Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Novas descobertas na Ilha de Páscoa

A Ilha de Páscoa - território chileno - sempre foi sinônimo e exemplo de colapso de uma antiga civilização. As evidências arqueológicas e relatos de navegantes do XVIII nos legaram a imagem de um povo que não soube administrar sua terra e seus recursos naturais. Uma sociedade que, por esses motivos, implodir em guerras tribais por comida, madeira e sombra. Sim, sombra! Porque suas árvores foram todas cortadas para fabricação de barcos e toras de locomoção dos Moais, suas famosas estátuas ancestrais de tamanho colossal. Evidências inclusive revelam que ocorreu atos de canibalismo entre os últimos remanescentes desse povo hoje extinto.

Esses antigos habitantes da Ilha de Páscoa - os Rapanui - fazem parte de uma onda migratória polinésia, que teve início por volta de 900 dC. Em meio ao Pacífico - 3.700 Km da costa chilena -, esse povo construiu cerca de 900 estátuas ancestrais entre 1250 e 1500 dC. Quando o holandês Jakob Roggeveen aportou na ilha em 1722, encontrou evidências de uma sociedade decadente, bastante desestruturada. Mas não foi sempre assim.

Embora muitas evidências apontem para um rápido declínio social, outras bem mais recentes revelem que o povo Rapanui desenvolveu uma relação muito mais sofisticada do que imaginávamos; e que a colaboração interna foi – pelo menos durante um bom tempo – uma prática corriqueira. Os antropólogos Dale Simpson (Universidade Queensland) e Laure Dussubliex (Museu Field de História Natural de Chicago) analisaram a composição química existente em antigas ferramentas de lavrar a pedra, utilizadas para a construção dos Moais, e descobriram que havia muito mais colaboração e compartilhamento de informações, do que pudemos imaginar.

Uma das ideias vigentes, era a de que os diversos grupos – clãs – competiam entre si pelos recursos naturais e pela fabricação de estátuas, em um constante estado de beligerância. Mas não foi bem assim. Ao que tudo indica, ocorreu muita colaboração entre os clãs, seja no fornecimento de elementos naturais, seja no empréstimo de ferramentas. “Existia uma espécie de supervisão socioeconômica e política entre eles”, conta Dale. A equipe, que está a 35 anos estudando os vestígios dos Rapanui, analisou diversas ferramentas em sua estrutura microscópica, determinando sua procedência e uso nas pedreiras existentes na ilha.

Assim, agora são levados em consideração novas hipóteses avaliando o desgaste natural dos recursos, decorrente da instabilidade climática. Dessa forma, alguns antigos conceitos como o colapso e o esgotamento de recursos precisam ser revistos. Eles provavelmente ocorreram, mas talvez não da forma catastrófica e rápida como muitos autores descreveram no passado.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 24/09/2018 às 16h27 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

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Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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Novas descobertas na Ilha de Páscoa

A Ilha de Páscoa - território chileno - sempre foi sinônimo e exemplo de colapso de uma antiga civilização. As evidências arqueológicas e relatos de navegantes do XVIII nos legaram a imagem de um povo que não soube administrar sua terra e seus recursos naturais. Uma sociedade que, por esses motivos, implodir em guerras tribais por comida, madeira e sombra. Sim, sombra! Porque suas árvores foram todas cortadas para fabricação de barcos e toras de locomoção dos Moais, suas famosas estátuas ancestrais de tamanho colossal. Evidências inclusive revelam que ocorreu atos de canibalismo entre os últimos remanescentes desse povo hoje extinto.

Esses antigos habitantes da Ilha de Páscoa - os Rapanui - fazem parte de uma onda migratória polinésia, que teve início por volta de 900 dC. Em meio ao Pacífico - 3.700 Km da costa chilena -, esse povo construiu cerca de 900 estátuas ancestrais entre 1250 e 1500 dC. Quando o holandês Jakob Roggeveen aportou na ilha em 1722, encontrou evidências de uma sociedade decadente, bastante desestruturada. Mas não foi sempre assim.

Embora muitas evidências apontem para um rápido declínio social, outras bem mais recentes revelem que o povo Rapanui desenvolveu uma relação muito mais sofisticada do que imaginávamos; e que a colaboração interna foi – pelo menos durante um bom tempo – uma prática corriqueira. Os antropólogos Dale Simpson (Universidade Queensland) e Laure Dussubliex (Museu Field de História Natural de Chicago) analisaram a composição química existente em antigas ferramentas de lavrar a pedra, utilizadas para a construção dos Moais, e descobriram que havia muito mais colaboração e compartilhamento de informações, do que pudemos imaginar.

Uma das ideias vigentes, era a de que os diversos grupos – clãs – competiam entre si pelos recursos naturais e pela fabricação de estátuas, em um constante estado de beligerância. Mas não foi bem assim. Ao que tudo indica, ocorreu muita colaboração entre os clãs, seja no fornecimento de elementos naturais, seja no empréstimo de ferramentas. “Existia uma espécie de supervisão socioeconômica e política entre eles”, conta Dale. A equipe, que está a 35 anos estudando os vestígios dos Rapanui, analisou diversas ferramentas em sua estrutura microscópica, determinando sua procedência e uso nas pedreiras existentes na ilha.

Assim, agora são levados em consideração novas hipóteses avaliando o desgaste natural dos recursos, decorrente da instabilidade climática. Dessa forma, alguns antigos conceitos como o colapso e o esgotamento de recursos precisam ser revistos. Eles provavelmente ocorreram, mas talvez não da forma catastrófica e rápida como muitos autores descreveram no passado.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 24/09/2018 às 16h27 | daltonmaziero@uol.com.br



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