Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Crânios de Cristal

FARSA ARQUEOLÓGICA REVELADA!

Existem farsas arqueológicas? Podemos acreditar em tudo aquilo que é recuperado da terra? Os Crânios de Cristal – supostamente de origem Maia – desafiaram a imaginação das pessoas por mais de 50 anos! Somente os avanços tecnológicos dos últimos 15 anos conseguiram comprovar, efetivamente, a farsa que fez muitos acreditarem no impossível: artefatos pré-colombianos com tecnologia alienígena e poderes sobrenaturais!

Em 1870, na cidade de Paris, colecionadores de curiosidades e negociantes oportunistas compravam e vendiam artefatos falsificados. Entre as peças, pequenos crânios lapidados em cristais de rocha. A história mais famosa envolvendo tais peças ocorreu em 1924, nas ruinas de Lubaantun (Belize). Naquele ano, o aventureiro inglês Frederick Albert Mitchell-Hedges veio à América com sua filha Anna, em busca de provas de uma civilização avançada da época de Atlântida. O crânio de cristal foi descoberto no dia do aniversário de Anna, e é conhecido como “Caveira de Cristal de Lubaantun”. O artefato esculpido em um único bloco de quartzo mede 13 cm de altura por 18 cm de comprimento. Mitchell-Hedges alegou que a peça possuia 3.600 anos.

Anna excursionou com o crânio durante anos – cobrando pela exibição e por entrevistas – até falecer em 2007. O problema deste e de todos os demais crânios espalhados pelo mundo, é que nenhum possui registro científico de sua descoberta. Nenhum deles foi documentado por um arqueólogo. Pesquisas realizadas no Museu Britânico (1967, 1996 e 2004) comprovaram que o cristal de rocha utilizado em muitas das esculturas são encontrados apenas no Brasil e em Madagascar! Ou seja, a rocha não é mesoamericana. Microscópios revelaram também riscos no cristal, provenientes de máquinas giratórias e aplicação de abrasívos sintéticos, utilizados apenas na virada do XIX-XX.

Outro artefato, pertencente ao Instituto Smithsoniano (EUA), revelou uso de diferentes abrasivos, como o carbeto de sílico, uma substância sintética fabricada com tecnologia industrial. Já o exemplar conhecido como “Crânio de Paris” (Musée du quai Branly - Paris), foi submetido por engenheiros a um acelerador de partículas e revelou vestígios de água em suas micro ranhuras, datada do XIX.

Definitivamente, os crânios não pertencem às culturas Mexica (Asteca) ou Maia. Foram produzidos basicamente para promover pesquisas arqueológicas falsas, colocar determinadas pessoas em evidência ou gerar lucro com seu comércio. Acredita-se que muitos desses artefatos tenham sido criados na escola alemã de lapidação (Idar-Oberstein), famosa por trabalhar cristais de quartzo brasileiro no final do XIX. O mistério dos Crânios de Cristal aos poucos, é revelado. Agora, a dúvida recai sobre os prováveis autores desta que é uma das maiores farsas arqueológicas de todos os tempos!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/07/2016 às 09h52 | daltonmaziero@uol.com.br

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Cerâmica Mochica - A arte em representar a vida

É possível uma sociedade se comunicar através da arte? Será que no passado, alguma civilização alcançou um refinamento tão alto, que pôde desafiar o tempo registrando sua visão do mundo, pela manifestação artística em artefatos de cerâmica? Embora polêmica, essa realidade existiu ao menos de forma parcial no litoral norte do Peru! A cultura Mochica viveu nessa região entre I e VIII dC. Formaram uma nação de guerreiros, uma sociedade estratificada, que se dedicava com igual paixão à guerra, aos sacrifícios humanos e também à arte da cerâmica e metalurgia.

Não é nenhum absurdo dizer que a cerâmica mochica está entre as melhores e mais representativas dos povos do passado. Possuíam uma sensibilidade estética extraordinária! Criaram vasos e esculturas com um realismo impressionante, que superava em muito, o de outros grupos pré-colombianos como os mexicas, maias ou incas. Suas peças mais famosas são conhecidas como “huacas-retratos”: vasos com gargalos, normalmente de uso cerimonial.

Esses vasos representavam vários aspectos de sua sociedade, como o cotidiano das pessoas e até mesmo cenas de sexo explícito! Esses últimos, de grande sucesso nos museus peruanos!

