Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A épica viagem oceânica de Tupac Yupangui

Existem inúmeros enigmas por resolver na história pré-colombiana. Talvez um dos mais curiosos seja a que fala de uma viagem oceânica feita por Túpac Yupanqui (1441-1493) em 1465, rumo a Polinésia. Túpac Yupanqui foi o 10º Governante Inca, e um dos maiores conquistadores de nosso continente. Suas andanças e explorações são comparáveis às de Alexandre o Grande, e podemos dizer seguramente, que o território peruano deve suas atuais fronteiras a Túpac.

Essa surpreendente navegação foi relatada por alguns cronistas, entre os quais Sarmiento de Gamboa, Miguel Cabello de Balboa e Martín Murúa. Sarmiento nos conta que o Inca, durante suas conquistas no litoral norte do Peru, viu aportar ali umas balsas de junco a vela, com mercadores oceânicos. Indagados das terras de onde vinham... “informaram que eram umas ilhas, chamadas uma Auachumbi e outra Niñachumbi, onde havia muita gente e ouro”. E Túpac, que parecia insaciável em suas conquistas, decidiu de imediato montar uma frota de balsas de junco e se lançar ao mar... “e para isso fez uma numerosíssima quantidade de balsas, nas quais embarcou mais de 20 mil soldados escolhidos”. E Sarmiento ainda completa sua crônica... “E navegou Túpac Inca e foi e descobriu as ilhas...e voltou de lá, trazendo gente negra e muito ouro...”

Até onde podemos crer nas palavras desses cronistas? Tecnicamente, seria possível um nativo Andino - de hábitos tradicionalmente terrestres - criar uma frota naval dessa magnitude? E que ilhas eram estas, de Auachumbi e Niñachumbi? Seriam as Galápagos ou a distante Polinésia?

Muitos historiadores acreditam hoje que Túpac realmente atingiu a Polinésia, numa viagem de 7 mil km. Na ilha de Mangareva, por exemplo, existe uma lenda do “Rei Tupa”, que chegou pelo mar de um distante país, com o objetivo de instruir as pessoas. Também é de se notar, que a ilha é uma das únicas a possuir embarcações estilo balsa à vela, como as que o Inca utilizou. Também na Ilha de Páscoa - retorno natural ao continente americano segundo as correntes marítimas do Pacífico - podemos encontrar vestígios intrigantes dessa viagem, como a existência de um muro de arquitetura igual à dos Incas. O local é conhecido como “Templo de Vinapú”, e sua semelhança com a arquitetura peruana da época de Túpac Yupanqui é assombrosa!

Em 1947, o navegante norueguês Thor Heyerdahl decidiu provar que era possível navegar da costa peruana à Polinésia em balsas de junco. A hoje lendária expedição “Kon-Tiki” aproveitou as correntes marítimas e venceu a distância em 101 dias, desembarcando em 07 de agosto de 1947 na Ilha Tuamotu, na Polinésia. Ou seja, podemos afirmar que, ao menos do ponto de vista técnico, a incrível viagem de Túpac Yupanqui foi uma realidade.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)Thomas Roe, 1611

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 19/11/2018 às 11h52 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A épica viagem oceânica de Tupac Yupangui

Existem inúmeros enigmas por resolver na história pré-colombiana. Talvez um dos mais curiosos seja a que fala de uma viagem oceânica feita por Túpac Yupanqui (1441-1493) em 1465, rumo a Polinésia. Túpac Yupanqui foi o 10º Governante Inca, e um dos maiores conquistadores de nosso continente. Suas andanças e explorações são comparáveis às de Alexandre o Grande, e podemos dizer seguramente, que o território peruano deve suas atuais fronteiras a Túpac.

Essa surpreendente navegação foi relatada por alguns cronistas, entre os quais Sarmiento de Gamboa, Miguel Cabello de Balboa e Martín Murúa. Sarmiento nos conta que o Inca, durante suas conquistas no litoral norte do Peru, viu aportar ali umas balsas de junco a vela, com mercadores oceânicos. Indagados das terras de onde vinham... “informaram que eram umas ilhas, chamadas uma Auachumbi e outra Niñachumbi, onde havia muita gente e ouro”. E Túpac, que parecia insaciável em suas conquistas, decidiu de imediato montar uma frota de balsas de junco e se lançar ao mar... “e para isso fez uma numerosíssima quantidade de balsas, nas quais embarcou mais de 20 mil soldados escolhidos”. E Sarmiento ainda completa sua crônica... “E navegou Túpac Inca e foi e descobriu as ilhas...e voltou de lá, trazendo gente negra e muito ouro...”

Até onde podemos crer nas palavras desses cronistas? Tecnicamente, seria possível um nativo Andino - de hábitos tradicionalmente terrestres - criar uma frota naval dessa magnitude? E que ilhas eram estas, de Auachumbi e Niñachumbi? Seriam as Galápagos ou a distante Polinésia?

Muitos historiadores acreditam hoje que Túpac realmente atingiu a Polinésia, numa viagem de 7 mil km. Na ilha de Mangareva, por exemplo, existe uma lenda do “Rei Tupa”, que chegou pelo mar de um distante país, com o objetivo de instruir as pessoas. Também é de se notar, que a ilha é uma das únicas a possuir embarcações estilo balsa à vela, como as que o Inca utilizou. Também na Ilha de Páscoa - retorno natural ao continente americano segundo as correntes marítimas do Pacífico - podemos encontrar vestígios intrigantes dessa viagem, como a existência de um muro de arquitetura igual à dos Incas. O local é conhecido como “Templo de Vinapú”, e sua semelhança com a arquitetura peruana da época de Túpac Yupanqui é assombrosa!

Em 1947, o navegante norueguês Thor Heyerdahl decidiu provar que era possível navegar da costa peruana à Polinésia em balsas de junco. A hoje lendária expedição “Kon-Tiki” aproveitou as correntes marítimas e venceu a distância em 101 dias, desembarcando em 07 de agosto de 1947 na Ilha Tuamotu, na Polinésia. Ou seja, podemos afirmar que, ao menos do ponto de vista técnico, a incrível viagem de Túpac Yupanqui foi uma realidade.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)Thomas Roe, 1611

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 19/11/2018 às 11h52 | daltonmaziero@uol.com.br



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