Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A grande pirâmide Cahokia

Muitas pessoas sabem que o continente americano está repleto de pirâmides. Algumas sabem que essas pirâmides são bem diferentes das egípcias, em sua estrutura e concepção: são pirâmides escalonadas, compostas por plataformas sobrepostas. Mas poucos sabem que uma das maiores pirâmides do mundo, se encontra justamente no interior dos EUA.

O nome dessa pirâmide é “Monte dos Monges” (Monks Mound), e pertence ao sítio arqueológico de Cahokia, em Collinsville, Illinois. Em 1988, arqueólogos calcularam suas dimensões em cerca de 30 metros de altura, com uma base de aproximadamente 291 x 236 metros, ocupando cerca de 14 hectares. Isso faz de Monks Mound, uma pirâmide maior - em sua base - que a de Quéops (Egito) que possui 230 x 230 metros. Contudo, a egípcia é mais alta, atingindo 146 metros. Comparada com outra gigantesca construção americana - a Pirâmide do Sol em Teotihuacán (México) - também a supera em sua base, com seus 222 x 225 metros. Contudo, a de Teotihuacán atinge 64 metros de altura. Segundo o arqueólogo Tim Pauketat (Universidade de Illinois), Monks Mounds é a terceira ou quarta maior pirâmide do mundo, em termos de volume!

Os habitantes de Cahokia – Mississippians – não deixaram registros escritos, mas apenas símbolos gravados em madeira, pedra e cerâmica. Contudo, sua sociedade era bastante complexa e organizada, capaz de elaborar templos, sepulturas e espaços sagrados com enormes totens em madeira. O nome original de Cahokia até hoje é desconhecido.

A construção de sua maior pirâmide teve início em 900 dC - em 1300 Cahokia já se encontrava desabitada - mas a localização de lajes de calcário e restos de cedro vermelho aponta para uma ocupação do terreno no Arcaico Tardio (3000-1000 aC). Ela foi inteiramente erguida com argila transportada em cestos de vime. O historiador Rick Osmon calcula que foram necessárias mais de 43 milhões de cestas para compô-la. Uma incrível demonstração de esforço humano! Um dado importante: a argila utilizada apresentava cores diversas, depositadas em camadas, proveniente de locais à centenas de quilômetros de distância. Originalmente, a pirâmide era visualizada como um mosaico de cores – argila vermelha, laranja, branca, azul, cinza, castanho e preto – arranjadas em camadas de diversas espessuras.

O nome “Monks Mound” surgiu no início do século XIX. Em 1809, monges franceses haviam construído uma pequena comunidade ao lado da pirâmide, utilizando as plataformas para plantar trigo. Em 1813, Hugh Henry Brackenridge (escritor, advogado e juiz da Suprema Corte da Pensilvânia) visitou o local, e publicou uma pequena descrição do sítio, chamando o morro de “Monte dos Monges”!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 17/04/2017 às 10h03 | daltonmaziero@uol.com.br

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Dalton Delfini Maziero

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Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.
















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