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Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Pobres homens bons

 Levado pelo momento, onde ataques morais ganham relevância subjugando a beleza da criação humana, estava eu buscando entender qual o nosso elemento vital, àquilo que de fato nos caracteriza, que nos faz ser bons ou não, se é que isso existe.

Entendo por crença particular que todos os seres são bons. Trazemos isto em nossa característica essencial, no sopro existencial da origem. Talvez a natureza, a combinação específica de qualidades e não qualidades, seja o ponto de inflexão.

Mas como esta natureza se compõe? Não sei exatamente, mas penso que seja um somatório de muitas variáveis difíceis de se repetir mais de uma vez. Para começar, a razão pela qual cada um nasceu, que entendo diferente dado o nível de evolução individual. Depois vem a herança genética e histórica da família. Também a educação (princípios, valores e limites) que cada um recebeu. Por fim o ambiente onde tudo isso se desenvolveu, se terra fértil ou arrasada.

Numa comparação, arrisco a dizer que a essência é o veículo, a natureza é o motorista e o propósito é o destino. Com a natureza consolidada, seguimos então o caminho em busca do nosso propósito, desconhecendo o outro veículo que está ao lado.

 Então quem é cada um de nós para julgar o outro, para apontar o que é certo ou errado, classificando os bons e os não bons? Claro, tudo em sua devida proporção.

Ataques verbais que objetivam desconstruir a conduta moral de oponentes me parece muito mais uma reação a incapacidade de discutir ideias e pontos de vista do que propriamente um alerta sobre possíveis ameaças comportamentais. Eu entendo o ataque como uma fraqueza, o avanço sobre uma ameaça.

O ringue eleitoral expõe o apodrecimento comportamental das relações coletivas. Mas também não é apenas neste ambiente. Vivemos uma sociedade histérica e doentia que gosta de sangue e se alimenta da carniça ética e moral, àquilo que sobrou de nós.

Mas a essência é pura e a natureza é manipulável. Apesar dos gladiadores modernos, continuo acreditando que somos todos bons. Ruim é o que fazemos com isso.

 

Escrito por Fernando Baumann, 19/10/2018 às 13h21 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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Pobres homens bons

 Levado pelo momento, onde ataques morais ganham relevância subjugando a beleza da criação humana, estava eu buscando entender qual o nosso elemento vital, àquilo que de fato nos caracteriza, que nos faz ser bons ou não, se é que isso existe.

Entendo por crença particular que todos os seres são bons. Trazemos isto em nossa característica essencial, no sopro existencial da origem. Talvez a natureza, a combinação específica de qualidades e não qualidades, seja o ponto de inflexão.

Mas como esta natureza se compõe? Não sei exatamente, mas penso que seja um somatório de muitas variáveis difíceis de se repetir mais de uma vez. Para começar, a razão pela qual cada um nasceu, que entendo diferente dado o nível de evolução individual. Depois vem a herança genética e histórica da família. Também a educação (princípios, valores e limites) que cada um recebeu. Por fim o ambiente onde tudo isso se desenvolveu, se terra fértil ou arrasada.

Numa comparação, arrisco a dizer que a essência é o veículo, a natureza é o motorista e o propósito é o destino. Com a natureza consolidada, seguimos então o caminho em busca do nosso propósito, desconhecendo o outro veículo que está ao lado.

 Então quem é cada um de nós para julgar o outro, para apontar o que é certo ou errado, classificando os bons e os não bons? Claro, tudo em sua devida proporção.

Ataques verbais que objetivam desconstruir a conduta moral de oponentes me parece muito mais uma reação a incapacidade de discutir ideias e pontos de vista do que propriamente um alerta sobre possíveis ameaças comportamentais. Eu entendo o ataque como uma fraqueza, o avanço sobre uma ameaça.

O ringue eleitoral expõe o apodrecimento comportamental das relações coletivas. Mas também não é apenas neste ambiente. Vivemos uma sociedade histérica e doentia que gosta de sangue e se alimenta da carniça ética e moral, àquilo que sobrou de nós.

Mas a essência é pura e a natureza é manipulável. Apesar dos gladiadores modernos, continuo acreditando que somos todos bons. Ruim é o que fazemos com isso.

 

Escrito por Fernando Baumann, 19/10/2018 às 13h21 | fernando@bba-reiki.com.br



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