Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

PACHATAKA – A “FORCA” DO INCA

Para quem chega à pequena cidade de Copacabana, às margens do lago Titicaca (lado boliviano), irá se deparar com um monumento arqueológico popularmente chamada de “Forca do Inca” (Horca del Inca). Ele fica a não mais que 600 metros do centro da cidade, no morro de Quesasani, e pode ser atingido facilmente a pé.

O infeliz termo – “Forca” – foi atribuído na época da conquista espanhola, por conquistadores que viram ali, em traves de pedra apoiadas em colunas, o suporte necessário para o enforcamento de delinquentes no passado incaico. Muitos viajantes, ao longo do período colonial, reforçaram essa ideia e contribuíram para o desvio da compreensão daquele monumento. Em 1880, o viajante Charles Wiener (1851-1913) – buscando uma semelhança com monumentos europeus – chama as colunas de "dólmens", fazendo uma clara referência a Stonehenge, na Inglaterra.

O mistério da "Forca do Inca" só foi devidamente esclarecido em 1983, quando
Juan de la Cruz Zapata, especialista em física cósmica da Universidad Mayor de San Andrés, desenvolveu estudos nos quais concluiu que as colunas foram usadas para prever as mudanças de estações e solstícios de verão e inverno. Também, usariam o local para prever os movimentos lunares e a chegada de eclipses. Hoje, podemos dizer, com toda a certeza, que o monumento representou, outrora, um observatório astronômico!

Em finais da década de 80, o arqueólogo Oswaldo Rivera Sundt confirmou esta
tese. Descobriu pedras que foram rebaixadas, propositalmente, para que os raios solares pudessem projetar-se nos travessões erguidos. Estas "deformações" rochosas serviriam para marcar datas fundamentais. Através delas, os antigos povos puderam organizar seu ano e suas plantações. Em escavações arqueológicas, foram encontradas peças de cerâmica que dataram de 1764 a.C., situando o monumento dentro do período de ocupação Chiripa. Com o passar do tempo, o termo errôneo foi mudando, para o que muitos chamam hoje de Pachataka, que em aymara quer dizer “lugar onde se mede o tempo”.

Do alto do Quesasani, não é difícil imaginar os profissionais que trabalhavam com o objetivo de decifrar os raios solares no passado. Acredita-se por exemplo, que uma dessas ações ocorria às 8:05 da manhã de 21 de junho (hemisfério sul do planeta), quando no local um raio de sol projetava-se por um orifício na rocha, projetando-se a mais de 21 metros em uma das colunas ali existente. Essa era a confirmação do Solstício de Inverno, quando o sol atinge a maior distância angular em relação à linha do Equador. Com base nesse conhecimento, planejavam seu plantio e alimentavam sua cosmologia.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br)
 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 18/11/2019 às 12h19 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

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Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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PACHATAKA – A “FORCA” DO INCA

Para quem chega à pequena cidade de Copacabana, às margens do lago Titicaca (lado boliviano), irá se deparar com um monumento arqueológico popularmente chamada de “Forca do Inca” (Horca del Inca). Ele fica a não mais que 600 metros do centro da cidade, no morro de Quesasani, e pode ser atingido facilmente a pé.

O infeliz termo – “Forca” – foi atribuído na época da conquista espanhola, por conquistadores que viram ali, em traves de pedra apoiadas em colunas, o suporte necessário para o enforcamento de delinquentes no passado incaico. Muitos viajantes, ao longo do período colonial, reforçaram essa ideia e contribuíram para o desvio da compreensão daquele monumento. Em 1880, o viajante Charles Wiener (1851-1913) – buscando uma semelhança com monumentos europeus – chama as colunas de "dólmens", fazendo uma clara referência a Stonehenge, na Inglaterra.

O mistério da "Forca do Inca" só foi devidamente esclarecido em 1983, quando
Juan de la Cruz Zapata, especialista em física cósmica da Universidad Mayor de San Andrés, desenvolveu estudos nos quais concluiu que as colunas foram usadas para prever as mudanças de estações e solstícios de verão e inverno. Também, usariam o local para prever os movimentos lunares e a chegada de eclipses. Hoje, podemos dizer, com toda a certeza, que o monumento representou, outrora, um observatório astronômico!

Em finais da década de 80, o arqueólogo Oswaldo Rivera Sundt confirmou esta
tese. Descobriu pedras que foram rebaixadas, propositalmente, para que os raios solares pudessem projetar-se nos travessões erguidos. Estas "deformações" rochosas serviriam para marcar datas fundamentais. Através delas, os antigos povos puderam organizar seu ano e suas plantações. Em escavações arqueológicas, foram encontradas peças de cerâmica que dataram de 1764 a.C., situando o monumento dentro do período de ocupação Chiripa. Com o passar do tempo, o termo errôneo foi mudando, para o que muitos chamam hoje de Pachataka, que em aymara quer dizer “lugar onde se mede o tempo”.

Do alto do Quesasani, não é difícil imaginar os profissionais que trabalhavam com o objetivo de decifrar os raios solares no passado. Acredita-se por exemplo, que uma dessas ações ocorria às 8:05 da manhã de 21 de junho (hemisfério sul do planeta), quando no local um raio de sol projetava-se por um orifício na rocha, projetando-se a mais de 21 metros em uma das colunas ali existente. Essa era a confirmação do Solstício de Inverno, quando o sol atinge a maior distância angular em relação à linha do Equador. Com base nesse conhecimento, planejavam seu plantio e alimentavam sua cosmologia.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br)
 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 18/11/2019 às 12h19 | daltonmaziero@uol.com.br



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