Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

MACHU PICCHU – O ENIGMA DA FALHA TECTÔNICA

Muito tem se falado na incrível capacidade do povo inca, em se construir cidades em locais inimagináveis, escarpas montanhosas e cumes aparentemente inacessíveis. O principal exemplo dessa capacidade é, sem dúvida, Machu Picchu. Contudo, novas investigações estão relacionando essa capacidade de construção a locais geológicos previamente escolhidos.

Segundo as investigações de Rualdo Menegat (Instituto de Geociências da UFRGS), a escolha do local de um novo assentamento urbano, está associada à capacidade deste tornar a futura cidade orgânica, em relação à paisagem que o circunda. Mas quais os elementos os incas encontraram que podem tornar isso possível? Podemos citar uma rede de falhas tectônicas, a forma das montanhas ao redor e as pedras provenientes dessa falha geológica.

A teoria investe no princípio do menor esforço civilizatório. Isso significa que os incas viram, no topo da montanha Huayna Picchu, condições favoráveis para a construção de um assentamento. E que condições seriam estas? Em primeiro lugar, povoamentos construídos sobre falhas e fraturas geológicas dispõem naturalmente de afloramentos rochosos fragmentados, ou seja, abundância de material rochoso para suas construções. Nota-se que Machu Picchu – ao contrário de outras construções ciclópicas – não apresenta grandes rochas moldadas. Sua maior parte é formada por pedras de tamanhos médio e pequeno. Utilizar a matéria prima local já é, por si, uma economia de energia humana.

Outra vantagem nesse processo seria a de criar possibilidade em “moldar” mais facilmente o solo topográfico de acordo com o plano da cidade e seus patamares de plantio. A retirada de rochas fragmentadas permite adaptar os setores urbanos às elevações do terreno. Esse design orgânico nas construções incaicas fazia parte, inclusive, da identidade que esse povo queria passar aos demais, como uma marca registrada de capacidade técnica e poder. Também podemos mencionar aqui, que a escolha do local estava associada à segurança que este criava em relação a deslizamentos de terra. A escolha de um local alto, com solo rochoso, impedia possíveis avalanches.

Contudo, talvez a principal vantagem ao se construir uma cidade sobre uma fratura geológica, seja mesmo a de proporcionar excelentes aquíferos! Por meio das fissuras rochosas, a água corria de forma abundante, precisando “apenas” ser canalizada da forma correta. Em se tratando de canalização da água, os povos pré-colombianos são mestres no assunto. Em Machu Picchu, podemos observar como a água que brota das fraturas rochosas é controlada por filetes esculpidos e canais artificiais que as direcionam aos patamares de plantio e residências desse mítico povoamento incaico.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite nossa página “Arqueologia Americana” no Facebook.

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/06/2020 às 09h50 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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MACHU PICCHU – O ENIGMA DA FALHA TECTÔNICA

Muito tem se falado na incrível capacidade do povo inca, em se construir cidades em locais inimagináveis, escarpas montanhosas e cumes aparentemente inacessíveis. O principal exemplo dessa capacidade é, sem dúvida, Machu Picchu. Contudo, novas investigações estão relacionando essa capacidade de construção a locais geológicos previamente escolhidos.

Segundo as investigações de Rualdo Menegat (Instituto de Geociências da UFRGS), a escolha do local de um novo assentamento urbano, está associada à capacidade deste tornar a futura cidade orgânica, em relação à paisagem que o circunda. Mas quais os elementos os incas encontraram que podem tornar isso possível? Podemos citar uma rede de falhas tectônicas, a forma das montanhas ao redor e as pedras provenientes dessa falha geológica.

A teoria investe no princípio do menor esforço civilizatório. Isso significa que os incas viram, no topo da montanha Huayna Picchu, condições favoráveis para a construção de um assentamento. E que condições seriam estas? Em primeiro lugar, povoamentos construídos sobre falhas e fraturas geológicas dispõem naturalmente de afloramentos rochosos fragmentados, ou seja, abundância de material rochoso para suas construções. Nota-se que Machu Picchu – ao contrário de outras construções ciclópicas – não apresenta grandes rochas moldadas. Sua maior parte é formada por pedras de tamanhos médio e pequeno. Utilizar a matéria prima local já é, por si, uma economia de energia humana.

Outra vantagem nesse processo seria a de criar possibilidade em “moldar” mais facilmente o solo topográfico de acordo com o plano da cidade e seus patamares de plantio. A retirada de rochas fragmentadas permite adaptar os setores urbanos às elevações do terreno. Esse design orgânico nas construções incaicas fazia parte, inclusive, da identidade que esse povo queria passar aos demais, como uma marca registrada de capacidade técnica e poder. Também podemos mencionar aqui, que a escolha do local estava associada à segurança que este criava em relação a deslizamentos de terra. A escolha de um local alto, com solo rochoso, impedia possíveis avalanches.

Contudo, talvez a principal vantagem ao se construir uma cidade sobre uma fratura geológica, seja mesmo a de proporcionar excelentes aquíferos! Por meio das fissuras rochosas, a água corria de forma abundante, precisando “apenas” ser canalizada da forma correta. Em se tratando de canalização da água, os povos pré-colombianos são mestres no assunto. Em Machu Picchu, podemos observar como a água que brota das fraturas rochosas é controlada por filetes esculpidos e canais artificiais que as direcionam aos patamares de plantio e residências desse mítico povoamento incaico.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite nossa página “Arqueologia Americana” no Facebook.

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/06/2020 às 09h50 | daltonmaziero@uol.com.br



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