Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

OS ATLANTES DE TULA

Tula - chamada Tollan-Xicocotitlan - fica a 70 km da Cidade do México, em plena região semidesértica. Nenhum viajante se daria ao trabalho de ir até lá, se não fossem as espetaculares ruínas da antiga capital do povo Tolteca (700-1179 dC), às quais pertencem os impressionantes Atlantes de Tula. A capital tolteca ocupou uma área de 16 km², com aproximadamente 30 mil habitantes. Foi uma das maiores cidades pré-colombianas do antigo México.

A primeira referência que temos dessas ruínas data do século XVI. São mencionadas pelo Frei Bernardino de Sahagún, como “Morro dos Tesouros”. Em 1873, o acadêmico Antonio G. Cubas arriscava descreveu a antiga Tula para a Sociedade Mexicana de História e Geografia. Em 1885, Désiré Charnay - um antiquário francês - fez escavações na intenção de obter tesouros perdidos para venda à colecionadores. Somente em 1940, o arqueólogo Jorge Ruffier Acosta executa um projeto sério de escavações que durou mais de 20 anos, sob apoio do INAH (Instituto Nacional de Antropologia e História). Outras só ocorreriam na década de 1970, com a reconstrução de vários edifícios.

Nesse contexto, surgem os Atlantes de Tula, quatro gigantescas estátuas antropomorfas esculpidas em basalto e forma de coluna - medindo mais de 4,6 metros cada - que hoje ocupam o topo da Pirâmide B, também conhecida como Templo de Tlahuizcalpantecutli. Suas imagens representam o deus Quetzalcóatl, vestindo roupas de guerra, com proteção peitoral, punhais, dardos e átlatl (lançador de dardos). Acredita-se que os monumentos seguravam o teto de um espaço sagrado, construído no topo da pirâmide. Quando o arqueólogo Jorge R. Acosta os descobriu em 1940, estavam tombadas e partidas.
A impressionante beleza estética das figuras, resgata diversos elementos pertencentes aos guerreiros toltecas, como o uso de sandálias, disco de proteção preso às costas, tocado com proteção para orelhas e braceletes. Quanto ao peitoral em formato de mariposa, ele representa o deus Xiuhtecuhtli (Senhor Precioso) uma das divindades dos povos nômades do Norte, relacionado ao fogo. Também existe associação com Huehueteotl (Senhor Velho), representado por um braseiro em chamas.

A antiga capital tolteca foi uma grande sociedade multiétnica e socialmente estratificada. Ali viviam diversos povos originários das mais distantes regiões, como os teotihuacanos, chichimecas e mexicas. A descoberta dos Atlantes nos mostra como a guerra era importante para esses povos, pois no mesmo local foram encontrados relevos de jaguares e águias devorando corações, e de serpentes engolindo guerreiros inimigos. Acredita-se hoje, que a guerra para os toltecas exerceu um papel transcendental, e que exercê-la era um ato religioso.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 07/03/2019 às 10h20 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

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Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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OS ATLANTES DE TULA

Tula - chamada Tollan-Xicocotitlan - fica a 70 km da Cidade do México, em plena região semidesértica. Nenhum viajante se daria ao trabalho de ir até lá, se não fossem as espetaculares ruínas da antiga capital do povo Tolteca (700-1179 dC), às quais pertencem os impressionantes Atlantes de Tula. A capital tolteca ocupou uma área de 16 km², com aproximadamente 30 mil habitantes. Foi uma das maiores cidades pré-colombianas do antigo México.

A primeira referência que temos dessas ruínas data do século XVI. São mencionadas pelo Frei Bernardino de Sahagún, como “Morro dos Tesouros”. Em 1873, o acadêmico Antonio G. Cubas arriscava descreveu a antiga Tula para a Sociedade Mexicana de História e Geografia. Em 1885, Désiré Charnay - um antiquário francês - fez escavações na intenção de obter tesouros perdidos para venda à colecionadores. Somente em 1940, o arqueólogo Jorge Ruffier Acosta executa um projeto sério de escavações que durou mais de 20 anos, sob apoio do INAH (Instituto Nacional de Antropologia e História). Outras só ocorreriam na década de 1970, com a reconstrução de vários edifícios.

Nesse contexto, surgem os Atlantes de Tula, quatro gigantescas estátuas antropomorfas esculpidas em basalto e forma de coluna - medindo mais de 4,6 metros cada - que hoje ocupam o topo da Pirâmide B, também conhecida como Templo de Tlahuizcalpantecutli. Suas imagens representam o deus Quetzalcóatl, vestindo roupas de guerra, com proteção peitoral, punhais, dardos e átlatl (lançador de dardos). Acredita-se que os monumentos seguravam o teto de um espaço sagrado, construído no topo da pirâmide. Quando o arqueólogo Jorge R. Acosta os descobriu em 1940, estavam tombadas e partidas.
A impressionante beleza estética das figuras, resgata diversos elementos pertencentes aos guerreiros toltecas, como o uso de sandálias, disco de proteção preso às costas, tocado com proteção para orelhas e braceletes. Quanto ao peitoral em formato de mariposa, ele representa o deus Xiuhtecuhtli (Senhor Precioso) uma das divindades dos povos nômades do Norte, relacionado ao fogo. Também existe associação com Huehueteotl (Senhor Velho), representado por um braseiro em chamas.

A antiga capital tolteca foi uma grande sociedade multiétnica e socialmente estratificada. Ali viviam diversos povos originários das mais distantes regiões, como os teotihuacanos, chichimecas e mexicas. A descoberta dos Atlantes nos mostra como a guerra era importante para esses povos, pois no mesmo local foram encontrados relevos de jaguares e águias devorando corações, e de serpentes engolindo guerreiros inimigos. Acredita-se hoje, que a guerra para os toltecas exerceu um papel transcendental, e que exercê-la era um ato religioso.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 07/03/2019 às 10h20 | daltonmaziero@uol.com.br



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