Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Kiva - Arquitetura do Sagrado

A Kiva é, provavelmente, um dos espaços sagrados mais antigos das Américas, ainda em uso. Tipicamente norte americano (EUA), a estrutura foi utilizada por todos os povos chamados genericamente de Pueblos, ou seja, os Hopis, Anazasis, Mogollon, Hohokam, Taos, Zunis, entre outros. Mas podemos afirmar que uma Kiva surgiu desde seu princípio, como um espaço ritualístico?

Arqueólogos apontam que sua origem remonta a um estilo de casa pré-histórica chamada “Pit House”, geralmente em formato circular, escavada abaixo da linha do solo. Seu telhado, apoiado em toras de madeira e revestido com galhos mais finos, era montado a partir da linha do solo, e depois recoberto de barro. O resultado - para quem olhava por fora - era o de vislumbrar uma pequena elevação no horizonte. O espaço interno, arredondado, era utilizado como moradia, dormitório, espaço de cozinha e também de rituais. Com o tempo, esses espaços rituais se destacaram dos residenciais, formando as Kivas.

Existem evidências de Kivas em 500 dC, utilizadas pelas comunidades como espaço ritual e cerimonial. Em antigos povoados como Pueblo Bonito e Mesa Verde, existe uma kiva para cada 50 habitações. Em outras localidades, apenas uma grande kiva para toda comunidade. Esse espaço tipicamente masculino, com o tempo, foi utilizado também para tomada de decisões políticas. Atualmente, ele funciona para atividades socialmente domésticas, integrativas e também espirituais, inclusive com a participação do sexo feminino.

Uma grande kiva chegava a atingir cerca de 30m², e era composta por uma série de particularidades, como um fosso para atear fogo, sistema de ventilação, plataformas utilizadas para assentos, nichos de parede e “sipapus”, também conhecidos como “lugar de origem”, por onde os falecidos emergiam do submundo. Entre 1150 e 1300 dC, as kivas tornaram-se mais elaboradas, profundas e em formato de torres. Neste tipo de comunidade maior, existiam cerca de cinco ou seis “residências” diretamente associadas ao espaço da kiva.

Em Mesa Verde, podemos encontrar uma profusão de kivas que se sobrepõem lado a lado. Arqueólogos se perguntam qual a antiga necessidade nesse tipo de construção tão compacta e repetitiva. Afinal, não bastava um único espaço para atender a comunidade? Uma possível explicação está na utilização da kiva como uma antiga “igreja”. Cada um de seus “quartos” eram destinados a um ritual específico. Sabemos que a oração pela chuva, boa colheita, caça abundante ou cura de doenças eram praticadas. Desta forma, existe a possibilidade de um ritual antigo ser composto por diversas etapas, realizado em espaços separados.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/

 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 08/05/2017 às 11h06 | daltonmaziero@uol.com.br

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Dalton Delfini Maziero

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Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.
















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