Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

O maior painel de gravura rupestre de São Paulo

Uma impressionante descoberta ocorreu no interior do estado de São Paulo, suscitando uma série de indagações sobre o passado do sudeste brasileiro. Em Ribeirão Bonito, um painel com mais de 50 metros de gravuras rupestres pode alterar muito do que conhecemos sobre a ocupação humana na região.

A notícia foi dada pelo pesquisador Astolfo Araujo - Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) USP - que também é coordenador das escavações. É o maior painel de gravuras rupestres localizado em território paulista. Além das gravuras, foram encontrados também carvão queimado, ossos de animais e pedras lascadas.

Apesar da surpreendente descoberta, Astolfo é cauteloso ao interpretar os dados iniciais como revolucionários para a história da região. Segundo o pesquisador: “Com certeza o abrigo de Ribeirão Bonito foi uma surpresa enorme e muito agradável, mostra que em São Paulo temos um potencial muito grande para esse tipo de estudo, e que há aqui coisas tão interessantes como a Pedra do Ingá. Por outro lado, como temos sítios menores, mas com grafismos semelhantes em outros lugares do Sudeste de Sul do Brasil, torna-se mais uma questão de construir o conhecimento de maneira constante do que de uma revolução em si”.

Assim como ocorre com a Pedra do Ingá (PE), os pesquisadores acreditam que dificilmente conseguiremos saber o significado exato de tais símbolos. Seu estudo ocorre pelo registro dos padrões, e pela comparação com outros achados, pautados nas similaridades e diferenças. Dessa forma, a descoberta de Ribeirão Bonito, neste momento, cria mais indagações do que respostas.

Outro problema a ser resolvido é sobre a datação do painel. Existem nas proximidades, sítios com mais de 12 mil anos. Segundo Astolfo, “O Sítio Bastos, em Dourado, que foi datado em 12.500 anos está bem próximo do abrigo com arte rupestre e é muito possível que a mesma população tenha circulado nos dois locais. O problema é que ainda não temos datações confiáveis e nem material escavado suficiente no abrigo para comparar os dois sítios. Vamos precisar pedir mais verba para pesquisa”.

Existe a possibilidade ainda, que o grafismo rupestre signifique uma demarcação territorial. Talvez não uma indicação de caminho a seguir, mas sim um recado do tipo “este local faz parte de nosso território”, uma vez que o alto índice de grafismos sugira uma população constante na região. Além de todas as indagações científicas, a descoberta abre também a possibilidade futura para um “tour arqueológico” nos arredores. Segundo Astolfo, “Seria ótimo para a região, com certeza. Por que não? Na região de Analândia isso funciona muito bem!”.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 12/07/2019 às 18h23 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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América Misteriosa
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O maior painel de gravura rupestre de São Paulo

Uma impressionante descoberta ocorreu no interior do estado de São Paulo, suscitando uma série de indagações sobre o passado do sudeste brasileiro. Em Ribeirão Bonito, um painel com mais de 50 metros de gravuras rupestres pode alterar muito do que conhecemos sobre a ocupação humana na região.

A notícia foi dada pelo pesquisador Astolfo Araujo - Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) USP - que também é coordenador das escavações. É o maior painel de gravuras rupestres localizado em território paulista. Além das gravuras, foram encontrados também carvão queimado, ossos de animais e pedras lascadas.

Apesar da surpreendente descoberta, Astolfo é cauteloso ao interpretar os dados iniciais como revolucionários para a história da região. Segundo o pesquisador: “Com certeza o abrigo de Ribeirão Bonito foi uma surpresa enorme e muito agradável, mostra que em São Paulo temos um potencial muito grande para esse tipo de estudo, e que há aqui coisas tão interessantes como a Pedra do Ingá. Por outro lado, como temos sítios menores, mas com grafismos semelhantes em outros lugares do Sudeste de Sul do Brasil, torna-se mais uma questão de construir o conhecimento de maneira constante do que de uma revolução em si”.

Assim como ocorre com a Pedra do Ingá (PE), os pesquisadores acreditam que dificilmente conseguiremos saber o significado exato de tais símbolos. Seu estudo ocorre pelo registro dos padrões, e pela comparação com outros achados, pautados nas similaridades e diferenças. Dessa forma, a descoberta de Ribeirão Bonito, neste momento, cria mais indagações do que respostas.

Outro problema a ser resolvido é sobre a datação do painel. Existem nas proximidades, sítios com mais de 12 mil anos. Segundo Astolfo, “O Sítio Bastos, em Dourado, que foi datado em 12.500 anos está bem próximo do abrigo com arte rupestre e é muito possível que a mesma população tenha circulado nos dois locais. O problema é que ainda não temos datações confiáveis e nem material escavado suficiente no abrigo para comparar os dois sítios. Vamos precisar pedir mais verba para pesquisa”.

Existe a possibilidade ainda, que o grafismo rupestre signifique uma demarcação territorial. Talvez não uma indicação de caminho a seguir, mas sim um recado do tipo “este local faz parte de nosso território”, uma vez que o alto índice de grafismos sugira uma população constante na região. Além de todas as indagações científicas, a descoberta abre também a possibilidade futura para um “tour arqueológico” nos arredores. Segundo Astolfo, “Seria ótimo para a região, com certeza. Por que não? Na região de Analândia isso funciona muito bem!”.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 12/07/2019 às 18h23 | daltonmaziero@uol.com.br



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