É surpreendente também o humor, a humanidade e a representação da natureza em suas peças. Podemos encontrar cenas de mulheres grávidas tendo seus bebês, representações de cães, macacos, pássaros, vegetais, idosos trabalhando, pessoas rindo, tocando instrumentos musicais, vestindo trajes típicos ou pescando. A representação social era tão profunda, que até mesmo anões e deficientes físicos eram retratados. Arqueólogos conseguiram inclusive, identificar diversas doenças do passado, retratadas nas deformidades físicas existentes nos vasos mochicas.

Enfim, uma infinidade de temas que incluía também sua relação com o mundo mitológico, de onde surgiam seres monstruosos e deuses pouco amigáveis, como Ai-Apaec: deus do céu e das montanhas, quase sempre representado segurando um machado e uma cabeça degolada.

Dois fatores foram fundamentais para essa produção fabulosa dos vasos mochicas: existia uma casta especializada e financiada pela elite, que se dedicava unicamente a produção dessa arte e; os ceramistas mochicas tinham amplo conhecimento e domínio sobre o uso da argila e de seu processo de queima. E ao contrário de outros povos americanos, a totalidade de seus trabalhos era feita basicamente sobre duas tonalidades: o branco-creme e o vermelho-ocre! Hoje, pela sua qualidade, as coleções de arte mochica ganhar destaque nos museus peruanos e mundiais.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 30/06/2016 às 14h11 | daltonmaziero@uol.com.br

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Frederick Catherwood - Artista da cultura Maia

Artista do século XIX, Catherwood teve sua vida ligada definitivamente às antigas civilizações graças aos seus belíssimos desenhos de ruínas ainda não exploradas. Poucos homens na história conseguiram reunir de forma tão soberba, a técnica da reprodução visual, o conhecimento artístico e a capacidade em se deslocar por locais perigosos e isolados!

A fama de Catherwood deriva em parte da associação com John Lloyd Stephens, o "pai da arqueologia maia". Juntos, revelaram ao mundo todo o esplendor da cultura mesoamericana. A maior parte dos interessados na cultura Maia já ouviu falar dessa parceria, ou pelo menos do livro de viagens “Incidents of Travel in Yucatán” (1842) escrito por Stephens e ilustrado por Catherwood.

Em 1839, Stephens decidiu investigar o número crescente de relatos de civilizações perdidas nas selvas de Yucatán. Ele já era um escritor de viagens bem conhecido, e seu convite à Catherwood reforça a importância deste como profissional na época. Enquanto o primeiro escrevia sobre as cidades perdidas da América, o segundo as desenhava, com um senso de estético inigualável!

Catherwood nasceu na Inglaterra em 1799. Estudou arquitetura, desenho e pintura na Academia Real; e arquitetura clássica e escultura na Itália e Grécia. Após completar seus estudos, viajou pelo Oriente, fazendo ilustrações de antiguidades do Egito, Arábia Saudita e Terra Santa.

Em 1823 foi contratado como consultor de arquitetura na restauração das mesquitas do Cairo. Em 1839, Catherwood estava em Nova York montando uma exposição de seus trabalhos, quando Stephens o abordou com a ideia de explorar a península de Yucatán e América Central. A seriedade de Stephens em organizar expedições era notória, de forma que, em poucos meses, partiram para a floresta.

A expedição viajou inicialmente a Copán (Honduras). A fim de ter liberdade de trabalho, Stephens comprou o terreno das ruinas por meros US$50 dólares! Trinta quilômetros ao norte, Catherwood descobre Quiriguá, ilustrando ambos os sítios, enquanto Stephens partia em viagem de negócios à Guatemala.

Os dois visitaram em seguida Palenque (Chiapas, México) e Uxmal (Yucatan, México) antes de voltar à Nova York para a publicação de seu primeiro trabalho em parceria, Incidentes de viagem na América Central, Chiapas e Yucatán (1841). Em 1842, a dupla retorna à região.

Trabalham juntos em Chichen Itzá, Cozumel, Tulum, Dzilam, Izamal e Ake. Após sete meses no campo, e com a saúde abalada, Catherwood retorna a Nova York. Lá publicam “Incidentes de viagens no Yucatan” (1843), com a descrição de 44 sítios arqueológicos.

