Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

A Corujinha Azul

 Ela entrou em minha vida a exatos quarenta anos. Lembro do dia que fui a Florianópolis com meu pai para buscá-la. Tinha uma cor azul muito bonita e quando nos olhamos a identificação foi imediata. Foi amor à primeira vista.

Como estava meio caidinha, passamos dificuldades para trazê-la até Balneário Camboriú. Precisamos de muito cuidado. Chegando em casa a primeira ação foi um belo banho e higienização completa, depois uma avaliação de seus problemas com profissionais especializados e os devidos tratamentos.

Assim que restabelecida, ela começou a cumprir seus afazeres diários, razão pela qual foi adquirida. Foram anos de trabalho duro e dedicado. Todo dia acordando cedo e indo até final da tarde sem reclamar, exceto finais de semana, quando tinha dia livre para descanso.

Claro, até eu me tornar adulto, por que daí em diante ela passou a ser a minha companheira de balada. Meu pai ainda era o proprietário oficial, mas de certa forma eu já ia me apoderando dela. Pelo menos nos finais de semana.

As garotas da época nos estranhavam muito, até nos olhavam com certo desprezo. Como éramos rejeitados! Imagina,  para completar eu ainda usava chinelão.

Meus amigos a acolheram com carinho, até tiravam uma casquinha de vez em quando. Lembro de uma vez que deixei o Eduardo ficar um pouquinho com ela. Ele não tinha muito jeito, então quase que liquida ela numa manobra desastrada. Que susto! E o Jorge então, abraçou um poste com ela. Ainda bem que foi de raspão. Imagina que tristeza seria.

Houve outros casos também. Um com meu pai e outro com meu irmão, mas em nenhum deles ela se machucou com gravidade.

E assim passaram os anos, e a aproximadamente seis ela é minha em definitivo. Velha companheira de guerra, hoje já aposentada, mesmo assim está sempre pronta para novas aventuras, nem parece ter a idade que tem. É uma jovem, uma jovem senhora, faceira e sapeca ainda.

Para mim ela é única e não me desfaço por nada. Tenho um canto especial  em minha garagem e sempre a cubro com um cobertor. Acho que fomos feitos um para o outro e preciso retribuir todos os belos momentos vividos ao longo destes anos todos.

Recebo muitas propostas de compra, mas eu não seria capaz. De certa forma até me ofendo.

Ah, quase ia me esquecendo, a Corujinha Azul é uma Kombi com carroceria, ano 1975, daquelas com vidro dianteiro repartido. Aqui os modelos até este ano são conhecidos assim.

Uma belezura só! Eu, ela e o chinelão. Imagina a cena.

 

Escrito por Fernando Baumann, 29/05/2018 às 10h22 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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A Corujinha Azul

 Ela entrou em minha vida a exatos quarenta anos. Lembro do dia que fui a Florianópolis com meu pai para buscá-la. Tinha uma cor azul muito bonita e quando nos olhamos a identificação foi imediata. Foi amor à primeira vista.

Como estava meio caidinha, passamos dificuldades para trazê-la até Balneário Camboriú. Precisamos de muito cuidado. Chegando em casa a primeira ação foi um belo banho e higienização completa, depois uma avaliação de seus problemas com profissionais especializados e os devidos tratamentos.

Assim que restabelecida, ela começou a cumprir seus afazeres diários, razão pela qual foi adquirida. Foram anos de trabalho duro e dedicado. Todo dia acordando cedo e indo até final da tarde sem reclamar, exceto finais de semana, quando tinha dia livre para descanso.

Claro, até eu me tornar adulto, por que daí em diante ela passou a ser a minha companheira de balada. Meu pai ainda era o proprietário oficial, mas de certa forma eu já ia me apoderando dela. Pelo menos nos finais de semana.

As garotas da época nos estranhavam muito, até nos olhavam com certo desprezo. Como éramos rejeitados! Imagina,  para completar eu ainda usava chinelão.

Meus amigos a acolheram com carinho, até tiravam uma casquinha de vez em quando. Lembro de uma vez que deixei o Eduardo ficar um pouquinho com ela. Ele não tinha muito jeito, então quase que liquida ela numa manobra desastrada. Que susto! E o Jorge então, abraçou um poste com ela. Ainda bem que foi de raspão. Imagina que tristeza seria.

Houve outros casos também. Um com meu pai e outro com meu irmão, mas em nenhum deles ela se machucou com gravidade.

E assim passaram os anos, e a aproximadamente seis ela é minha em definitivo. Velha companheira de guerra, hoje já aposentada, mesmo assim está sempre pronta para novas aventuras, nem parece ter a idade que tem. É uma jovem, uma jovem senhora, faceira e sapeca ainda.

Para mim ela é única e não me desfaço por nada. Tenho um canto especial  em minha garagem e sempre a cubro com um cobertor. Acho que fomos feitos um para o outro e preciso retribuir todos os belos momentos vividos ao longo destes anos todos.

Recebo muitas propostas de compra, mas eu não seria capaz. De certa forma até me ofendo.

Ah, quase ia me esquecendo, a Corujinha Azul é uma Kombi com carroceria, ano 1975, daquelas com vidro dianteiro repartido. Aqui os modelos até este ano são conhecidos assim.

Uma belezura só! Eu, ela e o chinelão. Imagina a cena.

 

Escrito por Fernando Baumann, 29/05/2018 às 10h22 | fernando@bba-reiki.com.br



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