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Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

O país do faz de conta

 Véspera de eleições e os ânimos exaltados começam a aparecer situações indesejadas. Como o exemplo de empresários que publicam mensagens em tom inadequado contendo opiniões implícitas mas compreensíveis sobre possível vitória de candidato A ou B.

Os empresários não são apenas agentes econômicos, mas principalmente sociais, gerando empregos e distribuição de rendas, bem como o recolhimento de impostos que devidamente utilizados servem para a investimentos em saúde, educação e outros. Os empresários são em essência agentes de transformação social, mesmo que o objetivo principal seja o lucro ou a própria sobrevivência. Sua responsabilidade é gigantesca.

Então é de extrema relevância que cada qual cuide daquilo que expressa. Não é “o que”, é “o como”. A extensão da fala em tempos digitais é de longo alcance, aplicado a isso a importância de quem fala, têm-se a natureza do resultado. Não é a questão de ter medo ou não, é apenas prudência e respeito às opiniões contraditórias. Falar em exercício a democracia é em essência entender o outro, não necessariamente concordando. Respeito é via de mão dupla.

Mas aí tem um ponto que me perturba, e muito. Essas falas geraram inúmeras manifestações, intensamente exploradas pela mídia como algo inusitado. Mas qual a novidade? Aonde isso nunca aconteceu? Olhem os exemplos dos governos, principalmente os locais por que é onde as relações são mais próximas e perceptíveis, que usam toda a estrutura em prol do seus candidatos?

O que dizer dos cargos nomeados que são convocados para fazer campanha para o candidato da situação? Convocados e ameaçados de desligamento caso não cumpram a determinação? Ora, eu havia entendido que os tempos eram outros, que as escolhas eram técnicas e não mais apenas por apadrinhamento partidário. O executivo definir publicamente seu apoio é algo normal e esperado, mas fazer toda a máquina pública trabalhar a favor, não. Se é para ser assim então esquece mudança. Alguém vê isso?

Ah, mas isto é do jogo...justamente, se é do jogo então não vai mudar. A mesma receita não faz um bolo diferente. 

Mais quanto tempo vamos viver na escuridão?

Escrito por Fernando Baumann, 03/10/2018 às 10h34 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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O país do faz de conta

 Véspera de eleições e os ânimos exaltados começam a aparecer situações indesejadas. Como o exemplo de empresários que publicam mensagens em tom inadequado contendo opiniões implícitas mas compreensíveis sobre possível vitória de candidato A ou B.

Os empresários não são apenas agentes econômicos, mas principalmente sociais, gerando empregos e distribuição de rendas, bem como o recolhimento de impostos que devidamente utilizados servem para a investimentos em saúde, educação e outros. Os empresários são em essência agentes de transformação social, mesmo que o objetivo principal seja o lucro ou a própria sobrevivência. Sua responsabilidade é gigantesca.

Então é de extrema relevância que cada qual cuide daquilo que expressa. Não é “o que”, é “o como”. A extensão da fala em tempos digitais é de longo alcance, aplicado a isso a importância de quem fala, têm-se a natureza do resultado. Não é a questão de ter medo ou não, é apenas prudência e respeito às opiniões contraditórias. Falar em exercício a democracia é em essência entender o outro, não necessariamente concordando. Respeito é via de mão dupla.

Mas aí tem um ponto que me perturba, e muito. Essas falas geraram inúmeras manifestações, intensamente exploradas pela mídia como algo inusitado. Mas qual a novidade? Aonde isso nunca aconteceu? Olhem os exemplos dos governos, principalmente os locais por que é onde as relações são mais próximas e perceptíveis, que usam toda a estrutura em prol do seus candidatos?

O que dizer dos cargos nomeados que são convocados para fazer campanha para o candidato da situação? Convocados e ameaçados de desligamento caso não cumpram a determinação? Ora, eu havia entendido que os tempos eram outros, que as escolhas eram técnicas e não mais apenas por apadrinhamento partidário. O executivo definir publicamente seu apoio é algo normal e esperado, mas fazer toda a máquina pública trabalhar a favor, não. Se é para ser assim então esquece mudança. Alguém vê isso?

Ah, mas isto é do jogo...justamente, se é do jogo então não vai mudar. A mesma receita não faz um bolo diferente. 

Mais quanto tempo vamos viver na escuridão?

Escrito por Fernando Baumann, 03/10/2018 às 10h34 | fernando@bba-reiki.com.br



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