Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

San Agustín - Campo de estátuas mortuárias

Existe na Colômbia, um lugar singular! Próximo ao Rio Magdalena – entre as Cordilheiras Central e Oriental –, surge um sítio arqueológico repleto de sepulturas, demarcado por centenas de estátuas em pedra. São obras únicas, que retratam humanos animalizados, invocando antigos rituais de transformação, procriação, adoração ao mundo selvagem e à morte.

Arqueólogos descobriram evidências que o sítio onde hoje se encontram as estátuas foi ocupado já no século IV aC. Contudo, as estátuas e sepulturas que hoje podemos ver, foram construídas entre 200 aC e 800 dC. É muito provável que a necrópole de San Agustín fosse utilizada – a exemplo de Sillustani, no Peru – como um sítio onde diversos grupos enterravam e adoravam seus mortos. Ou seja, era antes de tudo, um terreno sagrado. Ao longo de vales e montanhas, arqueólogos localizaram aglomerados de estátuas isoladas, Esses conjuntos mais distantes do centro de San Agustín receberam nomes próprios como “Alto de los Idolos”, “Lavapatas”, “El Tablón”, entre outros. Neles, foram encontradas sepulturas em forma de montes artificiais – 30 metros de diâmetro por 5 metros de altura – e estátuas com mais de 4 metros de altura.

A forte mentalidade metafísica desse povo guiou suas vidas por séculos, construindo uma cosmovisão bem particular. No centro de tudo, as representações em forma de estátuas, determinando a estratificação social, os cultos e rituais, e a leitura de seu panteão religioso, povoado de seres antropomorfos e elementos celestes, como o raio, a chuva, o sol e a lua.

Entre as representações naturais de maior frequência, encontram-se os cultos ao Jaguar e a Serpente. O primeiro deles é partilhado por diversos povos da Cordilheira dos Andes, e esteve associado ao poder adquirido deste animal pelos homens. A força, a fúria, a rapidez, elementos incorporados através das estátuas, representadas com bocas felinas e dentes agudos. Já a serpente, geralmente associada às divindades da chuva, está associada aos rituais de invocação de divindades benevolentes, que tragam fertilidade às colheitas. Além desses animais, também encontramos representações de macacos, esquilos, peixes, lagartos, rãs, morcegos, entre outros.

Apesar desta sofisticada tradição mítico-religiosa, o povo que a construiu vivia em uma rotina secular ligada a agricultura (milho, amendoim, mandioca e frutos de palmeiras), caça e pesca. De suas aldeias, erguidas em material perecível, já quase não existem vestígios. San Agustín, por sua importância arqueológica, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1995.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 03/11/2017 às 10h14 | daltonmaziero@uol.com.br

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Dalton Delfini Maziero

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Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.
















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