Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

A Palavra

 A palavra é uma arma, dependendo de como é usada pode selar a paz ou incitar a guerra. De alcance letal, depois que proferida não retorna mais. Impossível trazer de volta. Ela tem o poder de levantar muros ou construir pontes.

Constituída com padrão, colabora na formatação do nosso modelo mental. Sou o que penso, expresso o que penso. Sendo verdade ou não, a minha manifestação diz muito do que sou. A palavra também carrega um fator de potência, que é a minha intenção com ela. A atribuição que dou aumenta ou diminui sua energia de impacto. Posso dizer algo amoroso de forma fria, ou algo ríspido com amorosidade.

Também tem a variação do significado de uma mesma palavra. Por exemplo, a palavra “trabalho” para uns pode significar fardo ou penitência, para outros pode ser oportunidade e crescimento. É a forma e o estado de espírito de cada um, e isto gera muita confusão comportamental.

Outro exemplo agora com o equívoco do uso diz respeito a palavra “amor”. Usamos para demonstrar desejo e sentimento, inclusive para expressar o clímax da intimidade entre duas pessoas – “fizemos amor”. Ora, fizemos sexo, não amor. Para mim o puro significado da palavra  é respeito e tolerância. Então amo meus pais, irmãos, esposa, filhos e amigos. Também posso amar meus desconhecidos nos encontros diários, num gesto, num aceno, numa gentileza. Amor é sentimento de igualdade, assim como orgulho é de superioridade.

E o caso do jogador que ao sair de campo é interpelado pelo repórter que lhe pergunta como foi a disputa, então ele diz: “ graças a Deus saímos vitoriosos...”? – daí eu penso, será que Deus foi contra quem perdeu? É claro que não, é apenas força de expressão. Mas se a palavra tem poder, então quais as consequências? Pois é, aí também depende da intenção, mas posso acreditar que não são boas. O Criador sempre é invocado aleatoriamente, e isso deve cansar muito.

Sabe, escrever os textos para mim é um exercício delicioso, mas preciso me policiar o tempo todo, por que dá vontade de colocar muita bobagem. Às vezes eu me passo e escapa algumas coisas, mas preciso respeitar o leitor, então cuido para expressar minhas opiniões de forma menos agressiva possível. Claro sem perder a minha verdade. Não escrevo o que os outros querem ler, mas preciso sempre cuidar da forma como expresso minhas ideias e opiniões. Eu preciso me importar com outro para não ser mal compreendido. E também cometo erros ortográficos ou conceituais.

Acredito que a palavra falada é a mais usual. O gesto é universal mas não tem eloquência e a escrita tem as limitações óbvias do tempo que toma. Então se observarmos a natureza ela própria nos dá mostras da importância de se cuidar com o que falamos. Veja a configuração dos seres vivos, os humanos em especial: Tem dois ouvidos, dois olhos, duas fossas nasais e uma boca. Então quer dizer que tenho que ouvir, ver e cheirar duas vezes mais que falar. Será possível?

Então, achar que dizer, escrever ou gestualizar o que pensa é uma virtude cuidado, sem avaliar as consequências pode funcionar como um bumerangue que vai e volta. E como volta!

Escrito por Fernando Baumann, 01/06/2018 às 18h03 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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A Palavra

 A palavra é uma arma, dependendo de como é usada pode selar a paz ou incitar a guerra. De alcance letal, depois que proferida não retorna mais. Impossível trazer de volta. Ela tem o poder de levantar muros ou construir pontes.

Constituída com padrão, colabora na formatação do nosso modelo mental. Sou o que penso, expresso o que penso. Sendo verdade ou não, a minha manifestação diz muito do que sou. A palavra também carrega um fator de potência, que é a minha intenção com ela. A atribuição que dou aumenta ou diminui sua energia de impacto. Posso dizer algo amoroso de forma fria, ou algo ríspido com amorosidade.

Também tem a variação do significado de uma mesma palavra. Por exemplo, a palavra “trabalho” para uns pode significar fardo ou penitência, para outros pode ser oportunidade e crescimento. É a forma e o estado de espírito de cada um, e isto gera muita confusão comportamental.

Outro exemplo agora com o equívoco do uso diz respeito a palavra “amor”. Usamos para demonstrar desejo e sentimento, inclusive para expressar o clímax da intimidade entre duas pessoas – “fizemos amor”. Ora, fizemos sexo, não amor. Para mim o puro significado da palavra  é respeito e tolerância. Então amo meus pais, irmãos, esposa, filhos e amigos. Também posso amar meus desconhecidos nos encontros diários, num gesto, num aceno, numa gentileza. Amor é sentimento de igualdade, assim como orgulho é de superioridade.

E o caso do jogador que ao sair de campo é interpelado pelo repórter que lhe pergunta como foi a disputa, então ele diz: “ graças a Deus saímos vitoriosos...”? – daí eu penso, será que Deus foi contra quem perdeu? É claro que não, é apenas força de expressão. Mas se a palavra tem poder, então quais as consequências? Pois é, aí também depende da intenção, mas posso acreditar que não são boas. O Criador sempre é invocado aleatoriamente, e isso deve cansar muito.

Sabe, escrever os textos para mim é um exercício delicioso, mas preciso me policiar o tempo todo, por que dá vontade de colocar muita bobagem. Às vezes eu me passo e escapa algumas coisas, mas preciso respeitar o leitor, então cuido para expressar minhas opiniões de forma menos agressiva possível. Claro sem perder a minha verdade. Não escrevo o que os outros querem ler, mas preciso sempre cuidar da forma como expresso minhas ideias e opiniões. Eu preciso me importar com outro para não ser mal compreendido. E também cometo erros ortográficos ou conceituais.

Acredito que a palavra falada é a mais usual. O gesto é universal mas não tem eloquência e a escrita tem as limitações óbvias do tempo que toma. Então se observarmos a natureza ela própria nos dá mostras da importância de se cuidar com o que falamos. Veja a configuração dos seres vivos, os humanos em especial: Tem dois ouvidos, dois olhos, duas fossas nasais e uma boca. Então quer dizer que tenho que ouvir, ver e cheirar duas vezes mais que falar. Será possível?

Então, achar que dizer, escrever ou gestualizar o que pensa é uma virtude cuidado, sem avaliar as consequências pode funcionar como um bumerangue que vai e volta. E como volta!

Escrito por Fernando Baumann, 01/06/2018 às 18h03 | fernando@bba-reiki.com.br



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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.