Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A ILHA TRIQUET

São quase nulas as notícias que nos chegam sobre o distante Canadá. Quando o assunto é arqueologia, as informações se tornam cada vez mais raras. Contudo, em 2017, uma impressionante descoberta ocorreu na Ilha Triquet (Columbia Britânica), que pode mudar as teorias sobre a ocupação das Américas.

A Ilha Triquet – banhada pelo Pacífico Norte – é um dos poucos lugares do planeta que manteve o nível de seu litoral praticamente igual ao da última glaciação, que terminou por volta de 12 mil aC. Nela, foram encontrados vestígios de um vilarejo de 14 mil anos de idade. A datação provém de artefatos como anzóis, e outros utilizados para produzir fogo. O mais surpreendente é que, além de objetos de pedra, foram encontrados outros confeccionados em madeira e ossos, preservados graças ao frio da região. A confirmação dessa datação colocou Triquet em um patamar de antiguidade que supera em muito, as Pirâmides do Egito ou as cidades da Mesopotâmia.

Os arqueólogos envolvidos na escavação – entre eles Alisha Gauvreau, Daryl Fedje e Duncan McLaren da Universidade de Victoria e o Instituto Hakai – acreditam que Triquet contribua para a hipótese da ocupação das Américas, que defende a ideia de um deslocamento pautado por fundações.

Segundo Elroy White – arqueólogo e membro da cultura Heiltsuk – a Ilha Triquet na tradição oral representa uma antiga ocupação que funcionava como “encruzilhada” de quem vinha do norte, sul e leste. Sua nação se orgulha em dizer que seus antepassados sobreviveram à Idade do Gelo, vivendo “em uma faixa de terra que não congelou”. Para os Heiltsuk, a ilha é um local de importância quase sagrada, de onde surgiu o grande movimento de expansão humana pelas Américas. Esse grupo humano é, na verdade, uma junção de cinco grupos que partilham as mesmas expressões culturais e linguísticas. Entre essas expressões, a história de sua origem antiquíssima. São famosos mundialmente por suas expressões artísticas e cerimoniais; e conhecidos por construir vilas de inverno permanentes durante os meses mais frios.

A arqueóloga Gauvreau apresentou os resultados de sua pesquisa para a Sociedade Americana de Arqueologia, e busca agora ampliar a busca por mais evidências em outras ilhas. A ideia com isso é traçar um mapa de progressão dos primeiros habitantes costeiros, que supostamente rumaram ao sul, em busca de novas terras e maiores oportunidades de caça. Ainda segundo Gauvreau, essa descoberta reforma a ideia de uma migração por navegação costeira: "Esta descoberta dá uma pista de que o primeiro povoamento importante da América ocorreu em um corredor de geleiras, mas também ao longo da costa oeste por um povo marítimo. Então, isso muda a história um pouco e a maneira como achamos que o primeiro povoamento chegou".

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 27/07/2018 às 10h32 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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A ILHA TRIQUET

São quase nulas as notícias que nos chegam sobre o distante Canadá. Quando o assunto é arqueologia, as informações se tornam cada vez mais raras. Contudo, em 2017, uma impressionante descoberta ocorreu na Ilha Triquet (Columbia Britânica), que pode mudar as teorias sobre a ocupação das Américas.

A Ilha Triquet – banhada pelo Pacífico Norte – é um dos poucos lugares do planeta que manteve o nível de seu litoral praticamente igual ao da última glaciação, que terminou por volta de 12 mil aC. Nela, foram encontrados vestígios de um vilarejo de 14 mil anos de idade. A datação provém de artefatos como anzóis, e outros utilizados para produzir fogo. O mais surpreendente é que, além de objetos de pedra, foram encontrados outros confeccionados em madeira e ossos, preservados graças ao frio da região. A confirmação dessa datação colocou Triquet em um patamar de antiguidade que supera em muito, as Pirâmides do Egito ou as cidades da Mesopotâmia.

Os arqueólogos envolvidos na escavação – entre eles Alisha Gauvreau, Daryl Fedje e Duncan McLaren da Universidade de Victoria e o Instituto Hakai – acreditam que Triquet contribua para a hipótese da ocupação das Américas, que defende a ideia de um deslocamento pautado por fundações.

Segundo Elroy White – arqueólogo e membro da cultura Heiltsuk – a Ilha Triquet na tradição oral representa uma antiga ocupação que funcionava como “encruzilhada” de quem vinha do norte, sul e leste. Sua nação se orgulha em dizer que seus antepassados sobreviveram à Idade do Gelo, vivendo “em uma faixa de terra que não congelou”. Para os Heiltsuk, a ilha é um local de importância quase sagrada, de onde surgiu o grande movimento de expansão humana pelas Américas. Esse grupo humano é, na verdade, uma junção de cinco grupos que partilham as mesmas expressões culturais e linguísticas. Entre essas expressões, a história de sua origem antiquíssima. São famosos mundialmente por suas expressões artísticas e cerimoniais; e conhecidos por construir vilas de inverno permanentes durante os meses mais frios.

A arqueóloga Gauvreau apresentou os resultados de sua pesquisa para a Sociedade Americana de Arqueologia, e busca agora ampliar a busca por mais evidências em outras ilhas. A ideia com isso é traçar um mapa de progressão dos primeiros habitantes costeiros, que supostamente rumaram ao sul, em busca de novas terras e maiores oportunidades de caça. Ainda segundo Gauvreau, essa descoberta reforma a ideia de uma migração por navegação costeira: "Esta descoberta dá uma pista de que o primeiro povoamento importante da América ocorreu em um corredor de geleiras, mas também ao longo da costa oeste por um povo marítimo. Então, isso muda a história um pouco e a maneira como achamos que o primeiro povoamento chegou".

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 27/07/2018 às 10h32 | daltonmaziero@uol.com.br



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