Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

O CALENDÁRIO ASTECA

México. Em 17 de dezembro de 1790, um grupo de operários realizava processos de nivelamento da Praça de Armas, no centro da cidade. Ainda não se sabia, mas ali, onde hoje fica a catedral, uma série de templos mexicas (antes chamados astecas) possuíam suas fundações, incluindo o hoje famoso Templo Mayor. O artefato que esses operários localizaram tinha 22 toneladas, 4 metros de diâmetro e quase 1 metro de espessura. Era verdadeiramente impressionante, coberto de hieróglifos enigmáticos.

O artefato ficou conhecido como “Pedra do Sol”, devido a imagem central do deus Tonatuih (Deus Sol). Após sua descoberta, a pedra ficou exposta na parede externa da Catedral (torre ocidental), até o ano de 1885, momento em que o general José de la Cruz Porfírio Diaz Mori (1830-1915) a mandou recolher para exposição e preservação, no Museu Nacional. Na ocasião, os países americanos recém-independentes, buscavam por símbolos de construção de sua própria identidade. E a descoberta desse artefato contribuiu em muito, com esse intuito. Alguns estudiosos acreditam que a pedra foi esculpida ao longo de 50 anos (século XV), e que sua elaboração exigiu um profundo conhecimento dos hieróglifos mexicas associados aos símbolos do tempo. É muito provável que a pedra, na prática, tenha funcionado como calendário de ciclos rituais e agrícolas; mas também como altar de sacrifícios em ocasiões especiais.

Os antigos mexicanos contavam seus anos através da combinação de 4 signos (Tlalpilli Tochtli, Acatl, Tecpatl e Calli) mais 13 signos variáveis que, juntos, formavam um período de 52 anos, chamado Xiuhnelpilli. Da mesma forma, as semanas e os anos recebiam símbolos próprios, muitas vezes associando animais (ou eventos climáticos) aos deuses: chuva = Tláloc; vento = Chantico; jaguar = Quetzalcoatl; macaco = Patecatl, e assim por diante. O ciclo ritual tinha 260 dias (260 Tónalpóhualli), divididos em 20 signos com 13 dias cada. Já o ciclo agrícola contava com 365 dias divididos em 18 meses de 20 dias cada. A estes se acrescentava um tempo extra de 5 dias.

Os dois ciclos (ritual e agrícola) caminhavam independentes, mas a cada 52 anos, eles coincidiam. Era então um momento muito especial na vida dos mexicas, quando ocorria grande número de sacrifícios solicitando à Tonatuih, que brilhasse por mais 52 anos, com seus raios solares. Esse ritual era chamado Fogo Novo, e tinha uma duração de aproximadamente 12 dias. Segundo informações do Museu Nacional de Antropologia do México – onde hoje está exposta – o artefato nunca foi finalizado devido a uma fratura na rocha. Segundo a mesma fonte, “se trata de um grande altar de sacrifícios gladiatórios, conhecido como temalacatl...foi utilizado com o propósito de sustentar a luta de guerreiros na cerimônia de tlacaxipehualiztli”

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite nossa página “Arqueologia Americana” no Facebook (clique aqui)
 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 27/05/2020 às 11h07 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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México. Em 17 de dezembro de 1790, um grupo de operários realizava processos de nivelamento da Praça de Armas, no centro da cidade. Ainda não se sabia, mas ali, onde hoje fica a catedral, uma série de templos mexicas (antes chamados astecas) possuíam suas fundações, incluindo o hoje famoso Templo Mayor. O artefato que esses operários localizaram tinha 22 toneladas, 4 metros de diâmetro e quase 1 metro de espessura. Era verdadeiramente impressionante, coberto de hieróglifos enigmáticos.

O artefato ficou conhecido como “Pedra do Sol”, devido a imagem central do deus Tonatuih (Deus Sol). Após sua descoberta, a pedra ficou exposta na parede externa da Catedral (torre ocidental), até o ano de 1885, momento em que o general José de la Cruz Porfírio Diaz Mori (1830-1915) a mandou recolher para exposição e preservação, no Museu Nacional. Na ocasião, os países americanos recém-independentes, buscavam por símbolos de construção de sua própria identidade. E a descoberta desse artefato contribuiu em muito, com esse intuito. Alguns estudiosos acreditam que a pedra foi esculpida ao longo de 50 anos (século XV), e que sua elaboração exigiu um profundo conhecimento dos hieróglifos mexicas associados aos símbolos do tempo. É muito provável que a pedra, na prática, tenha funcionado como calendário de ciclos rituais e agrícolas; mas também como altar de sacrifícios em ocasiões especiais.

Os antigos mexicanos contavam seus anos através da combinação de 4 signos (Tlalpilli Tochtli, Acatl, Tecpatl e Calli) mais 13 signos variáveis que, juntos, formavam um período de 52 anos, chamado Xiuhnelpilli. Da mesma forma, as semanas e os anos recebiam símbolos próprios, muitas vezes associando animais (ou eventos climáticos) aos deuses: chuva = Tláloc; vento = Chantico; jaguar = Quetzalcoatl; macaco = Patecatl, e assim por diante. O ciclo ritual tinha 260 dias (260 Tónalpóhualli), divididos em 20 signos com 13 dias cada. Já o ciclo agrícola contava com 365 dias divididos em 18 meses de 20 dias cada. A estes se acrescentava um tempo extra de 5 dias.

Os dois ciclos (ritual e agrícola) caminhavam independentes, mas a cada 52 anos, eles coincidiam. Era então um momento muito especial na vida dos mexicas, quando ocorria grande número de sacrifícios solicitando à Tonatuih, que brilhasse por mais 52 anos, com seus raios solares. Esse ritual era chamado Fogo Novo, e tinha uma duração de aproximadamente 12 dias. Segundo informações do Museu Nacional de Antropologia do México – onde hoje está exposta – o artefato nunca foi finalizado devido a uma fratura na rocha. Segundo a mesma fonte, “se trata de um grande altar de sacrifícios gladiatórios, conhecido como temalacatl...foi utilizado com o propósito de sustentar a luta de guerreiros na cerimônia de tlacaxipehualiztli”

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite nossa página “Arqueologia Americana” no Facebook (clique aqui)
 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 27/05/2020 às 11h07 | daltonmaziero@uol.com.br



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