Em outro verso, da mesma canção, cantarolei “o tempo não para, não para não, não para...”.

Olhei pela janela. Lá fora o movimento mostrava que o tempo e a pressa estão intimamente ligados e ambos não cessam. Lá dentro, no entanto, o tempo não era importante diante da contemplação das mais lindas e interessantes obras já produzidas.

Cenas bucólicas, pintadas numa tarde de luz outonal, me alvejavam o coração. Será que todos sentiam a mesma coisa que eu? Um misto de arrebatamento e gratidão?

Fiquei pensando nas crianças e seus brinquedos eletrônicos. Será que para essa nova geração a visita ao museu seria algo interessante?

Comecei a reparar nas famílias com filhos pequenos. Vi um menininho puxando a roupa de sua mãe para chamar a atenção. Curiosa, me aproximei. Eram brasileiros. O menininho dizia numa evidente expectativa:

- Mãe, cadê a Monalisa?

Senti muita alegria por ter presenciado essa cena. Só a arte tem o poder de aproximar pessoas que viveram em tão diferentes épocas e realidades, ignorando as diferenças intergeracionais.

Anoiteceu. O museu já anunciava o encerramento das atividades. Um dia memorável chegava ao final. Ainda estava com a mesma trilha sonora tilintando no pensamento. É claro que o tempo não para, mas quando a sensibilidade e o sentimento estão no comando, cada minuto pode render uma eternidade.

 

Escrito por Academia de Letras, 08/04/2019 às 11h24 | elianarjz@gmail.com



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