Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

INCA UYO - O TEMPLO DA FERTILIDADE

Chucuito é um singular povoado colonial, que conseguiu manter suas características, apesar da antiguidade. Localizado no Peru, às margens do lago Titicaca, foi a antiga capital do povo Lupaca. Como todas as demais cidades da região, possui ruínas e objetos soterrados aos montes. Na periferia e na montanha Atojja, já foram encontrados restos materiais pré-cerâmicos datando de aproximadamente 10000 aC.!

Contudo, a fama de Chucuito não vem somente de seu aspecto colonial, de suas igrejas, ou de restos pré-cerâmicos. Muitos viajantes deslocam-se a ela para visitar uma única ruína, desenterrada em 1970 pelo arqueólogo Ruiz Estrada. O lugar, de tão incomum, não possui um nome definido. Chamam-no de “Templo Inca” ou “Templo da Sexualidade”. Todos em Chucuito o conhecem. Trata-se de um "cercado", com aproximadamente dois metros de altura, formado por pedras muito bem lavradas. Uma grande caixa retangular (200 m²), com uma única e pequena entrada. Provavelmente, deve ter existido um teto, feito de material perecível. Dentro, enfileirados, pequenos "falos" de pedra ocupam o recinto de ponta a ponta! Uma única, de tamanho grande, fica posicionada bem de frente à pessoa que entra. São 75 peças fálicas ao todo. Quando estive lá em 1997, um senhor bastante idoso o chamou de Inca Uyo, que significa o "Membro Viril do Inca"!

Escavações na década de 1940 trouxeram diversos materiais como cerâmica e fragmentos de ossos. Contudo, revelou também que o templo estava em construção quando os espanhóis chegaram. Outra revelação importante é que os falos em pedra foram descobertos espalhados pela região, e não dentro do templo. Posteriormente foram postos ali pelas autoridades locais de Chucuito.

Em 1993, o pesquisador Enrique Morro confirma o fato dos falos estarem espalhados à décadas: "Embora não se encontrassem neste lugar, as esculturas estavam em ruínas de casebres e em torno de pequenas construções, sendo confeccionada pelos Incas, estavam sendo utilizadas nos alambrados, em vergas de portas, nos pátios para amarrar animais, entre outras utilizações".

Seria realmente um recinto dedicado a fertilidade humana? Por que motivo uma obra dessas estaria representada somente em Chucuito, se o território Inca era tão vasto? A construção foi, sem sombra de dúvida, realizada pelos incas. Mas... e os falos de pedra? Não seriam Lupacas? Seriam originais deste templo? Alguns arqueólogos defendem que os incas apenas teriam removido tais esculturas de outro local para este templo construído por eles. Outras pedras esculpidas, de diferentes formas, foram encontradas e estão expostas ao ar livre, ao redor do templo. Com certeza, o subsolo daquele terreno deve ainda guardar mais surpresas.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 04/02/2020 às 12h38 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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INCA UYO - O TEMPLO DA FERTILIDADE

Chucuito é um singular povoado colonial, que conseguiu manter suas características, apesar da antiguidade. Localizado no Peru, às margens do lago Titicaca, foi a antiga capital do povo Lupaca. Como todas as demais cidades da região, possui ruínas e objetos soterrados aos montes. Na periferia e na montanha Atojja, já foram encontrados restos materiais pré-cerâmicos datando de aproximadamente 10000 aC.!

Contudo, a fama de Chucuito não vem somente de seu aspecto colonial, de suas igrejas, ou de restos pré-cerâmicos. Muitos viajantes deslocam-se a ela para visitar uma única ruína, desenterrada em 1970 pelo arqueólogo Ruiz Estrada. O lugar, de tão incomum, não possui um nome definido. Chamam-no de “Templo Inca” ou “Templo da Sexualidade”. Todos em Chucuito o conhecem. Trata-se de um "cercado", com aproximadamente dois metros de altura, formado por pedras muito bem lavradas. Uma grande caixa retangular (200 m²), com uma única e pequena entrada. Provavelmente, deve ter existido um teto, feito de material perecível. Dentro, enfileirados, pequenos "falos" de pedra ocupam o recinto de ponta a ponta! Uma única, de tamanho grande, fica posicionada bem de frente à pessoa que entra. São 75 peças fálicas ao todo. Quando estive lá em 1997, um senhor bastante idoso o chamou de Inca Uyo, que significa o "Membro Viril do Inca"!

Escavações na década de 1940 trouxeram diversos materiais como cerâmica e fragmentos de ossos. Contudo, revelou também que o templo estava em construção quando os espanhóis chegaram. Outra revelação importante é que os falos em pedra foram descobertos espalhados pela região, e não dentro do templo. Posteriormente foram postos ali pelas autoridades locais de Chucuito.

Em 1993, o pesquisador Enrique Morro confirma o fato dos falos estarem espalhados à décadas: "Embora não se encontrassem neste lugar, as esculturas estavam em ruínas de casebres e em torno de pequenas construções, sendo confeccionada pelos Incas, estavam sendo utilizadas nos alambrados, em vergas de portas, nos pátios para amarrar animais, entre outras utilizações".

Seria realmente um recinto dedicado a fertilidade humana? Por que motivo uma obra dessas estaria representada somente em Chucuito, se o território Inca era tão vasto? A construção foi, sem sombra de dúvida, realizada pelos incas. Mas... e os falos de pedra? Não seriam Lupacas? Seriam originais deste templo? Alguns arqueólogos defendem que os incas apenas teriam removido tais esculturas de outro local para este templo construído por eles. Outras pedras esculpidas, de diferentes formas, foram encontradas e estão expostas ao ar livre, ao redor do templo. Com certeza, o subsolo daquele terreno deve ainda guardar mais surpresas.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 04/02/2020 às 12h38 | daltonmaziero@uol.com.br



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