Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

PUMA PUNKU – UM QUEBRA CABEÇA EM 3D

Estive ao menos quatro vezes em Puma Punku, na Bolívia. Em todas, sai daquelas ruínas com a nítida impressão de estar diante de um dos maiores desafios arqueológicos das Américas. Puma Punku foi construída ao redor do século VI. É na realidade, um templo que parece erguido em forma de pirâmide escalonada. Está situado dentro das ruínas de Tiwanaku, uma enorme cidade pré-colombiana às margens do lago Titicaca, em pleno altiplano boliviano, partilhado também com o Peru.

Puma Punku é formada por quatro terraços ladeada por lousas de pedra. Sobre esses terraços, foram colocados estranhos blocos, formando um edifício que nunca foi finalizado. Suas dimensões totais são de aproximadamente 116 x 167 metros. Acredita-se que a altura esteja no passado, por volta de 18 metros. O que mais intriga os visitantes de Puma Punku são seus colossais blocos de pedras, cortados e polidos à exaustão. Alguns deles chegam a pesar 20 toneladas, apresentando recortes tão detalhados, que nos fazem pensar sobre sua real utilização, ou como na realidade, se encaixavam umas às outras.

Agora, uma iniciativa pioneira – apoiada em alta tecnologia – propõe recriar esse monumento. Uma vez que é impossível manusear fisicamente suas enormes pedra para buscar a forma original da construção, a Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA) reproduziu-os em miniatura, com a ajuda de um software e impressora 3D. O resultado foi a criação de 157 peças que formam um “quebra cabeça” tridimensional.

O projeto foi concebido pelo arqueólogo Alexei Vranic que, baseado em rigorosas medidas, recriou as peças em uma escala que representa 4% de seu tamanho real. Dessa forma, a manipulação em busca da forma original do monumento ganha novas perspectivas. Segundo Alexei, “A intenção de nosso projeto era traduzir esses dados em algo que nossas mãos e nossas mentes pudessem compreender. A impressão em miniatura dos modelos em 3D das pedras, nos permitiu manejar e reorganizar rapidamente os blocos para tentar recriar a estrutura”.

A proposta de construção através do recurso 3D provavelmente irá ajudar os cientistas a decifrar o uso prático daquele templo. A primeira conclusão do experimento mostra que a duplicação de portas em diferentes tamanhos, ao se encaixarem, passam a impressão de um espelho, como se a pessoa que adentrasse ao templo contemplasse o infinito.

Com essa aplicação técnica em Puma Punku, é possível agora pensar na mesma ação em relação a outros sítios arqueológicos, como Angkor Wat ou Palmira, destruída nos recentes conflitos na Síria.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: ARQUEOLOGIA AMERICANA (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 18/01/2019 às 20h06 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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PUMA PUNKU – UM QUEBRA CABEÇA EM 3D

Estive ao menos quatro vezes em Puma Punku, na Bolívia. Em todas, sai daquelas ruínas com a nítida impressão de estar diante de um dos maiores desafios arqueológicos das Américas. Puma Punku foi construída ao redor do século VI. É na realidade, um templo que parece erguido em forma de pirâmide escalonada. Está situado dentro das ruínas de Tiwanaku, uma enorme cidade pré-colombiana às margens do lago Titicaca, em pleno altiplano boliviano, partilhado também com o Peru.

Puma Punku é formada por quatro terraços ladeada por lousas de pedra. Sobre esses terraços, foram colocados estranhos blocos, formando um edifício que nunca foi finalizado. Suas dimensões totais são de aproximadamente 116 x 167 metros. Acredita-se que a altura esteja no passado, por volta de 18 metros. O que mais intriga os visitantes de Puma Punku são seus colossais blocos de pedras, cortados e polidos à exaustão. Alguns deles chegam a pesar 20 toneladas, apresentando recortes tão detalhados, que nos fazem pensar sobre sua real utilização, ou como na realidade, se encaixavam umas às outras.

Agora, uma iniciativa pioneira – apoiada em alta tecnologia – propõe recriar esse monumento. Uma vez que é impossível manusear fisicamente suas enormes pedra para buscar a forma original da construção, a Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA) reproduziu-os em miniatura, com a ajuda de um software e impressora 3D. O resultado foi a criação de 157 peças que formam um “quebra cabeça” tridimensional.

O projeto foi concebido pelo arqueólogo Alexei Vranic que, baseado em rigorosas medidas, recriou as peças em uma escala que representa 4% de seu tamanho real. Dessa forma, a manipulação em busca da forma original do monumento ganha novas perspectivas. Segundo Alexei, “A intenção de nosso projeto era traduzir esses dados em algo que nossas mãos e nossas mentes pudessem compreender. A impressão em miniatura dos modelos em 3D das pedras, nos permitiu manejar e reorganizar rapidamente os blocos para tentar recriar a estrutura”.

A proposta de construção através do recurso 3D provavelmente irá ajudar os cientistas a decifrar o uso prático daquele templo. A primeira conclusão do experimento mostra que a duplicação de portas em diferentes tamanhos, ao se encaixarem, passam a impressão de um espelho, como se a pessoa que adentrasse ao templo contemplasse o infinito.

Com essa aplicação técnica em Puma Punku, é possível agora pensar na mesma ação em relação a outros sítios arqueológicos, como Angkor Wat ou Palmira, destruída nos recentes conflitos na Síria.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: ARQUEOLOGIA AMERICANA (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 18/01/2019 às 20h06 | daltonmaziero@uol.com.br



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