Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Museu da Natureza

Crédito fotográfico: André Pessoa

Depois de ver queimar – de forma inconsequente – o Museu Nacional no Rio de Janeiro, finalmente recebemos a boa notícia da criação do Museu da Natureza (Piauí), localizado na zona de entorno do Parque Nacional da Serra da Capivara. Ele não irá substituir as peças perdidas no Rio de Janeiro, mas certamente dará um novo fôlego, e quem sabe um novo direcionamento de maior respeito, ao Patrimônio Nacional, que conta com possibilidades incríveis de formação de coleções.

O Museu da Natureza não é um museu de arqueologia, embora reserve espaço para áreas afins. Sua preocupação é outra. A começar por sua inovadora arquitetura em forma de espiral, planejado e dividido em 12 grandes salas. Seu acervo explora a megafauna e natureza brasileira, situando-a dentro da história geológica do Brasil, do mundo e do universo. Sim, do Universo, pois ele se preocupa em explicar aos seus visitantes a origem da vida até os tempos atuais.

A exemplo dos modernos museus, suas salas são interativas. O visitante pode manusear experimentos com ímãs (atração de corpos celestes), observar rochas primitivas e meteoritos com microscópios ou brincar com massas terrestres em um globo gigante. A interatividade permite até um sobrevoo simulado sobre a Serra da Capivara e observação da fauna pré-histórica nos primórdios da caatinga, composta de tigres dente de sabre, dinossauros, ursos, preguiças gigantes, animais marinhos e trilobitas.

Segundo Marcello Dantas - Curador do Museu – a ideia inicial surgiu da arqueóloga Niède Guidon, pioneira no estudo do passado da região: “A ideia de construir o Museu da Natureza partiu de Niède Guidon. Ela achava que a nossa história não poderia se limitar à história do homem, pois as descobertas na Serra da Capivara revelaram muito sobre a evolução da natureza”. Niède tem razão!

O Brasil, apesar de sua enorme riqueza e potencial em recursos naturais, apresenta ainda um baixo índice de unidades (Parques Nacionais) visitadas por nossa população. Só para se ter uma ideia, no Brasil são 10 milhões de visitas anuais, enquanto nos EUA, são mais de 307 milhões! Com a inauguração do Museu da Natureza, espera-se aumentar esse índice de visitação.

Foram mais de 50 anos de estudos na região para reunir provas e conhecimentos suficientes para a formação deste novo museu. E o local escolhido não poderia ser melhor! Localizado próximo ao Parque Nacional da Serra da Capivara - Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO - e considerada uma das maiores concentrações de sítios arqueológicos do mundo (1.354 sítios registrados) representados por milhares de pinturas rupestres datadas entre 6 a 12 mil anos de antiguidade. O Museu da Natureza aguarda agora, a nossa visita, para fortalecer sua existência e permitir seu reconhecimento.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: ARQUEOLOGIA AMERICANA (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 07/01/2019 às 10h24 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.


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Depois de ver queimar – de forma inconsequente – o Museu Nacional no Rio de Janeiro, finalmente recebemos a boa notícia da criação do Museu da Natureza (Piauí), localizado na zona de entorno do Parque Nacional da Serra da Capivara. Ele não irá substituir as peças perdidas no Rio de Janeiro, mas certamente dará um novo fôlego, e quem sabe um novo direcionamento de maior respeito, ao Patrimônio Nacional, que conta com possibilidades incríveis de formação de coleções.

O Museu da Natureza não é um museu de arqueologia, embora reserve espaço para áreas afins. Sua preocupação é outra. A começar por sua inovadora arquitetura em forma de espiral, planejado e dividido em 12 grandes salas. Seu acervo explora a megafauna e natureza brasileira, situando-a dentro da história geológica do Brasil, do mundo e do universo. Sim, do Universo, pois ele se preocupa em explicar aos seus visitantes a origem da vida até os tempos atuais.

A exemplo dos modernos museus, suas salas são interativas. O visitante pode manusear experimentos com ímãs (atração de corpos celestes), observar rochas primitivas e meteoritos com microscópios ou brincar com massas terrestres em um globo gigante. A interatividade permite até um sobrevoo simulado sobre a Serra da Capivara e observação da fauna pré-histórica nos primórdios da caatinga, composta de tigres dente de sabre, dinossauros, ursos, preguiças gigantes, animais marinhos e trilobitas.

Segundo Marcello Dantas - Curador do Museu – a ideia inicial surgiu da arqueóloga Niède Guidon, pioneira no estudo do passado da região: “A ideia de construir o Museu da Natureza partiu de Niède Guidon. Ela achava que a nossa história não poderia se limitar à história do homem, pois as descobertas na Serra da Capivara revelaram muito sobre a evolução da natureza”. Niède tem razão!

O Brasil, apesar de sua enorme riqueza e potencial em recursos naturais, apresenta ainda um baixo índice de unidades (Parques Nacionais) visitadas por nossa população. Só para se ter uma ideia, no Brasil são 10 milhões de visitas anuais, enquanto nos EUA, são mais de 307 milhões! Com a inauguração do Museu da Natureza, espera-se aumentar esse índice de visitação.

Foram mais de 50 anos de estudos na região para reunir provas e conhecimentos suficientes para a formação deste novo museu. E o local escolhido não poderia ser melhor! Localizado próximo ao Parque Nacional da Serra da Capivara - Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO - e considerada uma das maiores concentrações de sítios arqueológicos do mundo (1.354 sítios registrados) representados por milhares de pinturas rupestres datadas entre 6 a 12 mil anos de antiguidade. O Museu da Natureza aguarda agora, a nossa visita, para fortalecer sua existência e permitir seu reconhecimento.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: ARQUEOLOGIA AMERICANA (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 07/01/2019 às 10h24 | daltonmaziero@uol.com.br



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