A Stephens é creditada a fama de nos revelar o mundo dos Maias, mas foi Catherwood quem forneceu as provas com sua magnífica arte!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/06/2016 às 11h31 | daltonmaziero@uol.com.br

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A Senhora de Cao

PODER FEMININO NO ANTIGO PERU

A história dos antigos povos americanos vive em constante estado de revisão. A cada nova descoberta, conceitos são mudados, conhecimentos são incorporados. Em 15 de maio de 2006, o arqueólogo Régulo Franco Jordan trouxe à luz um dos mais incríveis achados arqueológicos do continente: uma múmia feminina! A personagem foi descoberta nas ruínas da “Huaca Cao Viejo” (Complexo arqueológico El Brujo), localizada a 60 km de Trujillo, região norte do Peru.

O que faz desse achado algo tão especial, é o fato de que a antiga cultura Mochica (100-800 dC.) não costumava mumificar seus mortos. Esse ato era de suma importância simbólica, e não foi dedicado a qualquer personalidade. Em segundo lugar, o fato de ser uma mulher, ornamentada com pompa e status de líder político e religioso!

A Senhora de Cao (ou Dama de Cao) viveu no século IV dC. Foi uma governante local. Seus ornamentos lhe proporcionam um caráter divino. Morreu jovem – provavelmente de complicações no parto - próxima dos 25 anos, e tinha apenas 1,45 metros de altura. Seus restos mortais foram envoltos em 26 camadas de tecido de algodão (120 Kg de tecido ao todo!), um dos quais atingia o comprimento de 70 metros! Junto ao corpo, foram encontrados 18 colares, 04 coroas, vários brincos, armas e 44 adornos de nariz (narigueiras), confeccionados em ouro, prata, cobre dourado e ornado com diademas e turquesas. Ademais, junto ao corpo estavam dois cetros cerimoniais (1,75m cada) de madeira, revestidos de cobre dourado.

A excelente preservação do corpo só foi possível graças às condições climáticas do deserto e a aplicação na pele, de cinabrio (sulfeto de mercúrio), que ajudou a protegê-la da decomposição natural. Outra característica interessante da descoberta foi a grande quantidade de tatuagens da múmia. Podemos ver claramente os desenhos de um felino, abelhas, mariposas, macaco, crocodilo, serpentes e aranhas. As tatuagens possuíam um caráter divino no mundo pré-colombiano. Compondo o espaço cerimonial de enterramento, encontramos ainda um vaso com a imagem de uma coruja (associada aos líderes espirituais), e o corpo de uma menina de 15 anos, sacrificada para acompanha-la na vida pós-morte.

A descoberta obriga os estudiosos a repensar a suposta sociedade patriarcal, guerreira e teocrática dos mochicas. Sim, as mulheres no mundo pré-colombiano ocupavam um espaço especial. Algumas parecem ter conquistado poder político, econômico, social e religioso. Essa sociedade matriarcal encontra ecos em outras descobertas, como na da Sacerdotisa de Chornancap e San José de Moro (Jequetepeque); e recentemente na mulher de 2.500 aC, desenterrada em Aspero (Caral), ornada com objetos de prestígio!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 31/05/2016 às 10h02 | daltonmaziero@uol.com.br

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Calçoene

Observatório Celeste no Amapá


Foto Acervo Iphan/Heitor Reali

 

A descoberta do sítio arqueológico de Calçoene (Município distante 460 km de Macapá) reforçou a ideia das sociedades complexas da região amazônica. Ainda hoje, os atuais povos nativos do Brasil possuem um saber astronômico bastante difundido, mas até então, não havia sido encontrado uma estrutura em pedra, uma construção capaz de concretizar esse saber. Calçoene e suas rochas – que lembram Stonehenger (Inglaterra) – materializaram o que muitos julgavam ser um conhecimento apenas subjetivo.

Segundo os arqueólogos Mariana Petry Cabral e João Darcy de Moura Saldanha, Calçoene possui mais de 1 km². Em seu entorno, foram encontradas cerâmicas em estilo aristé e sepultamentos mostrando rituais complexos, com poços funerários especialmente construídos para este fim. Mariana completa: “O conhecimento astronômico é plenamente possível em sociedades caçadoras coletoras, pois depende basicamente da observação da natureza. A diferença no caso de Calçoene, é que este conhecimento foi solidificado em uma estrutura monumental”. As primeiras datações por Carbono 14 em fragmentos de carvão local indicam uma ocupação entre 1.000 e 1.300 dC.

