Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A ELABORADA ARTE DO POVO HOPEWELL

Os povos pré-colombianos da América do Norte são pouco – ou nada – conhecidos de nós, brasileiros. Quando especulamos sobre a vida e obra de grupos como Anasazi, Pueblo, Adena ou Hopewell, quase nenhuma referência nos vem à mente. Contudo, esses povos da América do Norte produziram alguns dos melhores e mais refinados trabalhos artísticos de nosso continente.

Os Hopewell – que viveram ao sul de Ohio (EUA) entre 100 e 500 dC – produziram obras em grande variedade e com um refinamento nunca visto. Além da pedra e cerâmica, exploravam as possibilidades de materiais exóticos, como a mica, dentes de animais (tubarões, ursos), ossos (animais e humanos), conchas do mar e pérolas de água doce; além de alguns metais, como a prata e o cobre. Muito do que sabemos sobre o povo Hopewell é proveniente de seus montes mortuários (Mounds), onde depositavam grandes quantidades de artefatos. Sítios arqueológicos como o Mound of Pipes e Tremper Site, geraram respectivamente 200 e 130 cachimbos de pedra finamente esculpidos, com reproduções de pássaros, veados, ursos e outros animais. Também trabalhavam de forma excepcional, as abstrações. Um dos exemplos mais importantes nessa linha de representação é a Mica Hand, localizada em Ross County (Ohio), uma delicada não humana estilizada, cortada em um pedaço de mica com 11 x 6 cm. Não se sabe a real utilização desta peça, se para ornamento ou processo ritualístico.

Essa diversidade artística conquistada pelos Hopewells ocorreu graças a uma ampla rede comercial que atingia terras dos atuais Canadá e México. O cobre era proveniente da região dos Grandes Lagos, e com ele faziam ornamentos como pulseiras, colares, peitorais e outros para orelhas. As conchas provinham do Golfo do México, a mica do estado das Carolinas e a obsidiana das Montanhas Rochosas

Assim como os geoglifos da América do Sul, existiam os Mounds da América do Norte. Estes foram formações artificiais terrestres, executadas com a força humana de muita gente. Mas, ao contrário dos geoglifos, os mounds muitas vezes abrigavam sepultamentos. Essas terraplanagens geométricas apresentavam formas quadradas, octogonais e circulares. Algumas delas continham grandes quantidades de artefatos, sugerindo uma hierarquia social. Um dos maiores exemplos de sepultamentos encontram-se em Mound City (Chillicote), que está sendo cotado para transformar-se em Patrimônio Mundial.

Por volta de 400 dC, praticamente todas as construções atribuídas aos hopewells estavam terminadas. Iniciou-se um rápido período de mudanças. As grandes construções são abandonadas e a arte perde importância. As aldeias aumentam de população, surgindo valas e muros de proteção. Alguns arqueólogos acreditam que esse declínio cultural ocorreu pelo abandono de antigas tradições.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 06/12/2019 às 10h53 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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A ELABORADA ARTE DO POVO HOPEWELL

Os povos pré-colombianos da América do Norte são pouco – ou nada – conhecidos de nós, brasileiros. Quando especulamos sobre a vida e obra de grupos como Anasazi, Pueblo, Adena ou Hopewell, quase nenhuma referência nos vem à mente. Contudo, esses povos da América do Norte produziram alguns dos melhores e mais refinados trabalhos artísticos de nosso continente.

Os Hopewell – que viveram ao sul de Ohio (EUA) entre 100 e 500 dC – produziram obras em grande variedade e com um refinamento nunca visto. Além da pedra e cerâmica, exploravam as possibilidades de materiais exóticos, como a mica, dentes de animais (tubarões, ursos), ossos (animais e humanos), conchas do mar e pérolas de água doce; além de alguns metais, como a prata e o cobre. Muito do que sabemos sobre o povo Hopewell é proveniente de seus montes mortuários (Mounds), onde depositavam grandes quantidades de artefatos. Sítios arqueológicos como o Mound of Pipes e Tremper Site, geraram respectivamente 200 e 130 cachimbos de pedra finamente esculpidos, com reproduções de pássaros, veados, ursos e outros animais. Também trabalhavam de forma excepcional, as abstrações. Um dos exemplos mais importantes nessa linha de representação é a Mica Hand, localizada em Ross County (Ohio), uma delicada não humana estilizada, cortada em um pedaço de mica com 11 x 6 cm. Não se sabe a real utilização desta peça, se para ornamento ou processo ritualístico.

Essa diversidade artística conquistada pelos Hopewells ocorreu graças a uma ampla rede comercial que atingia terras dos atuais Canadá e México. O cobre era proveniente da região dos Grandes Lagos, e com ele faziam ornamentos como pulseiras, colares, peitorais e outros para orelhas. As conchas provinham do Golfo do México, a mica do estado das Carolinas e a obsidiana das Montanhas Rochosas

Assim como os geoglifos da América do Sul, existiam os Mounds da América do Norte. Estes foram formações artificiais terrestres, executadas com a força humana de muita gente. Mas, ao contrário dos geoglifos, os mounds muitas vezes abrigavam sepultamentos. Essas terraplanagens geométricas apresentavam formas quadradas, octogonais e circulares. Algumas delas continham grandes quantidades de artefatos, sugerindo uma hierarquia social. Um dos maiores exemplos de sepultamentos encontram-se em Mound City (Chillicote), que está sendo cotado para transformar-se em Patrimônio Mundial.

Por volta de 400 dC, praticamente todas as construções atribuídas aos hopewells estavam terminadas. Iniciou-se um rápido período de mudanças. As grandes construções são abandonadas e a arte perde importância. As aldeias aumentam de população, surgindo valas e muros de proteção. Alguns arqueólogos acreditam que esse declínio cultural ocorreu pelo abandono de antigas tradições.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 06/12/2019 às 10h53 | daltonmaziero@uol.com.br



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