Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

MONTE SIERPE – O MAIOR GEOGLIFO PERUANO

Para alguns mistérios das Américas, ainda não existem respostas plausíveis. Esse é o caso de Monte Sierpe (Montanha da Serpente), localizado há apenas 5 quilômetros das ruínas de Tambo Colorado, em Pisco, Peru.

Monte Sierpe foi descoberto em 1931, por ocasião da expedição aérea “Shippee-Johnson” de fotografia, realizada por Robert Shippee e George R. Johnson, publicada na National Geographic Magazine em 1933. Uma das fotos mostrou ao mundo uma estranha formação esculpida ao longo de 1,5 quilômetros serpenteando as montanhas e atravessando fendas. Entre 1957 e 1958, o arqueólogo norte-americano Dwight T. Wallace estudou a parte baixa dos vales de Pisco e Chincha, anotando um trecho dessa formação, com uma série de buracos (hoyos) que “são aproximadamente circulares e tem um diâmetro ao redor de 1 metro”. Não demorou a curiosos e aventureiros explorarem o local de forma particular, divulgando teorias nada científicas que envolviam a presença de extraterrestres, sepulturas verticais ou simplesmente “arte” pré-colombiana, em uma modalidade diferente dos geoglifo.

Recentemente, os arqueólogos Charles Stanish e Henry Tantaleán (UCLA –University of California, Los Angeles) tem se dedicado a desvendar esse mistério. Suas medições apontam para um total de 5.430 buracos artificiais, com diâmetro entre 80 e 180 cm; e profundidade entre 40 e 120 cm. A formação inteira alcança 1.564 metros de comprimento, sendo 17,5 metros sua largura média. Eles opinam que “com uma tecnologia pré-colombiana de pás e arados, um jovem poderia cavar um desses buracos facilmente em cerca de duas ou três horas, em média [...] Uma estimativa muito conservadora é que um trabalhador poderia facilmente cavar ou construir dois buracos por dia [...] Um cálculo simples revela que 10 trabalhadores poderiam ter feito toda a obra em 300 dias; 50 trabalhadores em 60; e 100 trabalhadores em um mês. Quinhentos trabalhadores, adequadamente gerenciados, poderiam finalizar isso em algumas semanas”.

Mas se esta impressionante obra não necessita de uma técnica tão sofisticada para sua realização, a questão recai na pergunta Por quê? Existem duas teorias plausíveis até o momento. A primeira fala em um espaço de coleta de tributos ao Inca. Nessa teoria, cada Ayllu (grupos territoriais familiares) depositaria seus produtos separados por comunidade e tipo de mercadoria. Nenhum vestígio de sementes foi encontrado até agora nos buracos, mas a ideia não é absurda, pois existem provas de sistema semelhante em Inkawasi, cerca de 100 quilômetros de Monte Sierpe. Outra teoria aproxima-o dos geoglifos, relacionando-o a formações terrestres voltadas a ritos de fertilidade e precipitação de chuvas. Seja qual for a real função de Monte Sierpe, ele certamente manterá ainda, por um bom tempo, seus mistérios.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana”  

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 17/11/2020 às 15h32 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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Para alguns mistérios das Américas, ainda não existem respostas plausíveis. Esse é o caso de Monte Sierpe (Montanha da Serpente), localizado há apenas 5 quilômetros das ruínas de Tambo Colorado, em Pisco, Peru.

Monte Sierpe foi descoberto em 1931, por ocasião da expedição aérea “Shippee-Johnson” de fotografia, realizada por Robert Shippee e George R. Johnson, publicada na National Geographic Magazine em 1933. Uma das fotos mostrou ao mundo uma estranha formação esculpida ao longo de 1,5 quilômetros serpenteando as montanhas e atravessando fendas. Entre 1957 e 1958, o arqueólogo norte-americano Dwight T. Wallace estudou a parte baixa dos vales de Pisco e Chincha, anotando um trecho dessa formação, com uma série de buracos (hoyos) que “são aproximadamente circulares e tem um diâmetro ao redor de 1 metro”. Não demorou a curiosos e aventureiros explorarem o local de forma particular, divulgando teorias nada científicas que envolviam a presença de extraterrestres, sepulturas verticais ou simplesmente “arte” pré-colombiana, em uma modalidade diferente dos geoglifo.

Recentemente, os arqueólogos Charles Stanish e Henry Tantaleán (UCLA –University of California, Los Angeles) tem se dedicado a desvendar esse mistério. Suas medições apontam para um total de 5.430 buracos artificiais, com diâmetro entre 80 e 180 cm; e profundidade entre 40 e 120 cm. A formação inteira alcança 1.564 metros de comprimento, sendo 17,5 metros sua largura média. Eles opinam que “com uma tecnologia pré-colombiana de pás e arados, um jovem poderia cavar um desses buracos facilmente em cerca de duas ou três horas, em média [...] Uma estimativa muito conservadora é que um trabalhador poderia facilmente cavar ou construir dois buracos por dia [...] Um cálculo simples revela que 10 trabalhadores poderiam ter feito toda a obra em 300 dias; 50 trabalhadores em 60; e 100 trabalhadores em um mês. Quinhentos trabalhadores, adequadamente gerenciados, poderiam finalizar isso em algumas semanas”.

Mas se esta impressionante obra não necessita de uma técnica tão sofisticada para sua realização, a questão recai na pergunta Por quê? Existem duas teorias plausíveis até o momento. A primeira fala em um espaço de coleta de tributos ao Inca. Nessa teoria, cada Ayllu (grupos territoriais familiares) depositaria seus produtos separados por comunidade e tipo de mercadoria. Nenhum vestígio de sementes foi encontrado até agora nos buracos, mas a ideia não é absurda, pois existem provas de sistema semelhante em Inkawasi, cerca de 100 quilômetros de Monte Sierpe. Outra teoria aproxima-o dos geoglifos, relacionando-o a formações terrestres voltadas a ritos de fertilidade e precipitação de chuvas. Seja qual for a real função de Monte Sierpe, ele certamente manterá ainda, por um bom tempo, seus mistérios.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana”  

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 17/11/2020 às 15h32 | daltonmaziero@uol.com.br



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