O sítio de Calçoene é formado por mais de 120 rochas, algumas com até 3 metros de altura. O terreno já era conhecido da população local, que achava curiosa sua formação circular, com pedras pontiagudas tombadas pelo tempo. Em 2010 foi comprovado que a inclinação de uma das rochas estava perfeitamente alinhada com o declínio máxima do sol ao sul. Essa posição determina a época do solstício de dezembro (solstício de inverno no hemisfério norte) e o início da temporada de chuvas na região. Tal necessidade supõe uma preocupação das antigas sociedades em domar a paisagem, assim como outros grupos fizeram no Acre, ao criarem enormes geoglifos.

Os povos andinos possuíam formações semelhantes, chamadas “intihuatana” (lugar onde se “amarra o sol”). Contudo, a existência desses observatórios não significa contato ou relacionamento entre as culturas brasileiras e as andinas. Mariana Cabral e João Saldanha acreditam em um desenvolvimento autônomo do povo de Calçoene, ou uma inter-relação com outros grupos de terras baixas. Esse contato entre povos pode ter ocorrido através de uma ampla rede de articulações, que envolvia, além e troca de bens, princípios rituais.

Além dos estudiosos brasileiros, outros pesquisadores também observaram Calçoene. O português Manoel Calado (Universidade de Lisboa) certificou a função das pedras em registrar eventos astronômicos. Seus estudos estão embasados na comparação com os megálitos europeus. Seja como for, as escavações até o momento não determinaram a existência de grandes povoamentos locais, abrindo espaço para a possibilidade de Calçoene ter sido realizada por um pequeno grupo humano, sob uma forte e ordenada liderança.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 17/05/2016 às 16h26 | daltonmaziero@uol.com.br

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Pucara - A pirâmide de Kalasaya

Pouca gente conhece este curioso sítio arqueológico, que fica próximo ao lago Titicaca, (Peru), a 3.810 metros de altitude. Trata-se de uma das maiores pirâmides escalonadas das Américas! Muito mais que isso, Pucara apresenta um gigantesco complexo de estruturas piramidais que ainda está para ser escavado e explorado!

Pesquisas arqueológicas comprovam que essa cultura viveu no altiplano entre 1.100 a.C e 100 d.C. Formaram uma nação de guerreiros, de caráter expansionista, muito antes da chegada dos Incas. Os pucaras avançaram ao litoral do Pacífico, trazendo de lá a influência para a construção de seu centro cerimonial e suas pirâmides. Foram identificadas ao todo seis pirâmides, sendo a maior delas a de Kalasaya, com 32 metros de altura e plataformas gigantescas, cuja base atinge 300 x 200 metros! Algumas dessas pirâmides estavam localizadas dentro de lagos artificiais!

Subir a monumental escadaria do Kalasaya é uma experiência única! Ela corta as plataformas em direção ao topo, onde se encontram três templos semi-subterrâneos! São construções utilizadas em cultos. Imagine uma piscina vazia (foto), com uma escadaria de acesso, ladeada de pedras em seu interior. Isso é um templo semi-subterrâneo. Ao redor da construção, fragmentos de cerâmica comprovam que o centro foi bastante frequentado no passado.

Arqueólogos também desenterraram do local uma série de estátuas assustadoras. Originalmente ficavam posicionadas pelos andaimes de acesso ao templo. Eram imagens de ferozes guerreiros. Uma das mais famosas é conhecida como "Degolador de Pucara" que retrata um homem de expressão animalesca, segurando, com uma das mãos, uma cabeça decapitada e com a outra, o instrumento utilizado (faca) para consumação. As estátuas eram pintadas com cores vivas, para causar maior impressão nos inimigos. Foram detectados restos de tinta vermelha, branca, preta e amarela.

Essa brilhante e ainda desconhecida civilização foi criadora de um importante centro urbano, e de vasta produção de cerâmica. Arquitetonicamente, representou com suas pirâmides uma das maiores inovações estilística da época, chegando mesmo a alterar padrões de comportamento, não só no Altiplano, mas também na Cordilheira. Pucara foi uma das primeiras culturas a utilizar a distribuição urbana associada aos conjuntos monumentais. Pesquisadores afirmam tratar-se de uma legítima "ponte cultural", catalisando tradições culturais dos povos litorâneos, retransmitindo aos do Altiplano e vice-versa. Sua posição geográfica apoia tal ideia. Foram, portanto, peças fundamentais no inter-relacionamento andino.

 

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 03/05/2016 às 08h31 | daltonmaziero@uol.com.br

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Dalton Delfini Maziero

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Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.
















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