Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Os bons amigos

 Hoje um amigo desde a infância e juventude partiu.

Tínhamos um time e futebol de salão que jogava semanalmente no Guadalajara. Ele não podia faltar, porque era o único que tinha algum talento. Muito inteligente, estava sempre entre os primeiros da classe naqueles tempos de João Goulart.

Lembro da vez em que já morando em Joinville fizemos de trem o caminho entre Curitiba e Paranaguá. E noutro momento em que fomos na fazendo do seu avô em Bom Retiro. Magro e alto, devia pesar no máximo 70 quilos.

Bons tempos de juventude. Podíamos dizer que Balneário Camboriú era “nossa”. Na turma tínhamos corcel, opala, dodginho, passat e kombi. Quando a avenida Brasil terminava na avenida Atlântica, um “cotovelo” um pouco antes do início do que é hoje a avenida Beira Rio era nosso desafio, muitas vezes contornado raspando espelho com espelho.

Essa pequena e unida turma cresceu junta. Aos 18 anos fizemos nossa primeira festa conjunta de aniversário na casa do Luizão. Depois vieram outras, sendo que a última foi para fechar a fatura, aos 40 anos. Um estrago.

Todos casaram, alguns descasaram, outros tiveram filhos. Poucos se afastaram, e àquele espírito de união nunca se abalou. Ao longo dos anos vários foram os momentos de confraternização e risadas, de gozação e cumplicidade. Uma turma unida que de certa forma se protegeu. Podíamos ficar tempo sem falar, ao primeiro encontro parecia que o último contato havia sido no dia anterior.

Mas a vida segue e tudo são escolhas, sendo cada um responsável pelas suas. Razões pessoais são inquestionáveis e cada qual as faz conforme sua intensão, não cabe julgar nem lamentar. Mas ele partiu muito cedo, e nós não conseguimos ajudar. Escapou dentre nós a olhos vistos, como que escorregando das mãos. Foi seu último drible.

Repensando em todos os momentos vividos sinto que tudo valeu, que as amizades valeram e que ajudaram o moldar quem sou. Sou grato a cada um pela influência e diferença que fez e faz na minha vida. Pela bronca, pelo riso e pela cumplicidade. Isso é o que realmente importa. Pena este sentimento de gratidão surgir apenas neste momento.

Rogério, meu irmão, obrigado por tudo! Siga em paz no retorno à sua Essência. Fique bem por que aqui estamos bem.

Apenas a saudade vai se acumular.

Até mais amigão!

 

Escrito por Fernando Baumann, 25/09/2018 às 10h47 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Os bons amigos

 Hoje um amigo desde a infância e juventude partiu.

Tínhamos um time e futebol de salão que jogava semanalmente no Guadalajara. Ele não podia faltar, porque era o único que tinha algum talento. Muito inteligente, estava sempre entre os primeiros da classe naqueles tempos de João Goulart.

Lembro da vez em que já morando em Joinville fizemos de trem o caminho entre Curitiba e Paranaguá. E noutro momento em que fomos na fazendo do seu avô em Bom Retiro. Magro e alto, devia pesar no máximo 70 quilos.

Bons tempos de juventude. Podíamos dizer que Balneário Camboriú era “nossa”. Na turma tínhamos corcel, opala, dodginho, passat e kombi. Quando a avenida Brasil terminava na avenida Atlântica, um “cotovelo” um pouco antes do início do que é hoje a avenida Beira Rio era nosso desafio, muitas vezes contornado raspando espelho com espelho.

Essa pequena e unida turma cresceu junta. Aos 18 anos fizemos nossa primeira festa conjunta de aniversário na casa do Luizão. Depois vieram outras, sendo que a última foi para fechar a fatura, aos 40 anos. Um estrago.

Todos casaram, alguns descasaram, outros tiveram filhos. Poucos se afastaram, e àquele espírito de união nunca se abalou. Ao longo dos anos vários foram os momentos de confraternização e risadas, de gozação e cumplicidade. Uma turma unida que de certa forma se protegeu. Podíamos ficar tempo sem falar, ao primeiro encontro parecia que o último contato havia sido no dia anterior.

Mas a vida segue e tudo são escolhas, sendo cada um responsável pelas suas. Razões pessoais são inquestionáveis e cada qual as faz conforme sua intensão, não cabe julgar nem lamentar. Mas ele partiu muito cedo, e nós não conseguimos ajudar. Escapou dentre nós a olhos vistos, como que escorregando das mãos. Foi seu último drible.

Repensando em todos os momentos vividos sinto que tudo valeu, que as amizades valeram e que ajudaram o moldar quem sou. Sou grato a cada um pela influência e diferença que fez e faz na minha vida. Pela bronca, pelo riso e pela cumplicidade. Isso é o que realmente importa. Pena este sentimento de gratidão surgir apenas neste momento.

Rogério, meu irmão, obrigado por tudo! Siga em paz no retorno à sua Essência. Fique bem por que aqui estamos bem.

Apenas a saudade vai se acumular.

Até mais amigão!

 

Escrito por Fernando Baumann, 25/09/2018 às 10h47 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

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