Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Pronto, Falei

 Habitualmente venho para a minha empresa de bicicleta, que fica no bairro Bandeirantes, ao lado do novo Centro de Eventos de Balneário Camboriú. Para isso é necessário passar por um pequeno espaço de aproximadamente 60 cm (que é o que sobra para mim) ao atravessar a ponte da BR 101 sentido sul. Estava muito distraído pensando sobre um evento que participei ontem em comemoração aos 10 anos de fundação de nossa cooperativa de crédito quando um grande caminhão passou e provocou  forte deslocamento de ar, me desequilibrando e colocando em risco. Um enorme susto!

Esse evento, o susto, desencadeou uma tremedeira nas minhas pernas que me obrigou a parar alguns instantes para recuperar meu estado normal. Fiquei com muita raiva! De mim, por estar distraído, e do poder público pelo descaso com que trata o cidadão. E não interessa saber qual nível de poder, por que também é um jogo de empurra, onde ninguém se responsabiliza pelo que faz.

A concessionária da mesma rodovia acabou de entregar parcialmente a marginal leste, do outro lado. Uma vergonha que só faz aumentar minha indignação. Se você ainda não foi lá sugiro que vá, e observe que duas bicicletas em sentidos opostos passam raspando uma da outra. Parece que ninguém analisou que àquele é um bairro populoso, com alto tráfego de pessoas e bicicletas. Também esqueceram de medir os guidons. Um descaso e incompetência generalizados.

Sinto uma angústia e uma enorme vontade de gritar palavrões, o que no íntimo faço mesmo. Escuto muito falar em plano de mobilidade, acessibilidade e o caramba. Doutores especializados, visitas técnicas internacionais e falações. Tudo blá blá blá. É só faz de conta. Quem sabe eu deixe de ser um trouxa, que é assim que me sinto, e comece a usar automóvel.

Nossos administradores públicos, preocupados com projetos de poder que gravem seu nome para a história, esquecem de olhar para o básico, àquilo que de fato interessa e é percebido pela população. Estão mergulhados em seu mundo de vaidades, alheios a realidade e envoltos no monstrinho chamado máquina pública, digo, triturador público.

Um surto e tudo vem à tona. A umas três ou quatro semanas atrás fui na prefeitura solicitar audiência com o prefeito. Queria como cidadão levar minhas percepções a ele no intuito de auxiliar. A recepção com duas secretárias foi muito amistosa e simpática. Falei do meu intento e uma delas prontamente se dispôs a agendar. Daí ela pegou um post-it amarelo e anotou meu contato. Meus dados num bloco de anotações adesivo....é claro que não ia dar certo, como realmente não deu. Também já desisti, nem quero mais. Acho que valho mais respeito.

 

Escrito por Fernando Baumann, 04/05/2018 às 10h51 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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 Habitualmente venho para a minha empresa de bicicleta, que fica no bairro Bandeirantes, ao lado do novo Centro de Eventos de Balneário Camboriú. Para isso é necessário passar por um pequeno espaço de aproximadamente 60 cm (que é o que sobra para mim) ao atravessar a ponte da BR 101 sentido sul. Estava muito distraído pensando sobre um evento que participei ontem em comemoração aos 10 anos de fundação de nossa cooperativa de crédito quando um grande caminhão passou e provocou  forte deslocamento de ar, me desequilibrando e colocando em risco. Um enorme susto!

Esse evento, o susto, desencadeou uma tremedeira nas minhas pernas que me obrigou a parar alguns instantes para recuperar meu estado normal. Fiquei com muita raiva! De mim, por estar distraído, e do poder público pelo descaso com que trata o cidadão. E não interessa saber qual nível de poder, por que também é um jogo de empurra, onde ninguém se responsabiliza pelo que faz.

A concessionária da mesma rodovia acabou de entregar parcialmente a marginal leste, do outro lado. Uma vergonha que só faz aumentar minha indignação. Se você ainda não foi lá sugiro que vá, e observe que duas bicicletas em sentidos opostos passam raspando uma da outra. Parece que ninguém analisou que àquele é um bairro populoso, com alto tráfego de pessoas e bicicletas. Também esqueceram de medir os guidons. Um descaso e incompetência generalizados.

Sinto uma angústia e uma enorme vontade de gritar palavrões, o que no íntimo faço mesmo. Escuto muito falar em plano de mobilidade, acessibilidade e o caramba. Doutores especializados, visitas técnicas internacionais e falações. Tudo blá blá blá. É só faz de conta. Quem sabe eu deixe de ser um trouxa, que é assim que me sinto, e comece a usar automóvel.

Nossos administradores públicos, preocupados com projetos de poder que gravem seu nome para a história, esquecem de olhar para o básico, àquilo que de fato interessa e é percebido pela população. Estão mergulhados em seu mundo de vaidades, alheios a realidade e envoltos no monstrinho chamado máquina pública, digo, triturador público.

Um surto e tudo vem à tona. A umas três ou quatro semanas atrás fui na prefeitura solicitar audiência com o prefeito. Queria como cidadão levar minhas percepções a ele no intuito de auxiliar. A recepção com duas secretárias foi muito amistosa e simpática. Falei do meu intento e uma delas prontamente se dispôs a agendar. Daí ela pegou um post-it amarelo e anotou meu contato. Meus dados num bloco de anotações adesivo....é claro que não ia dar certo, como realmente não deu. Também já desisti, nem quero mais. Acho que valho mais respeito.

 

Escrito por Fernando Baumann, 04/05/2018 às 10h51 | fernando@bba-reiki.com.br



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