Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A PIRÂMIDE REDONDA DE CUICUILCO

 

Existe na cidade do México e arredores, uma infinidade de atrações arqueológicas. Basta abrir um guia de viagem para ver ali relacionado o Templo Mayor Asteca (Mexica), os Atlantes de Tula, o Museu Nacional de Antropologia ou as ruínas da famosa cidade de Teotihuacán, com sua gigantesca Pirâmide do Sol. Contudo, poucos conhecem ou ouviram falar de Cuicuilco e sua pirâmide redonda, um dos únicos exemplares conhecidos neste estilo.

Cuicuilco é provavelmente a mais antiga zona arqueológica dentro do Vale do México. Mais antiga ainda que Teotihuacán! Sua construção data de 800 aC a 250 dC.; sendo, portanto, contemporânea do povo Olmeca, um dos mais antigos e influenciadores na Mesoamérica. Por este motivo, em Cuicuilco encontramos traços primevos de arquitetura, do entendimento cosmológico e das observações climáticas que dariam posteriormente os dados para a criação de um calendário solar. Também em Cuicuilco foram encontradas as referências mais antigas ao Deus do Fogo, relacionado a um vulcão que mais tarde os destruiria.

Ainda hoje podemos ver os vestígios de uma cidade que abrigou 40 mil pessoas, contendo ruas, templos, praças, terraços e dezenas de pirâmides, entre as quais a enorme pirâmide redonda, conhecida oficialmente como “El Gran Basamento”, cuja construção data de 600-400 aC. Ela é uma das primeiras grandes estruturas de pedra conhecida em toda Mesoamérica – com 110 metros de diâmetro – e o primeiro edifício criado para funcionar como um calendário. De seu topo, ainda hoje é possível observar o equinócio – quando o movimento solar torna iguais dias e noites – detrás do vulcão El Papayo. A pirâmide de forma elíptica tornou-se uma arquitetura precursora, usando de patamares e com utilização de altares em sua parte superior e antecâmara na parte inferior, ornada com pinturas.

A antiga Cuicuilco ocupava cerca de 400 hectares, de modo que podemos ver restos desta cidade espalhados em parques e ruas distantes cerca de 1,5 km de distância de sua maior pirâmide. Segundo a arqueóloga Zelia María Magdalena Nuttall (1857-1933), o termo “Cuicuilco” pode significar “lugar onde se dança e canta”, talvez uma menção ao seu caráter e uso sagrado. Seja como for, tudo leva a crer que sua sociedade foi bastante avançada – como revelam os sofisticados canais de água – e hierarquizada, contendo camponeses, artesãos, guerreiros, médicos, sacerdotes e governantes.

Contudo, boa parte das ruinas de Cuicuilco continuam debaixo de uma capa de lava seca que chega a atingir 10 metros de espessura. Tudo porque, em 250 dC, o Vulcão Xitlé explodiu, engolindo a cidade e dispersando sua população, que migrou para Toluca e para a nova grande cidade de Teotihuacán, que se tornaria em breve a maior metrópole mesoamericana.


Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: ARQUEOLOGIA AMERICANA (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 12/04/2019 às 21h37 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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A PIRÂMIDE REDONDA DE CUICUILCO

 

Existe na cidade do México e arredores, uma infinidade de atrações arqueológicas. Basta abrir um guia de viagem para ver ali relacionado o Templo Mayor Asteca (Mexica), os Atlantes de Tula, o Museu Nacional de Antropologia ou as ruínas da famosa cidade de Teotihuacán, com sua gigantesca Pirâmide do Sol. Contudo, poucos conhecem ou ouviram falar de Cuicuilco e sua pirâmide redonda, um dos únicos exemplares conhecidos neste estilo.

Cuicuilco é provavelmente a mais antiga zona arqueológica dentro do Vale do México. Mais antiga ainda que Teotihuacán! Sua construção data de 800 aC a 250 dC.; sendo, portanto, contemporânea do povo Olmeca, um dos mais antigos e influenciadores na Mesoamérica. Por este motivo, em Cuicuilco encontramos traços primevos de arquitetura, do entendimento cosmológico e das observações climáticas que dariam posteriormente os dados para a criação de um calendário solar. Também em Cuicuilco foram encontradas as referências mais antigas ao Deus do Fogo, relacionado a um vulcão que mais tarde os destruiria.

Ainda hoje podemos ver os vestígios de uma cidade que abrigou 40 mil pessoas, contendo ruas, templos, praças, terraços e dezenas de pirâmides, entre as quais a enorme pirâmide redonda, conhecida oficialmente como “El Gran Basamento”, cuja construção data de 600-400 aC. Ela é uma das primeiras grandes estruturas de pedra conhecida em toda Mesoamérica – com 110 metros de diâmetro – e o primeiro edifício criado para funcionar como um calendário. De seu topo, ainda hoje é possível observar o equinócio – quando o movimento solar torna iguais dias e noites – detrás do vulcão El Papayo. A pirâmide de forma elíptica tornou-se uma arquitetura precursora, usando de patamares e com utilização de altares em sua parte superior e antecâmara na parte inferior, ornada com pinturas.

A antiga Cuicuilco ocupava cerca de 400 hectares, de modo que podemos ver restos desta cidade espalhados em parques e ruas distantes cerca de 1,5 km de distância de sua maior pirâmide. Segundo a arqueóloga Zelia María Magdalena Nuttall (1857-1933), o termo “Cuicuilco” pode significar “lugar onde se dança e canta”, talvez uma menção ao seu caráter e uso sagrado. Seja como for, tudo leva a crer que sua sociedade foi bastante avançada – como revelam os sofisticados canais de água – e hierarquizada, contendo camponeses, artesãos, guerreiros, médicos, sacerdotes e governantes.

Contudo, boa parte das ruinas de Cuicuilco continuam debaixo de uma capa de lava seca que chega a atingir 10 metros de espessura. Tudo porque, em 250 dC, o Vulcão Xitlé explodiu, engolindo a cidade e dispersando sua população, que migrou para Toluca e para a nova grande cidade de Teotihuacán, que se tornaria em breve a maior metrópole mesoamericana.


Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: ARQUEOLOGIA AMERICANA (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 12/04/2019 às 21h37 | daltonmaziero@uol.com.br



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