Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

A estupidez

 Tinha acabado de fazer 40 anos e comprado uma moto nova. Me achava “o cara” no auge da crise da meia idade, querendo provar não sei o que para não sei quem. Coisas de jovem senhor abestalhado.

Sempre que podia utilizava a moto para viagens. Então surgiu um compromisso na Associação Empresarial de Rio do Sul e lá fui eu em disparada com minha moto. O dia estava ótimo para andar, com céu limpo e temperatura agradável.

Não tinha pra ninguém. Eu estava possuído em cima do meu cavalo mecânico. Passando por Ascurra placas de sinalização surgiram avisando que a estrada estava em reforma, e que era para os motoristas estarem atentos. Eu nem ai continuei enrolando o cabo. Na ponte em curva sobre o rio Itajaí-açu entrei forte, parecia que a moto ia sair de baixo de mim. Os “S” na sequência da rodovia atiçaram ainda mais meu desejo insano.

Então a sequência de placas se intensificou e no início de uma longa reta um pouco antes da entrada de Ibirama percebo os veículos parando em cima da pista. Tranquilamente começo a frear a moto mas....quem diz que ela para? A traseira de um Celta branco começou a crescer no visor do meu capacete. Caramba!!!

Não tinha mais o que fazer, então usei a experiência de competição e dei uma “alicatada” no freio dianteiro, derrubando a moto que deslizou até bater no carro, e eu sair rolando pelo acostamento.

Enquanto rolava sentido acostamento pensei: será que isto está acontecendo comigo? Quando parei de rolar já estatelado no chão pensei: será que isso aconteceu comigo? Quando consegui levantar e entender o estrago na minha perna direita pensei: isso realmente aconteceu comigo!!

Bom, o primeiro sentimento pós choque foi de vergonha pela lambança que fiz. Na sequência junta uma pequena multidão querendo saber como eu estava, e outra que foi levantar a moto caída no asfalto. Interessante a comoção de todos e eu não sabendo onde enfiar a minha cara.

O carro que bati na traseira já estava um tanto detonado, e o impacto não modificou muito o estado dele. Então o motorista me deu um tapa nas costas e me desejou juízo, indo embora.

Olhando o estado da moto percebi que mesmo bastante danificada tinha condições de andar. Minha perna apesar da desconexão do joelho com o resto que tinha para baixo ainda permitia pilotar a moto. Talvez por ainda estar aquecido ou pela adrenalina me despachei sentido Rio do Sul bem “queridinho” em cima da moto.

Chegando lá o pessoal da ACIRS me levou para o hospital, onde foi constatado semi-ruptura de dois ligamentos, ruptura do ligamento cruzado anterior e leve fratura do joelho. Dali para frente foram seis meses de muita fisioterapia e tratamento para recuperar o movimento do joelho.

Na volta para Balneário de carona no veículo da Associação uma voz me soou nos ouvidos dizendo: “seu bobo, te derrubamos para salvar a tua vida. Do jeito que estava indo não ia chegar vivo no destino”. Fechei os olhos e cheio de lágrimas agradeci aos meus anjos a nova chance que recebi.

Escrito por Fernando Baumann, 17/08/2018 às 10h06 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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 Tinha acabado de fazer 40 anos e comprado uma moto nova. Me achava “o cara” no auge da crise da meia idade, querendo provar não sei o que para não sei quem. Coisas de jovem senhor abestalhado.

Sempre que podia utilizava a moto para viagens. Então surgiu um compromisso na Associação Empresarial de Rio do Sul e lá fui eu em disparada com minha moto. O dia estava ótimo para andar, com céu limpo e temperatura agradável.

Não tinha pra ninguém. Eu estava possuído em cima do meu cavalo mecânico. Passando por Ascurra placas de sinalização surgiram avisando que a estrada estava em reforma, e que era para os motoristas estarem atentos. Eu nem ai continuei enrolando o cabo. Na ponte em curva sobre o rio Itajaí-açu entrei forte, parecia que a moto ia sair de baixo de mim. Os “S” na sequência da rodovia atiçaram ainda mais meu desejo insano.

Então a sequência de placas se intensificou e no início de uma longa reta um pouco antes da entrada de Ibirama percebo os veículos parando em cima da pista. Tranquilamente começo a frear a moto mas....quem diz que ela para? A traseira de um Celta branco começou a crescer no visor do meu capacete. Caramba!!!

Não tinha mais o que fazer, então usei a experiência de competição e dei uma “alicatada” no freio dianteiro, derrubando a moto que deslizou até bater no carro, e eu sair rolando pelo acostamento.

Enquanto rolava sentido acostamento pensei: será que isto está acontecendo comigo? Quando parei de rolar já estatelado no chão pensei: será que isso aconteceu comigo? Quando consegui levantar e entender o estrago na minha perna direita pensei: isso realmente aconteceu comigo!!

Bom, o primeiro sentimento pós choque foi de vergonha pela lambança que fiz. Na sequência junta uma pequena multidão querendo saber como eu estava, e outra que foi levantar a moto caída no asfalto. Interessante a comoção de todos e eu não sabendo onde enfiar a minha cara.

O carro que bati na traseira já estava um tanto detonado, e o impacto não modificou muito o estado dele. Então o motorista me deu um tapa nas costas e me desejou juízo, indo embora.

Olhando o estado da moto percebi que mesmo bastante danificada tinha condições de andar. Minha perna apesar da desconexão do joelho com o resto que tinha para baixo ainda permitia pilotar a moto. Talvez por ainda estar aquecido ou pela adrenalina me despachei sentido Rio do Sul bem “queridinho” em cima da moto.

Chegando lá o pessoal da ACIRS me levou para o hospital, onde foi constatado semi-ruptura de dois ligamentos, ruptura do ligamento cruzado anterior e leve fratura do joelho. Dali para frente foram seis meses de muita fisioterapia e tratamento para recuperar o movimento do joelho.

Na volta para Balneário de carona no veículo da Associação uma voz me soou nos ouvidos dizendo: “seu bobo, te derrubamos para salvar a tua vida. Do jeito que estava indo não ia chegar vivo no destino”. Fechei os olhos e cheio de lágrimas agradeci aos meus anjos a nova chance que recebi.

Escrito por Fernando Baumann, 17/08/2018 às 10h06 | fernando@bba-reiki.com.br



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