Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Idas e Vindas

  O que eu ganho com isso?? Esta era a frase que eu mais escutava quando estava à frente de uma entidade empresarial aqui em Balneário Camboriú. Frase pronta e corriqueira em nosso vocabulário, pode até passar despercebida, mas expressa categoricamente nosso “modus operandi”. Só nos entregamos a algo se objetivamente tivermos algum lucro pessoal e imediato.

Tive a oportunidade em visitar a HWK(Handwerkskammer) na cidade de Munique, Alemanha. A HWK, ou Câmara de Artes e Ofícios, desempenha um papel parecido com nossas entidades empresariais. Só que diferente, pois no modelo alemão a qualificação profissional é tripartite entre empresa, sindicato e governo. Perguntei a um empresário de lá se ele não se preocupava em investir anos na profissionalização de seus funcionários, e depois perde-los para a concorrência, e ele respondeu: “Não, se perco um qualificado busco outro no mercado!” É óbvio, se cada um faz sua parte, o todo é imbatível.

Por volta do ano de 2005 houve um movimento em Balneário Camboriú para a criação de uma entidade com o intuito de desenhar o futuro da cidade, com a participação maciça da sociedade civil organizada representada por suas entidades. Entendia-se que o plano caberia à sociedade e não aos governos, que são transitórios, e que a estes caberia a execução. Então criou-se o CONDES(Conselho Econômico e Social) baseado na experiência do CODEM de Maringá-PR.

De cunho consultivo e sem interesses políticos-partidários, o CONDES recebeu apoio público e de uma centena de entidades e ONG’s. Durante seus anos de existência produziu belos trabalhos até hoje presentes em nossa cidade. Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino!

Quando a máxima do primeiro parágrafo, do interesse pessoal sobrepor o coletivo, se fez valer, nosso plano de planejar sucumbiu por falta de apoio político e econômico. Falamos dos problemas de Brasília, mas Brasília está aqui, em Balneário Camboriú. Muito trabalho e dedicação deixados escapar pelo ralo. Mesmo com as conquistas,poderia ter se ido muito mais longe.

Bom, falamos de 10 anos atrás, agora vejo noticiado na imprensa local sobre movimento das entidades em prol da união frente as reinvindicações coletivas. Parece engraçado, onde estavam quando tínhamos um instrumento estruturado de discussão coletiva funcionando e engajado? Porque não se movimentaram quando foi pedido socorro? Eu tenho a minha resposta, mas não vou dizer.

Acho ótimo e apoio toda iniciativa que objetive o bem comum. Mesmo tendo perdido tempo, sempre é possível um novo recomeço. E que assim seja, coletiva e despretensiosamente discutindo profundamente quais são os NOSSOS INTERESSES.

Escrito por Fernando Baumann, 30/03/2018 às 10h28 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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  O que eu ganho com isso?? Esta era a frase que eu mais escutava quando estava à frente de uma entidade empresarial aqui em Balneário Camboriú. Frase pronta e corriqueira em nosso vocabulário, pode até passar despercebida, mas expressa categoricamente nosso “modus operandi”. Só nos entregamos a algo se objetivamente tivermos algum lucro pessoal e imediato.

Tive a oportunidade em visitar a HWK(Handwerkskammer) na cidade de Munique, Alemanha. A HWK, ou Câmara de Artes e Ofícios, desempenha um papel parecido com nossas entidades empresariais. Só que diferente, pois no modelo alemão a qualificação profissional é tripartite entre empresa, sindicato e governo. Perguntei a um empresário de lá se ele não se preocupava em investir anos na profissionalização de seus funcionários, e depois perde-los para a concorrência, e ele respondeu: “Não, se perco um qualificado busco outro no mercado!” É óbvio, se cada um faz sua parte, o todo é imbatível.

Por volta do ano de 2005 houve um movimento em Balneário Camboriú para a criação de uma entidade com o intuito de desenhar o futuro da cidade, com a participação maciça da sociedade civil organizada representada por suas entidades. Entendia-se que o plano caberia à sociedade e não aos governos, que são transitórios, e que a estes caberia a execução. Então criou-se o CONDES(Conselho Econômico e Social) baseado na experiência do CODEM de Maringá-PR.

De cunho consultivo e sem interesses políticos-partidários, o CONDES recebeu apoio público e de uma centena de entidades e ONG’s. Durante seus anos de existência produziu belos trabalhos até hoje presentes em nossa cidade. Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino!

Quando a máxima do primeiro parágrafo, do interesse pessoal sobrepor o coletivo, se fez valer, nosso plano de planejar sucumbiu por falta de apoio político e econômico. Falamos dos problemas de Brasília, mas Brasília está aqui, em Balneário Camboriú. Muito trabalho e dedicação deixados escapar pelo ralo. Mesmo com as conquistas,poderia ter se ido muito mais longe.

Bom, falamos de 10 anos atrás, agora vejo noticiado na imprensa local sobre movimento das entidades em prol da união frente as reinvindicações coletivas. Parece engraçado, onde estavam quando tínhamos um instrumento estruturado de discussão coletiva funcionando e engajado? Porque não se movimentaram quando foi pedido socorro? Eu tenho a minha resposta, mas não vou dizer.

Acho ótimo e apoio toda iniciativa que objetive o bem comum. Mesmo tendo perdido tempo, sempre é possível um novo recomeço. E que assim seja, coletiva e despretensiosamente discutindo profundamente quais são os NOSSOS INTERESSES.

Escrito por Fernando Baumann, 30/03/2018 às 10h28 | fernando@bba-reiki.com.br



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